A Guerra de Krillin


    A guerra de Krillin

    (Revisado pela Jessica)

    Geralmente cágados são criaturas mal-humoradas. Convivo com um desses seres desde que minha filha avistou uma inocente “tartaruguinha” exposta numa caixa de papelão numa feira-livre, há doze anos. Eu moro num pequeno apartamento no subúrbio, onde em determinado momento, após a onda dos hamsters, do cocker spaniel com graves problemas psicológicos que não conseguia andar sem destruir metade do que encostava − e que morderia a própria sombra se ela tivesse mais que duas dimensões − estabilizamos a cota da fauna local em dois shih-tzus e o cágado rabugento. Para sua infelicidade o cágado foi batizado quando o anime japonês da série Dragon Ball estava no auge. Chamaram-no de Krillin, em homenagem ao careca baixinho amigo do Goku.
    O primeiro shih-tzu chegou na minha casa há uns oito anos. O segundo, há cerca de um ano e meio. Por alguma ordem cósmica subjacente a realidade metafísica, o primeiro cachorro é um exemplo de docilidade e gentileza. Um príncipe dentre os shih-tzus. O segundo, no entanto, uma cadela, a quinta-essência da infernalidade. Irriquieta, bagunceira, atroz perseguidora de pombos, lutadora exímia que treina continuamente seus golpes de Krav-Shih-tzu com o coitado do Spaik, o príncipe, e sobretudo, inimiga mortal do rabugento cágado.
    Não sei exatamente quem deu inicio a guerra; Guerra que já se prolonga há um ano e meio. Talvez tenha se iniciado depois da incorrigível cadelinha ter tentado arrancar pela enésima vez a cabeça do primeiro animal de estimação habitante do pequeno apartamento, ou tenha acontecido após o Krillin ter empurrado a cadela dormindo numa de suas indesviáveis rotas no interior do apartamento. Existem, na realidade, estradas ou pistas invisíveis no chão do apartamento, rotas pelas quais o cágado realiza suas incursões diárias para roubar a comida dos cachorros e beber sua água, além de arrastar cadeiras e necessariamente derrubar o violão; talvez, por uma vocação musical incompreendida, ou porque acha divertido, pelo menos nas 123 vezes que o instrumento foi tombado pelo chão. Inclusive, se ele vir o violão em pé em qualquer posição dentro do apartamento é para o infeliz que se dirigirá com o fim de derrubá-lo.
    O estressado animal iniciou uma campanha solitária pela expulsão da cadelinha: tem olvidado esforços consideráveis em irritá-la. A questão principal nessa cruzada pessoal – nós– os demais habitantes do apartamento, sofremos arrabalde. Com o desenvolvimento de suas sinistras táticas de guerra o carapacento animal aprendeu a desligar ventiladores puxando-os da tomada. E num momento de genialidade, desconfiando do tempo que ficávamos diante dos monitores dos computadores na sala − a suprema ofensa − aprendeu, criatura autodidata, a desligar o provedor da internet desconectando o fio que liga o modem á rede telefônica. Não satisfeito, aprendeu a desligar após, também, o computador.
    Sim. Já imaginamos qual seria o gosto da sopa de tartaruga ou em usar a carapaça do animal para construção de um exótico bandolim, mas votamos pela pena de prisão domiciliar. Quando ficamos cansados de ouvir suas patinhas arrastando no chão tentando mover o sofá encostado na parede, contra a parede, colocamo-la no box do banheiro e fechamos a porta. Infelizmente os recursos ilimitados dessa criatura mutante foram, incompreensivelmente, subestimados. Já deveríamos estar acostumados.
    O cágado aprendeu a abrir a porta do Box.
    E a guerra de Krillin continua…

    Welington J F

    Generally turtles are moody creatures. I live with one of these beings since my daughter saw an innocent “turtle” exposed in a cardboard box in a fair free-twelve years ago. I live in a small apartment in the suburb. At some point after wave of hamsters, and cocker spaniel that we possess, with serious psychological problems which could not walk without destroying half of who touched – he would bite his own shadow if she had more than two dimensions – after these phases stabilized the share of the local wildlife in:
    – Two shih-tzus and one tortoise grumpy.

    To his misfortune, the tortoise was baptized when the Japanese anime series Dragon Ball was in full swing.
    Krillin called it, in honor of the bald man who was a friend of Goku.
    The first shih-tzu arrived at my house about eight years ago. The second, about a year and a half.
    For some cosmic order underlying metaphysical reality, the first dog is an example of gentleness and kindness. A prince among shih-tzus. The second, however, a bitch, the quintessence of infernalidade. Irriquieta, messy, horrific stalker pigeons, excels fighter who trains continuously blows his Krav-Shih-tzu with poor old Spaik,  and above all,   her is the mortal enemy of the cantankerous turtle.

    I do not know exactly who has initiated war; war that has been going on for a year and a half. Maybe it started after the incorrigible puppy have tried booting the umpteenth time the head of the first pet small apartment dweller, or happened after Krillin have pushed the dog sleeping in his undeviating routes inside the apartment. There are actually invisible roads or tracks on the floor of the apartment, routes by which the tortoise makes its daily incursions to steal the food of dogs and drink their water, and dragging chairs and necessarily bring down the guitar, perhaps a musical vocation misunderstood, or because the turtle thinks that is funny, at least in the 123 times in the instrument was projected by the ground.

    If the turtle see the guitar anywhere in the apartment is for  unfortunate guitar that will address in order to overthrow him.

    The stressed animal began lonely campaign for the expulsion of the  little puppy:
    has made considerable efforts to annoy her.

    The main issue in this personal crusade – we-the other inhabitants of the apartment,

    With the development of their sinister war tactics, the animal learned to pulling the eletronic equipments for disconnect.

    And in a moment of genius, distrusting the time that we were in front of computer monitors in the room – learned the supreme offense –
    the creature autodidact learned to disconnect the Internet provider, disconnecting the wire that connects the modem to the telephone network.
    Not satisfied, he also learned to turn off the computer too.

    Yes.
     Now imagine sometimes what would be like the turtle soup or use the carapace of the animal to build an exotic mandolin.
    However we voted for imprisonment.
    When we get tired of hearing their paws dragging on the ground,
     trying to move the couch in the wall – against the wall,
    put her in the bathroom and closed the door.
    Unfortunately the unlimited resources of this mutant creature were incomprehensibly underrated.
    Should already be accustomed.
    The tortoise learned to open the bathroom door.
    And the war continues Krillin …

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