Esdras 6

Uma meditação sobre a Profecia através do Livro de Esdras 

 
Prooooooooooooóologo 
 
 

Todos nós odiamos burocracia. Papéis, autorizações, memorandos, relatórios, contabilidade, formalismos. 

 
Porém, os papéis tomaram tal importância para a humanidade que sequer existimos sem eles. Somos um CPF. Se não temos certidão de nascimento, não existimos para a sociedade. Se não tivermos uma autorização denominada habilitação, não dirigimos. Se não houver um papel denominado Contrato de Trabalho, não somos considerados como empregados, sem outro chamado Atestado de Saúde Ocupacional não somos considerados aptos para continuar trabalhando, sem um atestado de óbito sequer somos considerados mortos.
Num dos livros das Escrituras denominado ESDRAS haverá uma história do papel do papel. Ou seja, onde um dos maiores personagens é próprio papel. Onde um papel de origem celestial se encontra com um papel de origem humana. Profecia e burocracia juntas, na mais estranha de todas as relações.

Então, retrocedendo no tempo até a palestina de 470 anos antes de Cristo ou a 2482 anos atrás… 
 

 
Velho Testamento – Esdras 6 
Esdras 1.1-3 
O rei Dario mandou então fazer uma pesquisa nos arquivos da Babilônia, 

onde se guardavam os tesouros. Encontrou-se um rolo na cidadela de Ecbatana,  

Observação: Ecbatana é a atual Hamadã no Irã.
 
na província da Média, e nele estava escrito o seguinte, que Dario comunicou:
 
 

Não. Não era desse jeito. Esse da página anterior é um rolo do livro de Ester criado para festejos de Purim em 1619 na itália – Salom Italia’s Esther scrolls de 1619. Na verdade era assim o texto: 
 

 
 
 
“No primeiro ano do seu reinado o rei Ciro promulgou um decreto acerca do templo de Deus em Jerusalém, nestes termos: ” ‘Que o templo seja reconstruído como local para apresentar sacrifícios, e que se lancem os seus alicerces. Ele terá vinte e sete metros de altura e vinte e sete metros de largura, com três carreiras de pedras grandes e uma carreira de madeira. O custo será pago pela tesouraria do rei.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pano de fundo – Contextualizando.
Figura – Sonho de Nabucodonozor que mapeia na história os grandes impérios globais da história – Babilônico – Medo-Persa – Grego – Romano 
 
 
 
 
 
 
 
 
O pano de fundo de nossa história ocorre cerca de 500 anos antes de Cristo. O estado judeu da antiguidade, ou o que sobrara dele… depois de diversas guerras, finalmente sucumbiu depois da destruição levada a cabo pelo império babilônico que conquistou até o Egito, a Ásia e parte da áfrica..
Cidades foram transformadas em cinzas e a capital do estado de Israel na Judéia dos tempos de Cristo, Jerusalém foi queimada e reduzida a escombros, incluindo a destruição do venerado templo de Salomão, uma das mais imponentes obras da antiguidade, completamente demolido.
Por 70 anos os sobreviventes do povo judeu amargariam condições de completa submissão ao império babilônico, até que um novo estado conquistasse os conquistadores.
Esse novo estado, um novo império mundial, medo-persa, liberou os povos conquistados para retornarem as suas terras, cidades natais, concedeu-lhes certa autonomia política, permitiu que as antigas expressões de culto nacional dos estados conquistados pudesse reiniciar, usando a partir das conquistas, um mecanismo de dominação a distancia baseado em administração, burocracia e logística.

Os persas dominavam o mundo de então por mandatos. Após alguns povos deportados para as grandes cidades estado babilônicas retornarem para suas províncias de origem, os judeus dão inicio a reconstrução da antiga capital e do antigo templo. Contudo muitas nações vizinhas, também em estado de reconstrução sobre a nova ordem, se ressentem da situação. Os judeus foram por centenas de anos a nação mais poderosa daquela região palestina. O templo de Salomão relembrava uma época de poderio econômico impressionante, sendo símbolo de religiosidade e também prosperidade por centenas de anos.
Não seria conveniente para alguns permitir que fosse reconstruído. Então os remanescentes e nobres dos povos vizinhos usarão de todos os recursos possíveis, dentro das condições que possuíam, já que não possuíam mais plena autonomia ou exércitos, para impedirem a reconstrução do templo. 
 

Os persas tinham um apreço muito grande pela escrita.
 

 
Era para eles um dom, uma dádiva divina e um dos instrumentos mais poderosos de sua cultura. A palavra falada na antiguidade possuía características mágicas, repetidas vezes era usada para conjurar bênçãos e maldições, para ligar pessoas aos seus destinos, para revelar mistérios contidos nos corações dos deuses, para narrar fatos do futuro. Os persas escreviam suas histórias de modo frenético e relatavam as relações e atividades administrativas como fazem os administradores da atualidade, mesmo com o advento da informática, quando o papel migrou para a documentação digital, mas nem por isso deixou-se de escrever menos. Os reis da pérsia escreviam sobre diversos assuntos e cada conquista, cada sedição, cada fato relevante era disponibilizado ao publico de diversas maneiras, principalmente em inscrições nos edifícios, templos, em paredes, em muros, estelas, monumentos, além das tábuas de argila, papiros, rolos e outros meios disponíveis para divulgação de informações. Em Bistun (Bistun or Bisutun, Modern Persian   Old Persian : Bagastana, meaning “the place of god”) ) há uma parede gigantesca onde Dario conta anos de guerras de seu império, um texto de grandes dimensões, que dava a idéia ao menos da capacidade falante dos reis persas. Eles falavam e escreviam muito.
(A inscrição inclui três versões do mesmo texto, escrito em três diferentes linguagens de script cuneiformes: persa antigo, elamita, e babilônio (uma forma posterior do acadiano). Com efeito a inscrição é a escrita cuneiforme representa o que a Pedra de Roseta é em hieróglifos egípcios: o documento mais importante na decifração de uma linguagem anteriormente desconhecida) 

 
Inscrições de persa antigo em cuneiforme. (acho que errou a grafia ali onde está colocando o dedo devia ser e o escriba colocou…(brincadeirinha…) 
 
  
 
A burocracia persa era uma máquina gigantesca. Segundo o texto do próprio Dario o império persa em sua época dominava 23 imensas províncias que abarcava do Egito a Índia.

 
 
 
A questão lingüística relativa a essa administração internacional é de um vulto impressionante. 
 
Numa amostragem das línguas extintas que são conhecidas teríamos segundo o MultiTree: A Digital Library of Language Relationship, uma enorme relação de mais de 2000 línguas extintas, exemplo: 
 
·   085 (Ayomán) 
·   08c (Kaixana) 
·   08f (Wergaia) 
·   08f-bew (Bewadjali) 
·   08f-bui (Buibadjali) 
·   08f-dja (Djadjala) 
·   08f-wud (Wudjubalug) 
·   08g (Dhauwurd wurrung) 
·   08h (Buwandik ) 
·   08k (Kok-Nar) 
·   08s (Ngumbarl) 
·   08t (Ngunawal) 
·   08u (Kalaamaya) 
·   08v (Ngadjuri) 
·   08x (Thawa) 
·   091 (Vedic Sanskrit) 
 
 
 
 
Somadas a outras listas de línguas antigas: 
092 (Gāndhārī) c. 600 BC  Norte Picene  -. c 600 aC
· Lepontic c. 600 BC  Lepôntico  -. c 600 aC
· Tartessian c. 600 BC  Tartessian  -. c 600 aC
· Lydian c. 600 BC  Lídio  -. c 600 aC
· Carian c. 600 BC  Carian  -. c 600 aC
· Eteocypriot c. 600 BC  Eteocypriot  -. c 600 aC
· Thracian  c.  6th c.BC   Trácio  c.  c.BC sexta   
· Venetic  c.  6th c.BC   Venetic  c.  c.BC 6   
· Old Persian – 525 BC: Behistun inscription   Antigo persa – 525 aC: Behistun inscrição   
· Tamil – 5th century BC. [ 13 ]   [ 14 ]   Tamil -. século 5 aC [13]   [14]   
· Latin c. 500 BC: Duenos Inscription   [ 15 ]   América c 500 aC:.  Duenos inscrição   [15]   
· South Picene c. 500 BC  Picene Sul  -. c 500 aC
· Messapian c. 500 BC  Messapian  -. c 500 aC
· Gaulish c. 500 BC  Gaulesa  -. c 500 aC
· Mixe–Zoque c. 500 BC: Isthmian script (disputed)  Mixe-zoque c 500 aC:.  Isthmian roteiro (disputado)
· Oscan c. 400 BC  Osco  -. c 400 aC
· Iberian c. 400 BC  Ibérica  -. c 400 aC
· Meroitic c. 300 BC  Meroitic  -. c 300 aC
· Faliscan c. 300 BC  Faliscan  -. c 300 aC
· Volscian c. 275 BC  Volscian  -. c 275 aC
· Middle Indo-Aryan ( Prakrit ) in Brahmi Script c. 260 BC: Edicts of Ashoka   [ 16 ]   [ 17 ]   Médio indo-ariana ( Prakrit ) em Brahmi Script c 260 aC:.  Editais de Ashoka   [16]   [17]   
· Mayan languages – 3rd century BC [ 18 ]   Línguas maias – terceiro século aC [18]   
· Galatian c. 200 BC  Gálatas  -. c 200 aC
· Pahlavi – ca.  Pahlavi – ca. 130-170 BC 130-170 aC
· Celtiberian c. 100 BC  Celtiberos  -. c 100 aC
· Korean – adoption of Hanja  c. 100 BC, evidence of proto- Idu  c. 500 AD [ 19 ]   Coreano – adoção de Hanja  . c 100 aC, a evidência de proto- Idu  . c 500 dC [19] 
 
 
O que nos dá a idéia da complicação lingüística por detrás da organização de estado antigo. E da necessidade de cidades inteiras voltadas para a guarda e preservação de documentos, a maioria na língua oficial do estado dominante.
Somado a questão lingüística temos ainda a jurídica. A jurisprudência persa, baseada no alto conceito que tinham da palavra escrita gerava certa situação complicada. As leis persas eram escritas para a eternidade, não possuíam prazo de prescrição. Uma vez emitida uma lei por um soberano persa, esta lei não poderia ser invalidada por nenhum poder terreno, nem do presente e nem do futuro. Incluindo QUEM promulgou a lei. A palavra ESCRITA e SELADA, como sinal de autenticidade, por um soberano persa não era anulável nem por ele mesmo. No livro de ESTER vemos uma cena em que a rainha condenada a morte por um decreto real chora diante do rei para que ele o revogue. Embora o rei tenha sido enganado por um conselheiro, embora soubesse que o edito real que fora induzido a fazer fosse fruto de um plano pessoal de vingança, nada podia fazer, porque transformada a palavra real num decreto ESCRITO, o poder do decreto ESCRITO era maior que a AUTORIDADE do rei. E essa regra era levada a risco pelas gerações que respeitavam a palavra tanto expressa de modo oral quanto escrita. Além do respeito a essência divina e ou mágica da palavra, contribuía para isso a relação de nobreza concedida entre falar e cumprir o que foi dito, o persa aprendia desde cedo a cumprir suas promessas, a verdade era uma busca essencial da religião persa que definia claramente o conceito de bom e mau, trevas e luz, virtude e pecado. A mentira aos olhos de um persa era um vício abominável, assim como o compromisso em realizar o que foi falado como tremenda virtude. Era nobre dizer e fazer, prometer e cumprir. Dario deixava claro que a legitimidade do trono (Inscription of Darius the Great in Bisthun) estava intimamente relacionada ao fato de pertencer a uma antiga dinastia de nobres e soberanos, que a sua descendência lhe concedia a dignidade necessária para reivindicar sua posição real. E a nobreza se compromissava de modo intenso com sua palavra escrita. Isso gerava outra questão burocrática. Nas diversas vezes que vemos a atuação de um rei persa nas Escrituras veremos que na corte há sempre um conselho constituído de pelo menos 7 conselheiros reais. No livro de Ester os conselheiros de Assuero são citados nominalmente. Um rei persa não assinaria um decreto sem que uma junta de consultores jurídicos pudesse convocar outras dezenas de assessores para analisar toda a legislação anterior. Porque não poderia correr o risco de gerar uma lei nova que fosse contrária a um edito anterior. 

 
No livro de Esdras o que vemos é um desses episódios burocráticos. Uma junta de inimigos declarados dos judeus vai até o rei com uma reivindicação, não querem que os judeus restabeleçam o templo que é uma das marcas da identidade do povo israelita, porque sabiam que isso seria um do grandes motivos da união e reestruturação futura de Israel como nação. Em tempos remotos estariam resolvendo essa questão no campo de batalha. Mas a era da burocracia havia chegado. 
Como todos os eventos políticos são descritos e autorizados por legislação e decretos da administração, solicitam vasculhar textos escritos em décadas anteriores a respeito da dita reconstrução, que só poderia ser realizada com autorização prévia.
 
Como na no trecho da história dos três porquinhos contada pelo pai engenheiro quando os fiscais chegam na casa do terceiro porquinho: 
 
“…LM:(Lobo Mau) P1 (Porquinho), abra essa porta e assine este contrato de transferência de posse de imóvel, ou eu vou gritar e gritar e chamar os fiscais do Conselho de Engenharia em cima de você!!!, e se for preciso até aquele tal de Confea! Como P1 não abria (apesar da insistência covarde do porco arquiteto e do…do… comunicador e expressivo visual) LM chamou os fiscais, e estes fizeram testes de robustez do projeto, inspeções sanitárias, projeções geomorfológicas, exames de agentes físico-estressores, cálculos com muitas integrais, matrizes, e geometria analítica avançada, e nada acharam de errado. Então LM gritou e gritou pela segunda vez, e veio o Greenpeace, mas todo o projeto e implementação da casa de P1 era ecologicamente correta…” 
 
Não havia nas mãos dos judeus a dita documentação oficial para darem continuidade a reforma que estavam realizando dentro de uma província persa. Foi dado inicio a busca do edito emitido pelo antigo soberano CIRO, avô de Dario. Então é realizado uma busca por sumários, por índices de legislação, por códigos que indiquem locais onde antigos decretos estavam armazenados. Dias de busca se passam e é encontrado o antigo decreto ORIGINAL.
Quando DARIO lê as ordens assinadas por seu avô, define a questão. Um pronunciamento de um rei persa é como a voz divina. O que foi dito será cabalmente cumprido, apesar de trazer despesas novas para o atual governo.
 
Porque a honra da família real estava em jogo, e a nobreza da família real simbolizava a nobreza de toda a administração do estado, com reflexo imediato em toda a cultura persa.
Porque um decreto persa é imprescritível 
Porque não possuía Autoridade para descumprir a ordem anterior a ele mesmo.
Porque a essência da administração persa foi imaginada desse modo, sendo uma premissa legal que assim se fizesse, sobre o risco de quebrar a essência da legislação e da organização do estado.
 
E porque havia mais uma característica única no tal decreto. O rei anterior a DARIO, Artaxexes, emitira um segundo decreto que confirmava ao primeiro.
Era uma lei reiterada por DUAS VEZES, por dois soberanos persas!
Dario a luz da situação cria então um terceiro decreto que amplia os dois primeiros e ainda torna o processo irreversível. Uma interessante é no decreto de Dario é que tem até ORÇAMENTO, diz de onde irão sair as receitas! E MULTA, integrando PENALIDADES contra seu descumprimento, incluindo qualquer tentativa de inviabilizar o que fora dito com pena de morte, perda de direitos legais da família e perda dos bens dos envolvidos em tal delito.
Tudo isso começou com uma profecia dada ao profeta Isaias, antes que os persas chegassem ao poder com a derrota império babilônico.
 
Isaías escreveu o livro que leva seu nome aproximadamente 700 anos a.C.. Em Isaías 44:28—45:1 está escrito: “Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado. ASSIM diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro”. Isaías identifica Ciro pelo nome com uma antecedência de 150 anos!   
Ciro fundou o Império Persa, o qual durou dois séculos e derrubou o poderoso Império Babilônico em 538 a.C., sendo que no ano de 538 a.C. Ciro expediu o decreto autorizando os judeus cativos a voltarem para Jerusalém e reedificarem a sua cidade juntamente com o seu Templo (Ed 1:1,2). 
 
Quando alguém fala a palavra profeta vem logo a mente alguém segurando uma placa do final dos tempos ou do fim do mundo 
 

 
Não, não era bem essa placa acima falando sobre fim-do-mundo
 

 
Não, também não essa outra ai acima. 
 

 
Não! Também não era bem isso que queria dizer 
 
 

 
Mais ou menos isso. Como estava dizendo, a palavra profeta nos trás a mente alguém com uma placa com os dizeres “o fim está próximo” 
 

 
Ou imaginamos um místico podendo vizualizar de algum modo o futuro 
. 

 
Mas nada seria tão distante da verdade como tais associações. 
 
As Escrituras não descrevem a todos os profetas, mas um em especial, Samuel, possui uma descrição muito parecida com algumas figuras que habitam a imaginação mágica literária 
 

 

 
 

 
 
Essa é a descrição de Samuel. Profeta Samuel. Todas as figuras acima são imaginárias. oriundas do Senhor dos Anéis, de Rei Arthur, e Harry Potter, o profeta Samuel é certamente a figura histórica que inspirou suas aparências. Porque se nenhum outro oficio real ou imaginário se assemelha tanto ao oficio de um profeta quanto o ofício de um MAGO. 
As antigas religiões possuíam seus magos, encantadores, pajés, feiticeiros, sacerdotes do oculto, prognosticadores, necromantes, curandeiros. Alguns possuíam o titulo por serem versados nos mistérios das suas religiões, outros por praticarem artes mágicas. A feitiçaria é banida das Escrituras porque o universo mágico que abraçou tem origem maligna, onde há interação com poderes, transes, drogas alucinógenas, contato com entidades espirituais, as mesmas que ensinaram e inspiraram práticas que vão de canibalismo à necrofilia. O mundo oculto não é tão oculto assim diante da revelação divina.
Mas há um caminho realmente mágico e diferenciado de todas as práticas da antiguidade. Há uma espiritualidade real, que concede ao ser humano capacidades extraordinárias que não possuem contra-indicação divina, cuja fonte que as opera é a luz e não as trevas, onde aquilo que é orientado possui origem celestial, procedendo do coração de Deus e absolutamente pautado nas suas leis, nos seus desejos, na justiça e na sua vontade. 
Esse caminho é denominado inspiração profética, unção de profeta, profecia ou simplesmente profeta. 
Muitos foram assim designados, esses magos da eternidade, pessoas capacitadas espiritualmente para serem instrumentos e portadores de um poder fenomenal, como profetas. Abraão, Jonas, Elias, Eliseu, Moisés, Samuel, João Batista, o próprio Messias para citar alguns.
 
Voltando as figuras anteriores, quando imaginamos magos, imaginamos pessoas que possuem o poder de alterar fisicamente o mundo através da palavra mágica.
 
A profecia está para o profeta como a palavra mágica está para o mago, numa simplificada comparação. 
A PROFECIA não é uma arte adivinhatória, a leitura do futuro, ver coisas que um dia ocorrerão. A idéia de profecia não é uma projeção da mente no espaço-tempo em que a consciência atravessa a dimensão do tempo e indo até o amanhã retorna para trazer ao profeta imagens das coisas que virão. Isso é só parte da história. Uma pequena parte. 
 
A profecia é o poder de Deus manifesto em forma de palavras humanas que possui o poder de alterar coisas que ainda sequer vieram a existir. Profetizar é semear o amanhã, A profecia age como semente, como agente, como poder que conduz o futuro, mais que conduz AO futuro. É um poder que encaminha a história, que a arruma, uma força que interfere no mundo até que tenha realizado aquilo que prometeu.
 
 
Jeremias 1.4-10 
A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares 
 
Na vocação do profeta Jeremias podemos ver que a ultima coisa que iria fazer é testemunhar a história acontecendo lendo o amanhã e o aguardando conformado, esperando-o acontecer sem nada poder fazer. 
 
No filme Presságio vemos Nicolas Cage em busca de antigas profecias lendo sobre o final trágico da humanidade. Sem nada poder fazer senão assistir de camarote ao final de tudo.
 
Um profeta não é leitor de tablóides do amanhã. Como em “O Pagamento 
 

 
Nesta adaptação no cinema de uma obra do escritor norte-americano de sci fi Phip K. Dick, o Pagamento (Paycheck, 2003) propõe a discussão de um interessante paradoxo temporal. Chamado de paradoxo recursivo ou profecia auto-realizadora. Criam uma máquina que pode ver o futuro, mas todas as tentativas de tentar evitar que Ele aconteça acabam contribuindo exatamente para realizá-lo.
 
O que Jeremias e todos os profetas antes e depois dele recebem junto com os problemas quando chamado por Deus é definido por alguns termos. 
 
Olha que hoje te constituo   sobre as nações   e sobre os reinos , para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares 
 

 
-TE CONSTITUO
– SOBRE AS NAÇÕES 
– SOBRE REINOS 
– PARA ARRANCARES E DERRIBARES 
– PARA DESTRUIRES E PARA ARRUINARES 
– PARA EDIFICARES E PARA PLANTARES. 
 
Ou seja, a “sorte” ou “destino” o futuro das nações sobre as quais profetizasse seria definido não pela política externa, tamanho do exército, capacidade tecnológica, poderio econômico. Antes por aquilo que JEREMIAS DISSESSE.
O poder da profecia colocava a Jeremias num outro patamar de PODER, acima dos reinos deste mundo, acima das forças da natureza ou da sociedade. Jeremias recebeu, comparativamente falando, uma identificação, um crachá no peito com as inscrições “MINISTRO DE DEUS”, recebendo como parte integrante de seu ministério AUTORIDADE para realizá-lo.
 
  
 
 
Porque a palavra profética ilumina sobre coisas que virão ao mesmo tempo que GERA as condições que as farão acontecer.
Por isso mesmo não possui origem humana. O profeta é uma pessoa comissionada, trabalhando não para si mesma, não de acordo com vontades humanas. Nenhum profeta é levantado/ordenado para si mesmo. O que diz não procede de si mesmo. Nem poderia porque sua palavra irá mudar o mundo conforme um plano que tem um autor muito inteligente.
 
A profecia não formaliza o desastre próximo, não noticia a tragédia destinada, não fica declarando datas fixadas de eventos imutáveis. O tempo se dobra diante dela.
A profecia significa um enunciado, uma sentença, uma declaração que é dita com AUTORIDADE delegada.
 
(esse exemplo é para os de idade um pouco mais avançada) 
 
Na verdade a palavra profética traduz a idéia por trás das rimas de encantamentos de Samantha. Nas frases mágicas dos encantamentos vemos versinhos, eles possuem a forma de poesia.
 
( Elizabeth Montgomery ) . (“A Feiticeira” (Bewitched) foi uma série de televisão   americana transmitida de 1964 a 1972 .)

 
Assim também essa poesia está presente nos encantamentos de Alex Russo (Selena Gomez) em Os Feitiçeiros de Waverly Place 
 

 
Mas somente a idéia.
 
 Uns têm a bondade, outros a maldade, agora todos falam a verdade”
 
A mesma idéia é reduzida a uma ou duas palavras nos encantamentos de Harry Potter, tais como Immobullus ou Expecto Patronum.
 

 
  
 
 
Nas Escrituras percebemos a palavra profética com a caracteristica de verso e de poesia muito impressionante. Ela expressava-se através de poesias, algumas vezes como um cantico. Ela possuia expressividade sonora, ritmica. A poesia da antiguidade era considerada como uma expressão quase divinizada, era a lingua dos deuses. Os poetas eram muitas vezes também sacerdotes, tinham uma vastissima cultura. As poesias tinham o caráter de transmitir conhecimentos as novas gerações por que agiam como artificios para memorização de fatos, unindo emoção aos fatos narrados. Todos os oráculos da antiguidade possuem a forma de poesia. Os poetas muitas vezes eram tomados de extase para emitirem parte de sua poesiam haviam até poetas que necessitavam se embriagar para terem a criatividade de criar novos versos em determinadas culturas. Esse fato é relatado nas escrituras quando um grupo imitando os gregos tenta atingir a eloquencia profética pelo poder do alcool fermentado do vinho. Essa caracteristica poética está presente nos versos de maldições, invocações, imprecações, bençãos, encantamentos, superstições, simpatias e encantamentos.
 
As profecias das Escrituras possuem ainda encontros consonantais e jogos de palavras que concedem a elas uma sonoridade única. Como nos jogos verbais das cantigas de roda e trava-línguas.
 
 
A neurolinguistica que tenta produzir mudança de comportamento através de palavras ou conceitos possui um resquício, uma imagem remanescente – palavras que mudam gente.
 
 
A palavra jurídica, a sentença, o julgamento, possui outra representação da profecia. Essa ligação é expressada em que algumas profecias contra nações ou pessoas das Escrituras são também denominadas por sentenças e outras por julgamentos.
Deus decidindo, agindo como justo juiz, declara um veredito, e esse veredito é uma palavra profética ou profecia com o poder de mudar a própria eternidade. 
 
A primeira frase da boca de Deus nas Escrituras é: 
 
Gn 1.3 E disse Deus: Haja luz. E houve luz. 
 
Veja que é acima de tudo, uma PROFECIA. Porque fala de algo que ainda não existe, mas que após proclamar, virá a existir. A profecia é dita para produzir um efeito no futuro, segundos, horas, dias, meses, anos após. E a resposta que o universo em formação concede a profecia é sempre a mesma, em quaisquer circunstancias. 
 
– SIM SENHOR! 
E houve luz.
 
É importante frisar essas coisas para que possamos compreender a profundidade, a abrangência, a beleza e a grandeza da profecia.
E o significado de ser um profeta.
 
Dito isso: 
 
 
Em cerca de 468 a.C Jeremias está vivendo o cerco da cidade de Jerusalém, pelos babilônicos quando recebe de Deus a confirmação da profecia dada anteriormente a Isaias..
Ou seja, a cidade ainda está cercada pelos exércitos dos conquistadores anteriores, que a destruirão na verdade, quando a Jeremias também é dito sobre a reconstrução do templo, que por sinal, ainda está de pé.
Por pouco tempo… 
Jeremias testemunhará o templo de Salomão, uma das maiores construções da antiguidade ficar em ruínas. E ouvirá também que 70 anos após sua destruição, será reconstruído. 
Na época da sua reconstrução, os inimigos conseguem a paralisação da obra. Novamente um profeta será levantado para que o decreto divino seja cumprido. Esse será o tema da profecia de AGEU.
 
 
Existe uma harmonia interessante. 
Três vozes proféticas 
 
Isaias, 
Jeremias 
Ageu 
 
Três decretos legais 
 
Ciro 
Artaxexes 
Dario 
 
 
 
O primeiro Decreto é fruto da profecia de Isaias.
Um dos trechos da profecia diz que Ciro CUMPRIRÁ TUDO QUE LHE APRAZ. 
 
Ciro teve um pedagogo ateniense que lhe acompanhou em uma expedição, historiador, filósofo, mercenário e instrutor de equitação, discípulo de Sócraetes, de nome Xenofonte. 
Há um trecho histórico muito esclarecedor sobre Xenofonte. Basicamente uma reprimenda de Sócrates. 
 
Quando jovem, Xenofonte participou na expedição contra Artaxerxes II, liderada pelo próprio irmão caçula do imperador persa, Ciro, o Jovem, em 401 a.C. Xenofonte diz que se aconselhou com o veterano Sócrates se deveria ou não ir com Ciro, e Sócrates indicou-lhe o oráculo de Delfos. Sua pergunta ao oráculo, no entanto, não foi de aceitar ou não o convite de Ciro, mas “para qual dos deuses deveria rezar e prestar sacrifício, para que pudesse completar sua pretendida jornada e retornar em segurança, com bons resultados”. O oráculo lhe disse para quais deuses. Quando Xenofonte retornou a Atenas e contou para Sócrates o conselho do oráculo, Sócrates o reprimiu por fazer a pergunta errada ao oráculo, mas disse: “Já que você fez essa pergunta, você deve fazer o que alegrará o deus.” (Esse é o único relato de contato pessoal entre Sócrates e Xenofonte em todos seus escritos.) 
 
Nenhum rei da época iria a guerra sem aporte de uma profecia, um sinal, algum modo de descobrir um desígnio divino, um presságio. Nem mesmo os generais e mercenários encarregados de suas tropas. Xenofonte era um mercenário, um soldado contratado para lutar pela causa persa, ainda que grego. E sua preocupação de ser aprazível para com os deuses que lhe lograram êxito em suas batalhas, certamente influenciado profundamente por Ciro.
Xenofonte tinha um apreço muito especial por Ciro. Um de seus textos declara: 
 
“Ciro era filho de Cambises, rei da Pérsia. Este Cambises era da geração dos 
Perseidas, que se gloriam de descender de Perseu. (…) Ciro, cujo nome ainda 
hoje é celebrado pelos bárbaros, era de estatura elegantíssima, de um coração 
cheio de benevolência, e muito amante da sabedoria e da honra. Para ganhar 
aplausos, sofria aos maiores trabalhos, e arrostava-se com os mais evidentes 
perigos. Tais foram suas qualidades morais e físicas que a história nos 
transmitiu.” 
 
O próprio CIRO se reconhecia como descendente de Perseu, aquele das lendas gregas.
 

 
E imagine Ciro abrindo diante de Xenofonte um texto com mais de 140 anos de existência mostrando seu nome citado e o futuro para ele designado. 
E imagine a expressão de Xenofonte 
 

 
Uma profecia saída da boca de um profeta é sempre uma coisa monumental. Na cultura persa ficou uma imagem de uma palavra que tem o poder de mudar a existência, uma palavra imutável, uma palavra que transpassa as gerações e que uma vez emitida nada pode a ela se opor. A belíssima história é que o cerne do decreto persa é justamente essa germe, essa essência real e mágica, de uma palavra que transcende os sonhos, os tempos e que aponta para o futuro, verdadeira em todos os seus aspectos e poderosíssima para fazer o que disse que iria realizar. O decreto persa, decretos humanos que pretendiam a eternidade, sendo no entanto somente palavra humana, encapsulavam, envolviam sem saber uma genuína palavra profética. Os decretos com forma de autoridade, com aspectos de poder, que na realidade retratavam a maior autoridade terrena na época, ao mesmo tempo também resguardados maior autoridade do universo. Deus.
 

 
Quando no interior de uma velha biblioteca com milhares de textos burocráticos, legais, administrativos, de dezenas de línguas, encontrado um antigo rolo de pele de animal ou uma pequena pedra de argila, redigido com o sinete do próprio CIRO, pode-se imaginar o seu efeito sobre a alma de Dario. Lendo o decreto que ele expede, descrito no capitulo 6 de Esdras, então podemos entender como o impacto foi devastador.
Os textos de Esdras trazem as cartas, literalmente transcritas, das autoridades da época. Vemos uma guerra de leis, de normas, de decretos, uma verdadeira guerra burocrática. A luta política e espiritual conduzida em termos de direito internacional. 
 
E a antiga profecia de Isaias, cuja voz falava mais alto que o oráculos de Delphos, ou que as palavras dos Magis, os sacerdotes do zoroatrismo, religião adotada pelo império persa, dirigia a história.
A palavra profética continua dirigindo a história humana, É só olhar para o livro de Apocalipse. Quando a Igreja de Cristo se torna comissionada pelo Espírito de Deus e recebe os dons proféticos que pertenciam aos profetas do Velho Testamento, nos conduz a uma dimensão extraordinária. 
Nos conduz até Esdras 6. 
 
Se três profetas modificaram profundamente a história de seu tempo, imagine toda a igreja de Cristo tomando posse de sua vocação ordenada para ela antes que o mundo viesse a existir? 
 
Imagine Esdras 6 se cumprindo hoje, imagine o mundo recebendo agora palavras que transformem o direito internacional, que mudem a postura governamental, que transformem a sociedade. 
 
Jeremias 29:10 Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, eu vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. 
 
 
Se você imaginou isso tudo pode vagamente compreender o significado do chamado do Senhor:
 
I Coríntios 12:28 
 
   E a uns pós Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 
     
I Coríntios 12:29 
 
   Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? 
 
Efésios 4:11 
 
  
E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 
 
 
APOCALIPSE 22:6 
  
E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. 
     
Ou seja Deus continua no tempo presente convocando e CONSTITUINDO Profetas.
 
 
Dario nos lembrou do que profetas comissionados são capazes quando lá no capitulo 6 de Esdras, emocionado toca no rolo de argila abandonando numa vasta biblioteca lá em Ecbatana. 
 
Deus continua concedendo profetas a humanidade.
 
Até no final dos dias e da história humana, ainda haverão essas testemunhas da eternidade, portadores das mensagens divinas, cheios de suas palavras, e agora através da revelação plena do mistério do evangelho, mais confiantes ainda, mais sorridentes e mais ousados que seus irmãos de épocas passadas. Afinal, agora eles sabem porque estão trabalhando. Os da antiguidade tinham uma noção, mas cumpriam ordens com uma parte das respostas. E se eles sem conhecer o mistério da vida manifestado em Cristo, realizaram o que realizaram, imagine agora.
 
Apocalipse fala dos dois últimos profetas que um dia caminharão sobre a terra. E da alegria de um mundo que odeia profetas na festa mundial quando depois de MESES usando TODA A FORÇA DE GUERRA dessa época, FINALMENTE conseguir calar a boca desses dois “malditos”. Profetas são criaturas teimosas.
 
Mas até que morram, nessa época futura, os dois últimos ungidos que caminharão sobre a terra… aqueles que podem escutar prestem atenção no que o Espírito de Deus está falando com a humanidade.
 
 
 
 
 
Welington Corporation 

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