Casamento

     

O que vocês imaginam estar fazendo? Na equação humana a solidão não é uma opção. Há um desejo nas camadas mais profundas de nossa alma que anseia se apaixonar e viver um grande amor. Nos encontramos separados de nós mesmos ou incompletos de alguma forma se esse tipo de amor não nos completa. É possível viver sem um braço ou sem um dos olhos, é possível viver com um joelho machucado ou caminhar com uma perna imobilizada por um molde de gesso. Mas, não é como estarmos íntegros, plenos dos movimentos. O desejo que nos encaminha,  a paixão cantada como “dor” nas canções de amor indianas, são vozes suplicantes desse encontro, dessa união que fortalece nossos sonhos e reveladora de um mundo impossível de ser vivido sem que tal amor  aconteça. Propôs Deus em seu coração que fosse assim. 
A integração de duas vidas é um processo demorado. E uma vez iniciado não convém que ele pare de ocorrer. São dois seres imperfeitos que caminharão juntos numa estrada dura, num mundo em transformação, algumas vezes extremamente desagradável. O casamento significa esforços em amar em meio a tempestade, em meio ao caos, em meio a crises.  O coração deve teimar em continuar enamorado. Não existe amor sem teimosia, não existe união que permaneça sem luta. A primeira lei do amor é uma integridade absoluta. Lutar para que  a pessoa a quem você abraçou mantenha-se aquecida nos dias de frio, mantenha-se lúcida nos dias de caos,  seja tranqüilizada pela amizade permanente de um desejo inquebrantável de tornar os sonhos possíveis dentro dos recursos que a vida conceder.  A união se fortalece pela dignidade que é fruto do cuidado, das palavras amorosas, da paciência inabalável, do domínio da raiva, da firme convicção de ambos, de que não há futuro nenhum em se golpearem. O milagre da união é invisível. O amor que une um casal opera um mistério. Machucar ao outro é massacrar a si mesmo. Porque ela é reflexo dele e ele dela.  A ausência dói, o desinteresse dói, o afastamento age como as dores causadas por uma enfermidade. O processo da separação é tão doloroso que os casais só conseguem se afastar definitivamente se instigarem ódio ás suas relações, porque sem a raiva a dor seria insuportável.  O ódio age como uma droga que disfarça a dor na separação.  
Um casal deve ter em mente que não haverá um futuro sem chamas,  sem perdas, sem pesadelos.  Sem dores. Mas a força oriunda do amor de um casal que se respeita e que anseia o bem um do outro, que refreia palavras amargas e que se lançam na aventura de desfrutarem um do outro e de amarem ver o olhar brilhante e o sorriso  do outro,   tal força  é incalculável.  Como destruir a amizade do casal que dança na chuva, que  dança na lama, que corre pelas estradas empoeiradas, que se abraça quando vem o vendaval e que caminham de mãos dadas mesmo quando envoltos em vergonha, em humilhação, após a grande derrota sofrida, qualquer que seja ela?
Como se vence quem deseja viver e morrer em favor de alguém? E como se vencerá esses dois que decidiram caminhar juntos,  tendo os dois esse mesmo propósito?
A união significa um voto de compromisso,  que se traduz por  “vou cuidar de você”, acima das paixões, acima dos medos, acima dos erros.  Pela imperfeições da alma e pelas tremendas forças das paixões humanas alguns se ajuntam a outras pessoas,  as vezes sobre forças externas, as vezes debaixo de crises internas. A integridade diz que o corpo do conjugue possui um único dono, um único herdeiro, a que dele tem direito. Por isso a dor imediata da alma e o chamado à fidelidade.  A fidelidade quebrada é um processo usado por alguns para expressar sua angustia, sua raiva, sua frustração. O amor aponta ao coração daquele com quem foi assumido um compromisso.  E nossa alma deseja em meio a tempestade segurar essa mão.  
O amor se rebela contra qualquer situação que interfira na amizade do casal. E exige que a integridade seja refeita. O amor exige reconciliação. Aponta para os votos e exige seus cumprimentos. Os relacionamentos liberais entre casais propostos e vividos por alguns na sociedade contemporânea só agravam a dor, só atrasam o processo, só reforçam aspectos que lutam contra o principio da unidade. Fazem parte,  na verdade,  da tempestade, da chuva e do vendaval.  Há prisões que aprisionam a alma, e a integridade do romance vivido em sua plenitude possui a chave para liberdade.  O amor possui respostas maiores que nós, frutos do propósito para o qual fomos criados.
O que vocês imaginam estar fazendo? Magoando-se todos os dias ao invés de dançarem em meio a chuva, abraçarem-se em meio ao frio e festejarem a chegada de um novo amanhcer…

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