Sobre a dignidade feminina

Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Gênesis 3:9-13 

E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.

Gênesis 3:9-13
 
Homens de todo a terra tremei.

Amanhece sobre a terra que Deus nos deu. Uma menina é deixada, aparentemente só, diante de uma entidade de sabedoria de dimensões desconhecidas, entidade perversa e má, maldito ser cujas origens se perdem na areia do tempo. Diante de um universo novo em todos os sentidos, absurdamente sobrenatural, a menina aceitará uma péssima opinião, uma desvelada mentira, que lhe entorpecerá, embotando os seus sentidos, culminando em fazê-la desobeder a lei divina, a única lei dada até então ao ser humano para ser obedecida.  
Momentos após esse ato profético ela dividirá parte de seu erro e parte dessa culpa com o homem,  através da mesma desobediência a lei divina, Adão, que aceitará a situação sem questionar.  Ele simplesmente faz aquilo que está consciente que não deveria fazer e que sabia que não deveria fazer muito antes que Eva fosse criada.
Incompreensivelmente ele, o homem, não a repreende veementemente pelo seu ato de rebeldia, antes disso, voluntariamente  participa do mesmo erro. Então chega o momento da confrontação. O momento em que ambos seriam convocados a esclarecer aquilo que haviam feito. Pois o comportamento dos dois havia mudado, sua natureza mais íntima havia sido alterada.
  O primeiro a ser inquirido sobre como isso aconteceu é Adão. Ele magistralmente delega a responsabilidade de seu erro a duas outras pessoas.
“A mulher que (TU) me deste como companheira”. 
Numa só sentença lança a responsabilidade de seu ato em Deus e em Eva!
“Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.”
 
E lança por terra  numa mesma frase,  sua união, sua paixão, seu amor, seu grito de alegria primordial quando exultando a recebeu – Ossos dos meus ossos!- com essa tosca declaração que simboliza a plena rejeição.
Ele não disse “minha mulher, minha auxiliadora, minha companheira ou minha esposa”. Foi enfático. “A mulher que me deste”. Como se dissesse: “não a pedi a ti, você que me concedeu”. E quando deixa de expressar a palavra “minha”, pela omissão, é como se a rejeitasse.
Porque quando ele a recebeu de Deus a primeira coisa que disse foi, “Minha”. “Osso dos MEUS ossos”.  A primeira coisa que diz é que ela fazia PARTE dele. Mas não agora. E ainda se omite, “ela me deu, ela me ofereceu e eu comi”. O conceito de defesa por detrás disso é ”Se ela não tivesse me dado, se ela não me tivesse oferecido, eu não teria aceito e nem comido”.  Percebe-se porque o homem necessita de uma advogado melhor do que ele mesmo.
Então os olhos de Deus se voltam para Eva. Literalmente falando. Deus vira sua face em direção a moça. Porque nossos primeiros pais enxergam a Deus de um modo como jamais compreenderemos. Transitam diante de sua face, habitam um lugar que  se não é celestial, é a coisa mais próxima a isso que já existiu na terra. Numa terra indescritivelmente bela.
Por que fizeste isto?


Eva não possui nesse momento mais ninguém a quem recorrer.
Aquele que deveria ser seu socorro a abandonou. 
Aquele que deveria ser seu amigo a deixou sozinha diante de uma  gravíssima situação. E a deixou assumir sozinha a culpa que não pertencia somente a ela.  E ainda lhe lançou no rosto, na frase anterior que a rejeitava, como se fosse melhor que ela não tivesse nascido,  seria melhor nunca ter sido criada do que gerar aquela situação de desfecho imprevisível.
Seu único amigo a acusou, não lhe bastasse sua própria consciência que queimava e lhe  envergonhava fazendo-a se cobrir e se esconder entre as árvores do jardim.
Então Eva mira fixamente Adão. Seu noivo, esposo, companheiro, amigo, que a deixou indescritivelmente só.

O que ela vai dizer é a verdade.
“A serpente me enganou, e eu comi.”
E o que ela não irá dizer é o segredo que foi guardado por milênios.

Ela não troca acusações com Adão. Ela não relembra a responsabilidade de Adão sobre ela. Não o acusa diante da eternidade como ele acabara de fazer com ela. Não tornará a lançar sobre Adão o peso que ele lançou sobre ela. Com grande dignidade omite qualquer acusação ao primeiro homem.
E seu silencio nesse sentido é talvez a maior declaração de nobreza que alguém poderia ter realizado na terra. Quando ela assim o faz, demonstra algo que será lembrado para sempre diante da eternidade.

Para sempre a mulher foi dignificada quando se omitiu de acusar seu semelhante,
ainda quando seu semelhante, com ela não se importou.
 “Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, julgando que fosse o jardineiro, respondeu-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.  Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, disse-lhe em hebraico: Raboni!-que quer dizer, Mestre.  Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.  E foi Maria Madalena anunciar aos discípulos: Vi o Senhor!-e que ele lhe dissera estas coisas.”
Por isso Jesus honrará a mulher em primeiro lugar anunciando primeiro a ela a mudança da condição humana de seres criados, para filhos de Deus. Que a relação de Deus com os homens não seria baseada a partir do momento de sua ressurreição como aquela que havia no Éden entre o Criador e a criatura. Mas entre filhos e filhas.
Por isso salvação humana será originada da SEMENTE DE MULHER.
Por isso Jesus nascerá da virgem, por isso o homem não participará da geração do homem sem pecado, do Messias.
Por isso Deus vindicará a honra de Eva através de Maria.
Welington José Ferreira








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