Jericó


Josué 2

Raabe e os espiões

Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro lado, especialmente em Jericó. Foi assim que eles vieram ter a uma estalagem dirigida por uma mulher chamada Raabe que era uma meretriz. E resolveram passar ali a noite.
No entanto alguém foi informar o rei, governador de Jericó, de que dois israelitas, suspeitos de serem espias, tinham chegado à cidade naquela noite. Imediatamente foi despachado um contingente militar para a casa de Raabe, a fim que esta os entregasse.
São espias, explicaram-lhe eles. Foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem.
4-5 Mas ela tinha-os escondido, e por isso disse ao chefe do destacamento: Os homens estiveram cá durante o dia, mas eu não sabia que eram espias. Deixaram a cidade ao anoitecer quando as portas da cidade estavam a fechar-se e não sei para onde foram. Se se despacharem talvez ainda os apanhem.
6-7 Mas na realidade ela tinha-os feito subir ao terraço da casa e escondido sob uns fardos de linho que ali estavam a secar. Assim o chefe daquele contingente policial mais os seus homens foram correndo até à beira do vale do Jordão à procura deles, enquanto era dada ordem para que as portas da cidade se mantivessem definitivamente fechadas.
Raabe subiu então para falar com os homens antes que se deitassem:
9-13 Sei muito bem que o vosso Deus já vos deu esta minha terra. Estamos todos com medo de vocês; basta só que o nome de Israel seja mencionado para ficarmos aterrorizados. Ouvimos como o Senhor vos abriu um caminho através do Mar Vermelho quando saíram do Egipto. E sabemos o que fizeram a Siom e a Ogue, os dois reis amorreus, do outro lado do Jordão, e como os destruíram totalmente. Por essa razão não é para admirar que estejamos com muito medo de vocês! Não há já ninguém com ânimo para lutar depois de ouvir coisas destas, porque o vosso Deus é na verdade o Deus supremo no céu e na Terra. E queria pedir-vos agora o seguinte: Jurem-me pelo vosso Deus que quando conquistarem Jericó me deixarão com vida, assim como o meu pai e a minha mãe, meus irmãos e irmãs, mais as famílias deles. Façam-me isso, atendendo à ajuda que vos estou a dar.
14 Os homens estiveram de acordo. Se não nos atraiçoares faremos com que tu e a tua família não sofram dano, prometeram. Proteger-vos-emos, se for preciso dando a nossa própria vida.
15 Seguidamente, visto que a casa dela estava construída sobre a própria muralha da cidade, desceu-os com uma corda, por uma janela.
16 Fujam para as montanhas, aconselhou ela. Escondam-se lá durante três dias até que os homens que andam à vossa procura tenham voltado. Depois então regressem.
17-20 Mas antes de partirem os dois homens ainda quiseram dizer-lhe o seguinte: Não poderemos ser responsáveis por aquilo que possa vir a acontecer-te se não deixares esta corda, feita de fio vermelho, suspensa da janela, e também se os teus parentes -o teu pai, a tua mãe, irmãos e outros familiares- não estiverem escondidos dentro da casa. No caso de saírem para a rua já não nos responsabilizamos por eles; mas juramos que seja quem for que estiver dentro da casa não será morto nem ferido. E além disso, se nos traires é evidente que o nosso juramento também não nos obrigará a coisa nenhuma.
21-23 Aceito essas condições, replicou ela. E deixou o fio cor de escarlate pendurado na janela. Os espias dirigiram-se para as montanhas e por lá ficaram três dias, até que aquela gente que tinha ido no seu encalço tivessem voltado para a cidade depois de os terem procurado em vão ao longo do caminho até ao Jordão. Só então os dois espias desceram das montanhas, atravessaram o Jordão e puderam enfim relatar a Josué o que lhes tinha acontecido.

A conquista de Jericó

13 Numa ocasião em que Josué estava perto da cidade de Jericó apareceu-lhe um homem junto dele com uma espada desembainhada. Josué avançou para ele e perguntou: És amigo ou inimigo?
14 Sou o comandante do exército do Senhor. Josué caiu por terra perante ele, adorou-o e disse-lhe: Dá-me as tuas ordens.
15 Descalça-te porque este solo é santo. E Josué obedeceu.
 Os portais de Jericó eram mantidos hermeticamente fechados, pois que o povo ali estava cheio de medo dos israelitas; não deixavam ninguém entrar nem sair.
2-5 Mas o Senhor disse a Josué: Jericó, o seu rei e todos os seus valentes guerreiros encontram-se praticamente derrotados, porque já os entreguei nas vossas mãos. O vosso exército, com todos os seus efectivos, deverá rodear a cidade uma vez por dia durante seis dias, seguidos por sete sacerdotes que levarão a arca, e cada um deles com uma trombeta feita de chifre de carneiro. No sétimo dia darão a volta à cidade sete vezes, com os sacerdotes tocando as trombetas. E então, quando eles soprarem um longo e alto toque, todo o povo deverá gritar com muita força. Nessa altura as muralhas da cidade cairão e poderão lá entrar por todos os lados.
6-9 Assim Josué convocou os sacerdotes e deu-lhes instruções: os homens armados conduziriam o cortejo, seguidos de sete sacerdotes soprando continuamente as trombetas. Atrás deles deveriam vir os sacerdotes transportando a arca; fechando o cortejo, à retaguarda, seguia um contingente.
10 Ninguém falará, nem dirá nada; só se ouvirão as trombetas a tocar, mandou Josué. Não dirão sequer uma palavra até que vos diga para gritarem; então gritem!
11-14 A arca rodeou a cidade uma vez nesse dia, depois do que toda a gente regressou ao acampamento para passarem a noite. Ao amanhecer do dia seguinte foram de novo rodear a cidade e voltaram para o acampamento. Fizeram isso durante seis dias.
15-16 Na manhã do sétimo dia fizeram o mesmo, para começar; mas desta vez rodearam a cidade não uma, mas sete vezes. À sétima vez, quando os sacerdotes tocaram um som alto e muito longo com as trombetas, Josué bradou para o povo, Gritem! O Senhor deu-nos a cidade!
17-19 (Anteriormente ele tinha-lhes dito: Matem toda a gente, com excepção de Raabe, a meretriz, e de todos os que estiverem na sua casa, pois que protegeu os nossos espias. Não fiquem com coisa nenhuma do saque – tudo deverá ser destruído. Se assim não fizerem, cairá a desgraça sobre a nação de Israel. No entanto, a prata e ouro, os utensílios de bronze e de ferro, tudo isso será consagrado ao Senhor e deverá ser levado para o tesouro do santuário.)
20-21 Assim, quando o povo ouviu o toque das trombetas, gritaram tão alto quanto podiam. E repentinamente as muralhas de Jericó ruíram, cairam na sua frente; o povo de Israel irrompeu sobre elas, penetrando na cidade por todos os lados e conquistou-a. Destruíram tudo -homens e mulheres, novos e velhos; bois, cordeiros, jumentos- tudo.
22 Josué disse aos dois espias, Mantenham a vossa palavra, quanto à promessa que fizeram. Recolham a meretriz e os que estão com ela.
23-24 Os homens foram e trouxeram-na, a ela e ao pai, à mãe, aos irmãos e outros parentes que lá se encontravam. E deixaram-nos ficar a viver fora do acampamento de Israel. Os israelitas queimaram a cidade e tudo o que lá havia, com excepção da prata, do ouro, dos utensílios de bronze e de ferro que foram levados para o tesouro do Senhor.
25 Josué salvou pois Raabe, a meretriz, mais os seus parentes que estavam com ela dentro de casa, e vivem ainda hoje entre os israelitas, pois que ela escondeu os espias que Josué mandara a Jericó.
26 Então Josué declarou uma maldição sobre quem viesse a reconstruir Jericó,advertindo de que quando os seus fundamentos fossem repostos, o filho mais velho do construtor haveria de morrer, e quando as suas portas fossem montadas, seria o filho mais novo desse alguém que morreria.

I Reis 16:29-34
No ano trinta e oito do reinado de Asa em Judá, Acabe, filho de Onri, se tornou rei de Israel e governou vinte e dois anos em Samaria.
Ele pecou contra o SENHOR Deus mais do que qualquer um dos que haviam sido reis antes dele.
Não se contentando em pecar como o rei Jeroboão, Acabe fez pior e casou com Jezabel, filha de Etbaal, rei de Sidom, e adorou o deus Baal.
Acabe construiu um templo para Baal em Samaria, fez para ele um altar e o colocou no templo.
Levantou também um poste-ídolo e assim fez mais coisas para deixar o SENHOR Deus irado do que todos os reis de Israel haviam feito antes dele.

Durante o reinado de Acabe, Hiel, que era de Betel, reconstruiu a cidade de Jericó. E, como o SENHOR tinha dito por meio de Josué, filho de Num, Hiel perdeu Abirão, o seu filho mais velho, quando colocou os alicerces de Jericó, e perdeu Segube, o seu filho mais novo, quando colocou os portões.




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Jericó era uma cidade fortaleza da antiguidade que ficava próxima ao Jordão á 24 km de Jerusalém. Ela é tão antiga como as mais antigas civilizações, e a primeira grande fortaleza da terra de Canaã. Moisés realizou uma campanha militar  na planície de Moabe próxima a cidade e de lá os seus moradores puderam presenciar sua derrota. Dois poderosos reinos com as mais avançadas armas de guerra foram derrotados a cerca de 5 anos antes na mesma campina.
Na medida que o povo de Israel se aproximava de Canaã havia um temor crescente dos povos que ali habitavam, era-lhes notório o que acontecera ao Egito, considerados por todos a maior potencia bélica de sua época. O Egito era-lhes maior culturalmente, seja a nível de engenharia, medicina, matemática ou mesmo de divindades. A magia do Egito era de conhecimento mundial, Se algum monarca merecia um titulo divino certamente seriam os faraós que o receberiam. Nenhuma construção de sua época rivalizava com as construções do Egito, um Egito arruinado, destruído após as pragas que lhe devastaram e após a luta contra o poder que protegia a Israel. O milagre do mar vermelho era de conhecimento de toda a mesopotâmia, partes da áfrica e até da Ásia. Por centenas de vezes em cerca de quarenta anos de peregrinação no deserto os habitantes de Jericó veriam acesa nas noites do deserto um gigantesco redemoinho de fogo que iluminava por toda a madrugada, no meio do acampamento israelita.
Até que o exército israelita acampou diante da cidadela.
Por milhares de anos tentaram tomar de assalto a cidadela, sem êxito. Dois muros a rodeavam um com 4 e o outro com 5 metrosde espessura. Suas muralhas eram tão espessas que havia casas com três andares sobre elas.
Não nos é explicado a origem da cidade, ou o tipo de culto ali exercido, ou a etnia do povo ali estabelecido. O que quer que faziam era algo extraordinariamente maligno.  Podemos deduzir pelas práticas de culto da antiguidade que o que faziam eram rituais macabros. Tão macabros que a cidade foi  considerada amaldiçoada. Tão amaldiçoada que a ordem divina solicitava sua completa destruição.
As escavações da cidade trazem luz sobre suas crenças primordiais, sua herança religiosa e cultural. Tumbas egípcias e escaravelhos sagrados. Jericó era em tempos idos um pedaço do Egito em plena terra de Canaã, uma embaixada talvez. Nela se realizavam mumificações, nela eram adoradas  divindades egípcias.  

Cidade de jericó. Uma das mais antigas cidades do mundo continuadamente habitada.

História. Tempos antigos:



Acredita-se que Jericó seja uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo, com evidência de assentamentos datados de antes de 9000 a.C, provendo informações importantes sobre antigas habitações humanas no Oriente Próximo. O primeiro assentamento permanente foi construído próximo o Ein as-Sultan, entre 8000 e 7000 a.C. por um povo desconhecido, e consistiu de um certo número de muros, um santuário e uma torre de sete metros de altura com uma escadaria interna. Após alguns séculos, foi abandonado para um segundo assentamento, estabelecido em 6800 a.C, talvez pela invasão de um povo que absorveu os habitantes originais para dentro de sua cultura dominante. Artefatos datados desse período incluem dez crânios, engessados e pintados como para reconstituir as feituras individuais. Isso representa o primeiro exemplo de retrato na Arte Histórica, estes crânios foram preservados em casas populares enquanto os corpos ficaram apodrecendo. Este foi seguido por uma sucessão de assentamentos de 4500 a.C. adiante, o maior destes foi construído em 2600 a.C. Evidências arqueológicas indicam que na metade final do Bronze Médio (c.e 1700 a.C), a cidade desfrutou alguma prosperidade, seus muros tinham sido reforçados e expandidos. A cidade canaanita (Jericho City IV) foi destruída c.e 1550 a.C, e o sítio remanescente ficaram desabitados até que a cidade fosse refundada no século IX a.C. No século VIII a.C, os assírios invadiram pelo norte, seguidos pelos babilônios, e Jericó ficou despovoada entre 586 e 538 a.C, o período do exílio babilônico. Ciro o Grande, rei persa, refundou a cidade, a um quilômetro e meio, a sudeste do seu sítio histórico, o monte do Tell es-Sultan, e retornando os judeus exilados após a conquista da Babilônia em 539 a.C. 

Antiguidade Clássica.

Remanescentes do palácio de Herodes.
Jericó foi desde o início um centro administrativo sob domínio persa, serviu como um estado particular Alexandre o Grande cerca de 340 a 323 a.C. após a conquista da região. Em meados do século II a.C., Jericó ficou sob domínio helenista, o general sírio Báquides construiu alguns fortes para fortalecer as defesas da área ao redor de Jericó contra a invasão dos macabeus (1 Mac 9:50). Um dos seus fortes, construído na entrada do Wadi Qelt, foi posteriormente refortificado por Herodes, o Grande, que o nomeou de Kypros, em homenagem a sua mãe.
Heródes inicialmente arrendou Jericó de Cleópatra depois de Marco Antônio tê-la dado a ela como um presente. Após seu suicídio coletivo em 30 a.C, Otaviano assumiu o controle do império romano e deixou Heródes reinando sobre Jericó. Heródes supervisionou a construção do hipódromo-teatro (Tel es-Samrat) para divertir seus convidados e novos aquedutos para irrigação da área abaixo dos precipícios e próximo do seu palácio de inverno construído no sítio de Tulul al-Alaiq.
O assassinato dramático de Aristóbulo III em uma piscina de Jericó, como dito pelo historiador Josefo, durante um banquete organizado por Herodes. A cidade, desde a construção de seus palácios, não funcionou apenas como um centro agrícola e nem como um cruzamento, mas como uma estação de inverno à aristocracia de Jerusalém.
Herodes foi sucedido pelo seu filho, Arquelau, o qual construiu uma vila adjacente a Jericó em seu nome, Archelais, casa de operários da sua plantação (Khirbet al-Beiyudat). No século I Jericó é descrita na Geografia de Estrabão:
“Jericó é como uma planície cercada por um tipo de zona montanhosa, a qual em um caminho,encontra-se como um teatro. Aqui está a Fenícia, a qual é diferenciada também com todos os tipos de cultivos e árvores frutíferas, ainda que compõe-se sobre tudo de palmeiras. Tem cem estádios de comprimento e é em toda parte abastecida com riachos. Aqui também estão o Palácio e o Parque do Bálsamo”.
As tumbas cortadas na rocha de um cemitério da era herodiana e hasmoneana jazem na parte baixa do penhasco entre Nuseib al-Aweishireh e Jebel Quruntul em Jericó e foram usados entre 100 a.C.e 68 d.C.
A Bíblia declara que Jesus passou por Jericó, curou dois cegos e a conversão de um coletor de impostos local de nome Zaqueu. Após a queda de Jerusalém pelo exército de Vespasiano em 70 d.C., Jericó declinou rapidamente, e pelo ano 100 d.C. a cidade foi uma pequena guarnição romana. Pouco tempo depois disso, construíram sobre a área da cidade que foi abandonada, e uma Jericó bizantina, Ericha, foi construída a um quilômetro e meio à leste, ao redor da qual a cidade moderna está centrada. O cristianismo pegou na cidade durante a era bizantina e a área foi grandemente populosa. Um número de monastérios e igrejas foi construído, incluindo São Jorge de Koziba em 340 d.C. e uma cúpula de igreja foi dedicada para Eliseu. Umas duas sinagogas foram construídas no século VI. Os monastérios foram abandonados após a invasão persa de 614.
Período do Califado árabe
Um mosaico árabe omíada de Khirbat al-Mafjar em Jericó.
Por volta de 661, Jericó estava sobre o domíno da dinastia omíada. O décimo califa da dinastia, Hisham ibn Abd al-Malik, construíu um complexo palacial conhecido como Khirbet al-Mafjar cerca de um quilômetro e meio a norte do Tell as-Sultan em 743, duas mesquitas, um pátio, mosaicos, e outros items que podem ser vistos hoje in situ, apesar de terem sido parcialmente destruídos no terremoto de 747.
O domínio omíada terminou em 750 e foi seguido pelos califados árabes das dinastias abássidas e fatímida. A agricultura irrigada foi desenvolvida sobre o domínio islâmico, reafirmando Jericó a reputação de uma fértil “Cidade das Palmeiras”. Al-Maqdisi, o geógrafo árabe, escreveu em 985 que, “a água de Jericó é considerada a maior e melhora em todo o Islã. Bananas são abundantes, também flores de fragrância aromática.”

A cidade prosperou desde 1071 até a invasão dos turcos seljúcidas, seguido pelo transtorno dos cruzados. Em 1179, os cruzados reconstruíram o Mosteiro de São Jorge de Koziba, no lugar original, a nove quilômetros do centro da cidade. Eles também construíram outras duas igrejas e um monastério dedicado a João Batista e são reconhecidos como introdutores da produção de cana-de-açúcar na cidade. Em 1187, os crusados foram expulsos pelas forças aiúbidas de Saladino após sua vitória na Batalha de Hattin, e a cidade lentamente foi ao declínio. Em 1226, o geógrafo árabe Yaqut al-Hamawi falou de Jericó: “muitas palmeiras, também cana-de-açúcar em quantidade, e bananas. O melhor de todo o açúcar na terra de Ghaur é feito aqui.” No século XIV, Abu al-Fida escreveu que em Jericó estão minas de enxofre, “a única na Palestina.”
Período Otomano (1517-1918)
Antigo cartão  postal de Jericó no final do século XIX ou início do XX.

Nos primeiros anos do domínio Otomano, Jericó fez parte do waqf e do emirado de Jerusalém. Os aldeões transformaram índigo em uma fonte de renda, usando um caldeirão especial para esse propósito, que foi emprestado pelas autoridades otomanas em Jerusalém. Durante a maior parte do período Otomano, Jericó foi uma pequena vila de agricultores suscetíveis a ataques de beduínos. No século XIX, estudiosos europeus, arqueólogos e missionários visitaram-na freqüentemente. A primeira escavação arqueológica no Tell as-Sultan foi realizada em 1867, e os monastérios de São Jorge de Koziba e João Batista foram refundados e concluídos em 1901 e 1904, respectivamente.


ARQUEOLOGIA DA CIDADE DE JERICÓ

JERICÓ DO TEMPO DE JOSUÉ

Uma cidade importante situada no vale do Jordão (Dt 34.1-3), no lado ocidental, perto do mar Morto e ao sopé das montanhas que dão acesso à planície de Judá. Era conhecida pelo nome de Cidade das Palmeiras (Jz 3.13). A primeira menção que se faz nas Escrituras é quando os israelitas se acomodaram nas planícies de Moabe, do outro lado do Jordão (Nm 22.1; 26.3). Era uma cidade bem fortificada e dominava o vale do Jordão e as passagens para as montanhas do oeste, portanto sua conquista se tornava essencial ao avanço dos israelitas para conquistar Canaã.


Jericó, cidade da orla oriental de Gor, à distancia de 10 quilômetros do rio Jordão. Foi a primeira cidade conquistada pelos israelitas sob o comando de Josué.

Depois da queda dos muros foi pronunciada uma maldição sobre aquele que tentasse reedificar Jericó E naquele tempo, Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó: perdendo o seu primogênito, a fundará, e sobre o seu filho mais novo lhe porá as portas” (Js 6.26).

A maldição caiu quinhentos anos mais tarde sobre Hiel, de Betel 
durante seu reinado, Hiel de Betel, reconstruiu Jericó. Lançou os alicerces à custa da vida de seu filho mais velho, Abirão, e instalou as suas portas à custa da vida do seu filho mais novo, Segube, de acordo com a palavra que o Senhor tinha falado por meio de Josué filho de Num”. (I Rs 16.34).

Foi em Jericó estabelecida uma escola de profetas, sendo visitada por Elias e Eliseu (2Rs 2.4-18). A cidade foi tomada pelos caldeus (2Rs 25.5), mas repovoada depois da volta do cativeiro babilônico (Ed 2.34).

ARQUEOLOGIA DE JERICÓ
Jericó é agora um montículo de três hectares chamado de Tell es-Sultão, localizado ao lado de abundante manancial conhecido como Fonte de Eliseu.

O montículo foi escavado por Charles Warren (1868), Ernest Sellin (1907-1911), Jonh Garstang (1929-1936) e a senhorita Kathleen Kenyon (1952-1958).

O primeiro escavador concentrou sua atenção apenas no montículo, enquanto o segundo realizou descobertas suficientes para despertar um grande interesse geral. Mais tarde Jonh Garstang desenterrou partes de quatro cidades que tinham existido sucessivamente no lugar desde o ano de 3000 a.C. Ao escavar até a base do montículo encontrou vestígios de civilizações da antiguidade extraordinária, as mais antigas que se tem encontrado na Palestina.

O quarto nível de ocupação, o qual Gastang denominou “cidade D”, adquiriu uma importância primordial para os estudiosos e historiadores da Bíblia, assim como para os arqueólogos, os quais discutiam frequentemente sobre a data do êxodo israelita do Egito e sua subsequente entrada na Palestina. Os eruditos discordavam em dois séculos ou mais em seus cálculos ao datar esse acontecimento. Jericó era o lugar onde a dúvida podia ser estudada mais a fundo. Este quarto nível de ocupação parecia ser a cidade que Josué havia tomado, e os escavadores procederam com muito cuidado.

Dois muros de nove metros de altura, que corriam quase paralelos rodeavam o cume do monte. Estes muros foram construídos de ladrilhos secados ao sol, de uns dez centímetros de espessura, e de uma extensão de 60 a 90 centímetros. O muro interior tem uma espessura de 3,4 a 3,7 metros, e foi construído sobre alicerces de um muro anterior. O último muro anterior tem mais ou menos 1,82 metros de espessura, e está na borda do montículo. O espaço entre os dois muros varia entre quatro a oito metros, e os muros se encontram unidos em intervalos periódicos por paredes de ladrilho.

Nas imediações do montículo da antiga cidade foi descoberto um cemitério. Garstang abriu um grande número de tumbas das quais extraiu muitas vasilhas de cerâmica, uma considerável quantidade de joias e uns 170 escaravelhos sagrados. Nessas tumbas Garstang achou peças de alvenaria dos períodos recente, Médio e tardio da Idade do Bronze, mas só foram encontrados uns poucos fragmentos de vasilhas micênicas, que começaram a ser importadas em torno de 1400 a.C. Os *escaravelhos sagrados egípcios podem ser datados com exatidão, já que mencionam vários faraós em seus nomes, e representam cada um deles. Um escaravelho sagrado apresenta o nome da rainha Hat-shep-sut e de Tutmósis III; outro menciona o nome de Amenhotep II, que está representado como um arqueiro, e isto coincide com os registros de sua tumba no Egito. A série de escaravelhos sagrados datados finaliza com dois selos reais de Amenhotep III, que reinou desde 1413 até 1376 a.C. Nenhuma outra coisa nas tumbas indica datas posteriores.

Ao regressar ao montículo da cidade, Garstang comparou detidamente os fragmentos de cerâmica com os que haviam sido descobertos nas tumbas, e descobriu que alguns deles correspondiam a Idade do Bronze tardia. Depois de examinar quase 100.000 pedaços de cerâmica, 1.500 vasilhas intactas, assim como 80 escaravelhos intactos, os muros caídos e outros tipos de evidencia, Garstang não hesitou em datar a cidade em torno de 1400 a.C., identificando-a como a cidade Cananéia de Jericó, que caiu nas mãos dos israelitas comandados por Josué. Os restos carbonizados que se encontravam em todas as partes eram para Garstang uma confirmação do registro bíblico, “a cidade e tudo o que nela havia queimaram-no no fogo” (Js 6.24), e os muros caídos foram uma confirmação de como os israelitas caminharam “em frente de si e a tomaram” (Js 6.20).

Desejando ser o mais cuidadoso possível, e agindo como um verdadeiro cientista, Garstang consultou três dos principais arqueólogos e especialistas em alvenaria em toda a Palestina: Pere Vincent, Clarence S. Fischer e Alan Rowe. Quando essas autoridades examinaram detidamente e em separado a cerâmica, as ruínas carbonizadas e os muros caídos assinaram declarações junto com Gastang confirmando a data de 1400 a.C. esta data concorda com a cronologia que aparece em I Reis 6.1.

O reinado de Salomão começou provavelmente em torno de 961 a.C. Se esta data é correta, o quarto ano de seu reinado seria aproximadamente o ano de 957. Somando-se 480 anos, 1437 é a data mais provável da saída dos israelitas do Egito. Se levarmos em conta os 40 anos que os israelitas passaram errantes no deserto, chegamos a data de 1397 a.C. para a destruição de Jericó; e isto está claramente dentro dos limites dos estudos de Garstang.

Todavia, estas descobertas e as interpretações que se lhes tem dado não satisfazem a alguns pesquisadores, porque eles não podiam encontrar lugar em suas mentes para uma Jericó que se ajustasse tanto ao registro bíblico. Durante quase dois decênios houve constante oposição às conclusões de Garstang, e foram exercidas pressões para que se reexaminasse Jericó.

Este desejo foi satisfeito no principio de 1952, quando uma expedição conjunta da Escola Britânica de Arqueologia, o Fundo de Exploração da Palestina, as Escolas Americanas de Investigação Oriental e o Departamento de Antiguidades do Jordão, começaram a escavar novamente em Jericó, sob a direção da senhorita Kathleen Kenyon. O trabalho foi realizado com diligencia pelo espaço de cinco temporadas, durante as quais escavaram fossos até o leito rochoso em seis lugares diferentes do montículo. Em um destes, um empreendimento próximo ao extremo norte oriental foram encontrados restos da primeira ocupação de Jericó.

Durante uma escavação posterior, a senhorita Kathleen Kenyon informou que havia encontrado os fragmentos e a base de um muro de aproximadamente um metro quadrado de piso intacto, os restos de um edifício denominado “edifício médio”, um forno e um pequeno jarro; tudo isso pertencente a Idade do Bronze tardia (1500-1200 a.C.). Ao falar sobre esses restos a senhorita Kenyon disse: “Pelo menos demonstram que existiu uma povoação nesse período. Data do século 14 a.C., e concorda muito bem com as descobertas realizadas nas tumbas e datadas com mais precisão pelo professor Garstang. Parece-nos que a evidencia demonstra que o pequeno fragmento de edifício que encontramos é parte de uma cozinha de uma mulher Cananéia”.

A JERICÓ DO NOVO TESTAMENTO
Em 10 de fevereiro de 1950, o doutor James L. Kelson e seus associados iniciaram a escavação da Jericó do Novo Testamento. Encontraram a capital invernal de Herodes, o Grande, a cidadela, o hipódromo, a piscina, as fontes, os jardins, as quintas e as ruínas de outras edificações que haviam sido construídas com pedras de cantaria [esquadrejadas] caracteristicamente herodiana, com o suave calado marginal nos quatro costados. O número de quintas diminui na direção leste, e um pouco mais além vê-se a Jericó moderna, a que o doutor Kelson pensou que poderia estar sobre as extensões dos setores mais pobres da Jericó do Novo Testamento.

A Jericó do tempo de Jesus era a segunda cidade da Judéia. Foi ali que Jesus curou o cego Bartimeu, e que Zaqueu recebeu a visita do Salvador em sua casa.

Por algum tempo Jericó fez parte da propriedade de Cleópatra, que foi dada por Antonio, sendo depois arrendada por Herodes, o Grande, que ali construiu muitos palácios e edifícios públicos. Foi destruída pelos romanos por volta do ano de 230 d.C.

*AS CRENÇAS SOBRE O ESCARAVELHO
Da família dos Lamelicór-neos, este tipo de besouro possuía algumas características sui generis: a fêmea punha seus ovos em pedaços de excremento, que eram acondicionados em buracos feitos na terra. As larvas que nasciam disso se alimentavam da matéria pútida e desenvolviam-se.

Do ritual da mumificação fazia parte retirar o coração do morto e substituir por um amuleto na forma de um desses bichos. Assim como ele era capaz de nascer da matéria putrefata, ajudaria o defunto a renascer e devido à sua íntima relação com o sol, poderiam auxiliar a jornada do desencarnado ao lado de “Rá”, o deus Sol. O astro-rei portava os germes da vida, como a bola de excrementos e o ato de rolá-la para o buraco, guardava o significado do nascente e do poente. No amuleto lia-se a inscrição: Sou Thoth, inventor e fundador das curas e das terras; vem a mim, ó tu que estás debaixo da terra, levanta-te, ó grande espírito.




Fontes:
Bíblia Thompson – Editora Vida
Dicionário Bíblico – Editora Didática Paulista
Novo Dicionário da Bíblia – John Davis – Editora Hagnos

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