Teri Meri Kahani e as viuvas na India

VIUVAS DA ÍNDIA 

 

 

No passado, ao se tornar-se viúva, a mulher indiana tinha seu cabelo raspado, perde todas suas roupas e é vestida com um sari branco, que será sua única veste, para diferenciá-la, afinal, ela agora é uma pária, “impura” e não pode ter contato com outras mulheres e crianças. Levada a uma casa de viúvas hindu, onde deve viver o resto dos seus dias em penitência.
ainda hoje, em muitas lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela.
Ainda hoje, em muitos lugares da India, a viúva é vista como um peso e como uma mulher sexualmente perigosa. A família do noivo quer vê-la distante, para poder tomar as propriedades do seu marido, e não tem interesse em assumir a responsabilidade de sustentá-la. Sua própria família, após o seu casamento, sente-se livre de qualquer responsabilidade em relação a ela. Por todo preconceito e superstições que cercam uma mulher viúva, ela também não consegue trabalho para se sustentar e acaba tendo mesmo que viver nessas Casas de Viúvas (prédios centénários, caindo aos pedaços), por toda vida. Para se “purificar”, precisa abandonar qualquer vínculo com prazer e viver em sofrimento. Dorme no chão, repete canções e orações seis horas por dia, e não pode, sequer, comer frituras, consideradas alimentos “quentes”. Estima-se que existam 20 mil viúvas, mendigando, apenas à beira do rio Ganges.
Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade. Enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos.
Apesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.
Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.
Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.
“Sem um homem ao seu lado, uma mulher não tem respeito na sociedade indiana. Isso é parte da cultura patriarcal”, afirma uma militante do movimento de mulheres.
Parece incrível, mas isso tudo continua acontecendo hoje.
(Filme WATER  mostra essa situação – trilogia política da cineasta Deepa Mehta – sobre a vida das viúvas na índia – é uma história muito bem contada e extremamente comovente). (Por Denise Arcoverde) http://sindromedeestocolmo.com/archives/2006/06/as_viuvas_na_in.html/
VIÚVAS QUEIMADAS  
Caso das viúvas queimadas nas piras de madeira onde ardiam os maridos defuntos.
Outrora, no momento em que queimavam os seus maridos, elas lançavam-se, vivas, à mesma pira fúnebre, para morrer também. Os Ingleses proibiram o costume absurdo. Mas, no interior da Índia surge, de quando em quando, quem o pratique apesar de tudo. Ainda há poucos dias se deu, nos arredores de Calcutá, ruidosa tentativa de incineração ilegal. Uma viúva atirou-se sobre a fogueira, depois arrependeu-se e, ao procurar libertar-se, erguendo-se sobre as achas em chamas, os indivíduos que assistiam começaram a espancá-la – porque a súbita renúncia à morte era obra de espíritos malignos…”Continua o horrorizado e…:
– “Mulher que, na Índia, enviuvou, viúva queda para toda a vida. A faltas por ela praticadas na encarnação anterior se debita a morte do marido e jamais algum homem a quererá para companheira. Ela não poderá tomar parte, sequer, nas festas familiares, nem transitar nas ruas, porque o seu encontro é considerado mau prenúncio. Repudiadas, proscritas da coletividade, as viúvas devem meter-se, até à morte, na sua cabana ou refugiar-se em monastérios do gênero deste que estamos vendo. Pelo censo de 1931, verificou-se haver, na Índia, 26.248.500 mulheres que viviam assim. Como os casamentos são contratados entre os pais dos nubentes, quando a maioria deles se encontra ainda no período infantil, e como muitos dos maridos morrem antes de as esposas atingirem a puberdade, que é o momento da efetivação carnal, em 1939 existiam na Índia cerca de trinta e seis mil viúvas com menos de cinco anos de idade; cento e trinta e seis mil com menos de dez anos de idade; trezentas e vinte e uma mil com menos de quinze anos e oitocentas e cinquenta e quatro mil com menos de vinte anos! Aquelas crianças jamais poderão volver a casar; desde o princípio da sua vida o amor foi-lhes sempre proibido. Para as outras viúvas, o ato de se queimarem vivas, com os seus maridos, não constituía apenas um tributo aos deuses; era, também, a fuga à sorte trágica que as esperaria se elas continuassem a viver.”
Resumo do Jornal Primeiro de janeiro em 25/09/2006 http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=48849.0
No espetacular filme Teri Meri Kahani veremos um ato extraordinário em que um Muçulmano toma para si como esposa uma viuva indiana.


Existem mensagens profundas nos filmes indianos, que contrariam suas práticas milenares, que vão de encontro a todo tipo de tradição que diminua, agrida ou destrua a máxima de amor ao próximo. Trancendendo a India castigada por visões distorcidas sobre as relações humanas, fruto de doutrinas malignas, fruto da adoção de práticas malditas e amaldiçoantes,  fruto de antigas religiões ou superstições que contrastam até contra os ideiais de  justiça de seus próprios livros sagrados, em busca de um India verdadeira, íntegra, amorosa, plena de vida. 
Há uma India sonhada, imaginada, há uma declaração manifesta nas danças, nos canticos, no amor que gritam frases dos salmos bíblicos, que sonham o cumprimento das palavras de profetas verdadeiros, dentro dos filmes indianos.
Quando lemos revelações divinas sobre esses sonhos indianos, revelações contidas nas Escrituras dadas aos profetas da antiguidade lemos que Moisés relatava que Deus exerceria plena justiça ao orfão e a viuva.
Ele faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, ao qual dá alimento e vestuário. (Deuteronômio 10,18)
Nas festas do povo de Israel ordenadas para celebração da vida com Deus, a participação e integração da viuva e do orfão na vida e festejos da comunidade era mandamento divino. 
Alegrar-te-ás em presença do Senhor, teu Deus, com teu filho, tua filha, teu servo e tua serva, o levita que vive em teus muros, assim como o estrangeiro, o órfão e a viúva que vivem no meio de ti, no lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar o seu nome. (Deuteronômio 16,11)
Isso contrastava todas as praticas vigentes. Se insurgia contra tudo que os sacerdotes das antigas religiões pregavam sobre a viuvez. Ia de encontro a todas suas crenças arraigadas. Cerca de 500 anos antes dessa revelação verificamos que  já queimavam viuvas em diversas regiões da mesopotamia. Na narrativa da familia de Jacó, veremos pela primeira vez uma viuva que possui as tradições ancestrais que um dia serão imcorporadas a cultura das nações e povos que originarão a India. Judá, antigo patriarca dos judeus ao saber que sua nora viuva, trajada como tal, engravida, a condena a ser queimada viva. Só não perece porque a pessoa que lhe havia engravidado era o próprio Judá. 

Em uma cena ainda mais antiga, acusadores de Jó, durante sua provação, lançam-lhe em seu rosto fraudulentas acusaões, e entre elas  o fato de que ele não havia cuidado de viuvas.

Despedias as viúvas com as mãos vazias, quebravas os braços dos órfãos. (Jó 22,9)
Jó,  um homem  íntegro, declarava nesses termos absolutos, como mais alta prova de conduta moral,  a sua indelevel integridade:
 A bênção do que estava a perecer vinha sobre mim, e eu dava alegria ao coração da viúva. (Jó 29,13)
E Teri Meri Kahani – o filme –  declarou do mesmo modo o inenarrável amor de Deus pela humanidade, quando Shahid Kapoor encontra seu grande amor em Priyanka Chopra, deixando bem claro que o amor é a soma de todas as coisas, que as antigas revelações e tradições e supertições, que antigos tabus, que as maldições declaradas por sacerdotes do nada,  nada são e nada podem diante do amor verdadeiro.
  
Há uma mentira sociologica, travestida de antropologia, ensinada nos meios academicos.  Uma reinterpretação cultural que afirma em PROSA que cada povo possui seus próprios valores e que o conceito de bem,  de moral, o certo e o errado são reinterpretações culturais. 
Que cada cultura estabelece para si os limites de sua própria moral. E que não temos condição de invalidá-la a luz de nossa própria visão cultural.
Mentira. 
Somente mais uma mentira. Toda prática ritual, cultural, toda situação humana pode ser validada pela 
máxima “amarás a teu próximo como a  ti mesmo” O que a contradisser não possui idoneidade sequer para ser considerada fato cultural. É um cancer, uma deformidade espiritual, é uma visão distorcida de loucura abraçada pelo medo, obrigada por feiticeiros, induzida por homens sem coração,  adicionada pelo ódio, instituida pela força, abrigada pela ignorancia, repetida pela tradição mágica. 
45 milhões de viuvas são atualmente maltratadas na India.como base de uma indigna herança de costumes instituidos por vozes de pessoas mortas a milênios, inspiradas pela violência, pela incapacidade de amar, pelo ódio.
Uma tradição que violenta uma lei sagrada. A Lei eterna que  lhes legou o direito a vida.
Então celebro Teri Meri Kahani, que declara em poesia
O que um dia profetas da antiguidade também o declararam
em poesia.
Pai dos órfãos
Protetor das viúvas, 
Deus 
que habita
num templo 
Santo.
(Salmos 67,6)
Ansiando ao mesmo sonho.
 Welington José Ferreira

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