Sobre a morte e as crendices e sobre a fé que a derrota

Existe uma diferença entre as crendices sobre a morte e entre a fé que a derrota. 

Vamos falar sobre as crendices:

Considerada pela sabedoria popular como a única certeza desta vida, a morte – a mulher-da-foice, matando brancos e pobres, jovens e ricos, pretos e velhos, indistintamente – gerou, através dos séculos, uma série de crendices, de superstições, de faz-mal, que constituem uma herança mítica sempre renovada pelas gerações que se sucedem. Ainda hoje, principalmente entre as pessoas mais idosas e menos instruídas, essas crendices continuam vivas e respeitadas como verdadeiros dogmas.
A morte se anuncia por intermédio de avisos que o povo decifra e crê religiosamente. Quando uma porta se abre sozinha: a morte entrou em casa. Quando sentimos arrepios: a morte passou bem perto da gente. Quando se ouve barulho em casa durante, a noite: é a morte rondando, escolhendo quem vai levar. Quando a coruja pia no telhado: ela está cortando a mortalha de uma pessoa que vai morrer. Quando uma vela acesa se parte na mão de uma pessoa: é morte na família. Quando uma abelha entra pela janela e sai pela porta ou uma borboleta negra pousa dentro de casa ou o defunto fica de olhos abertos: uma pessoa da família vai morrer, dentro de pouco tempo.
Os sonhos geram as crendices mais sérias e mais acatadas; são interpretados pelo povo com um respeito quase religioso. O povo acha que dormir e morrer são coisas muito parecidas, são coisas bem misteriosas. Esse mistério é responsável pela quase religiosidade das crendices do sonho relativas à morte, crendices que são olhadas com muito respeito e com as quais ninguém brinca. Sonhar com machado, com uma pessoa gritando, com caixão mortuário, com água suja, significa morte na família.
Sonhar arrancando dente é sinal de morte. Sonhar com quem já morreu é prenúncio de muita saúde.
Para a pessoa se esquivar da morte não deve fazer um bocado de coisas. Deixar gaveta ou mala abertas é sinal de que, a partir daquele momento, um túmulo já está aberto à espera da pessoa. Morre a mãe de quem chupa picolé e quebra o palito. Deixar a tesoura aberta faz mal: ela vai cortar a mortalha da pessoa.

Não é bom cruzar os talheres quando a mesa está sendo posta: morre gente da família. Tamborete com as pernas para cima fica à espera de caixão de defunto. Derramar tinta de escrever não é bom: é morte na família. Nunca treze pessoas devem sentar-se à mesa: uma delas morrerá dentro de pouco tempo. Três pessoas não devem tirar retrato conjuntamente: quem ficar no meio do grupo morre logo.
Acender três cigarros com um só fósforo faz morrer quem assim procede. Não é aconselhável beijar pé de defunto: é morte certa. Só se deve beijar os pés do Senhor Morto, (na verdade não sei exatamente quem é essa pessoa que veneram na semana santa. Deve ser um outro Cristo, já que o verdadeiro ressuscitou, e vive para todo o sempre.)  durante a Semana Santa.
Nunca se deve trocar a cama de uma pessoa doente: ela piora e morre.  Sair de casa com o candeeiro aceso agoura a morte próxima. Toda a vez que uma pessoa vê um enterro dobrando uma esquina, essa pessoa, ou alguém de sua família, morre. Nunca bote seu chapéu em cima da cama: morre a pessoa mais velha da casa. Nunca entre em casa conduzindo uma caixa vazia: morre uma pessoa da família. Quando voltar do cemitério depois de acompanhar um enterro, tenha o cuidado de limpar a terra de seus sapatos. Se entrar em casa trazendo terra do cemitério nos sapatos morre gente da família.
Abrir um guarda-chuva dentro de casa significa a morte de um parente. Faz mal ter, a pessoa que vai ser operada, qualquer objeto de ouro sobre o corpo. O operado morrerá.  Medirem-se, duas pessoas, pelas costas, significa a morte de uma delas. Não se deve dar esmolas antes do enterro sair de uma casa. Morrerá outra pessoa da casa. Não pise a sombra de uma pessoa. Se assim acontecer, a pessoa morrerá.
Morre primeiro quem, na noite do casamento, apagar a luz do quarto. Quando uma pessoa morre só se come carne em sua casa depois do sétimo dia. Até completar um ano, todos se referem ao morto como o defunto; depois de. um ano, mudam o tratamento para o falecido.
Na zona rural, noite a dentro, com cachaça, café e bolachas, a sentinela, contando com a presença de parentes e amigos do morto, se prolonga até o amanhecer, ao som das rezas e incelenças cantadas em tom lúgubre, enquanto o morto, vestido com sua melhor roupa, no meio da sala, é alvo de comentários, os mais lisonjeiros.
Os parentes mais próximos se vestem de preto durante um espaço de tempo que varia de conformidade com o grau de parentesco.
Certeza única, verdade verdadeira, a morte – apesar de ser um acontecimento sério na vida de todos – não deixa de motivar interessante expressões que, se hoje algumas delas não participam dos dicionários, já andam na boca do povo.

Fonte: MAIOR, Mário Solto. A Morte na boca do povo. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1974. 52p.

Agora, sobre a 
fé que a derrota:

Não somos nós que temos que realizar atos mágicos, simpatias ou coisas que o valha, para fazer nos proteger de coisa alguma. Há algo me nós que a faz estremecer. Uma presença, uma força fabulosa que emana de alguém que ousou desafiá-la, vencê-la e pra plena desgraça dela, permanecer conosco, até a consumação dos séculos.


Pois é.

“Ei, ó morte? Onde está tua vitória?
Está lá caida no chão, junto de tuas pretensões.
Hoje se a morte resolver passar perto de nós, os que cremos, ela é que terá que bater na madeira. Mil vezes.
Se  trocarmos os lençóis  da cama de uma pessoa doente: A morte é que piora e foge.  Se a gente sair de casa com o candeeiro aceso, é a Cristo que traremos a memória, daquele que vive para todo sempre segundo a revelação em Apocalipse. Toda a vez que uma pessoa vê um enterro dobrando uma esquina,  lembra que enterros estão perto de terminar. Porque a morte foi vencida na cruz. A gente joga nosso chapéu em cima da cama, e depois brinca.  A gente entra em  casa conduzindo uma caixa vazia, e nos lembramos que um dias os túmulos dos homens  assim ficarão!:  Quando voltar do cemitério depois de acompanhar um enterro, se a gente limpar os sapatos é só pra lembrar que um dia a morte estará definitivamente debaixo de nossos pés.  E se entrarmos em casa trazendo terra do cemitério será somente para plantar flores.

E em muito breve todos os que estão vivos, os que morreram e os que morrerão ainda,
vão entender a plenitude e a abrangencia dessa declaração.
Porque tudo, absolutamente tudo que a morte realizou,
será destruido.
Em breve mortos sairão de seus túmulos
Não como zumbis de filmes de terror
Mas como anjos que nunca mais irão ser tocados por ela
E rirão dela,
E dela zombarão
do mesmo modo que o túmulo vazio de Cristo
que os campos deixados por Enoque
e que a casa vazia de Elias
hoje assoviam. 

Procurem,
DILIGENTEMENTE (risos)
o tumulo de Moisés no alto do monte Pisga,
arqueólogos do mundo inteiro!
E finalmente irão descobrir
porque Satanás
estava tão indignado
com o arcanjo Miguel….

Jesus disse nãofound onUncategorized

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