Assim diz o Senhor


Assim diz o Senhor
Depois diga ao faraó que assim diz o Senhor: Israel é o meu primeiro filho!
Esta é a primeira vez que será ouvida na terra a mais poderosa expressão que um dia saiu da boca de um ser humano, conforme relatado nas Escrituras.  
 Não existe termo semelhante em nenhuma outra manifestação de mistério, religioso ou ritual no mundo de então ou no moderno.
Nenhuma religião por mais mitica que seja teceu uma declaração mais poderosa. Não se enconta nos presságios dos Vedas, ou nos ritos Maçonicos, nem nas crenças dos Magis do Zoroatrismo, nem nos termos do Alcorão, nas introduções aos oráculos de Delphos, nas reverencias dos Livro dos Mortos do antigo Egito.  Os antigos pajés americanos nem sonhariam com tal expressão, não há tal sombra de autoridade nos curandeiros dos Maias, ou tal ousadia nas crenças nórdicas. Todas as histórias divinas que mostram deuses em atuação os mostram em cenários imaginados, em dimensões inatingiveis, em situações anteriores ao tempo humano. Seu poder cósmico é limitado as esferas de suas fantásticas histórias de seu glorioso passado. Thor  lutou com suas armas num mundo distante contra forças de uma antiga serpente, criou a constelação do Dedo de Aurvandill, atropelará a Serpente Midgard num distante Ragnarok…
O que se cria como palavras divinas eram fórmulas mágicas atreladas a antigas religiões, muitas florescendo a partir da vasta imaginação humana. 
Até que essa raça isolente de gente gente chamadas “profetas” manifestou-se dizendo aquilo.
Aquilo. Aquela frase cheia de horror supremo. Aquela expressão digna de um conto de ficção. Aquela frase que prenunciava o novo.

 “Assim diz o Senhor”. Nada na terra de outrora causaria mais temor que o ministério de um profeta.
Um profeta era a quintessência do mago, elevado à nona, ele, raiz do absurdo, cantando a verdadeira magia manifestada na terra dos viventes.
O profeta é o enviado, o escolhido, o que em trás em si a incumbência do mensageiro e a responsabilidade de um porta-voz. Não porta-voz de uma voz qualquer sibilante, fruto de um sonho mórbido sonhado em alguma orbe fumacenta regada a vinho,  incenso e chás alucinógenos.
Não será uma a força de uma figura fantasmagórica ou onírica, tal qual o encanto de uma fada, a poesia uma idéia ou a ética de um ideal que traduzirá suas atitudes.
Será o peso, a força, o poder e o fogo inextinguível de certa palavra santa, palavra improvável, palavra incrível, que queimará incurável no coração dele. Deste que  simboliza a mais impressionante carreira e profissão exercida por um vivente na terra,
profissão que delimitará o impossivel.

Que escreverá o inimaginável. Que zombará do óbvio. Que resistirá a tradição religiosa e que romperá com a mesmice.

“Assim diz o Senhor” dita a primeira vez soaria como uma voz ancestral celebrando o encontro com uma divindade qualquer de um panteão qualquer de um grupo de pastores semi-analfabetos,  mas a mais poderosa nação de outrora, seus palácios e sua glória, sua essência religiosa e seu clero, suas mais profundas convicções sobre o que é ou deixa de ser deidade desvaneceram-se diante daquela pequena frase.
De inicio, humilde, uma pequena declaração amorosa a um grupo de escravos.
 “Assim diz o Senhor: Israel é o meu primeiro filho” uma declaração tão doce como o mel, tão singela, tão simples, tão boba.
Um Deus absurdamente desconhecido…falava por meio de um gago interpretado por seu irmão mais velho ao DEUS DO EGITO, ao eterno Faraó, ao dignatário que após a morte desceria as orbes da escuridão e por sua força divina impediria, ainda que morto, a destruição do mundo de outrora.  

 “ Assim diz o Senhor” diante da autoridade constituída do rei de toda terra, era como um sopro na boca de um pardal segundos antes de morrer. 

O grupo de escravos se rebelava contra seu senhorio e agora em nome de uma nova religião traziam esse aprendiz de feiticeiro, que fugira da terra do Egito, para agora dizer asneiras. Palavras vãs.

“Assim diz o Senhor” inicia seu trajeto na história humana como uma declaração de amor por um filho.  E tal expressão será a maldição de reis, assim como a desgraça de potestades, a força da derrocada de exércitos, acarretará a fim da soberba humana, operará a transformação de povos, realizará a mudança de planos e formaliza cabalmente que quem manda nessa terra de ninguém é somente Ele, o Rei, Dono e Senhor, que uma vez que tenha dito algo, o universo acolherá como uma ordem.
Com todos os recursos que possuía, a nação do Egito recusou-se a atender a voz daquele pronunciamento.  “Assim diz o Senhor” era a voz que não podia ser calada. Interrompida. Ignorada.  Quando as carros de guerra e os corpos de milhares de soldados boiavam sobre o mar vermelho depois de acontecimentos assombrosos, Miriã a irmã de Moisés começou a dançar e a correr, e a bailar e tocar seus tamboris gritando e exultando de alegria, contagiando de tal maneira a multidão de mulheres e meninas que logo uma multidão de adolescentes israelitas dançava em meio ao deserto cantando e adorando, extasiadas diante do significado de “assim diz o Senhor”.  
Quarenta anos passados os eventos descritos no inicio do livro de Exodo os Israelitas chegaram às cercanias de Canaã.  Quarenta anos não foi o suficiente para diminuírem a fama do que ocorrera. O medo varria as cidades da antiguidade. Nada na terra de outrora, nenhuma invocação mágica, nenhuma praga rogada, nenhum sortilégio invocado pelo mais temível feiticeiro se igualava ao terror absoluto causado por aquilo. Porque no meio dos israelitas haviam homens que podiam dizer “Assim diz o Senhor” onde outros reivindicavam a suas divindades uma autoridade que jamais lhes seria concedida. Os profetas daquele tal “Senhor” mandavam que seus deuses consagrados com sangue humano, ancestrais, misteriosos e sublimes fossem queimados, quebrados e lançados como cinzas de mortos nas águas de quaisquer rios barrentos. Diante do que aqueles profetas representavam seus deuses não valima mais que mortos calcinados pelo fogo!  Certa feita uma nação em desespero contratou a peso de ouro o mais maldito dos praticantes de artes negras de sua época, tão sinistro que era pago para amaldiçoar a nações. Um necromante conhecido pelo poder de suas maldições, convocado por um rei e pelo conselho de guerra dos Moabitas para de algum modo impedir que aquele povo daquele Deus deles se aproximasse! Em vão.
Tomado pelo mesmo Espírito que enchia os profetas o velho mago sem controle de suas palavras bradou do alto de uma montanha:
“Como amaldiçoarei o povo a quem Deus abençoou para sempre!”
Assim diz o Senhor é a mais terrível expressão dita por um profeta. Era um decreto, uma lei, uma verdade, uma declaração finalística, uma expressão de autoridade que era maior que aqueles que a portavam.  Os profetas eram chamados sendo pastores, agricultores, fazendeiros, boiadeiros ou até sacerdotes.  Mas… uma vez chamados, uma vez recebendo a comissão divina para falar em seu nome, já não seriam tratados como os outros homens.  Jezabel, uma rainha feiticeira cheia de ódio por aquilo que aquela autoridade que afrontava até o poder real representava mandou assassinar centenas de profetas.  Um profeta declarou-lhe “assim diz o Senhor”.  E o que vinha depois desta frase era uma morte cheia de indignidade.  E seu destino foi selado por sua maldade e pela profecia. 
A expressão “Assim diz o Senhor” e equivalentes encontra-se cerca de 3.800 vezes na Bíblia. . E nenhuma delas falhou.  
E nem falhará. 

 

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