Gemidos inexprimíveis


Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?  Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.  E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.
Paulo compara o universo a uma moça que está nos momentos finais da gestação, sentindo fortes contrações antes de gerar sua criança. A criação se parece com uma prisioneira de guerra num país sitiado, sofrendo as dores de uma visível guerra espiritual (que deve ter se iniciado antes que nascessem os seres humanos).
Os vestígios dessa prisão dessa moça, Criação, são a dor, a agonia, a enfermidade, a tristeza, a desesperança, a maldade e a morte. 
Algo ocorreu com a Criação, essa moça cujas origens são certamente de família muito nobre.
Companheira dos anjos, filha de um poderoso e sábio criador. A Criação foi transtornada, como se tomada por tenebrosa maldição.
 E se um dia havia festa, onde os anjos gritavam de alegria,  tornou-se  um velório, uma moradia de espíritos malignos, mórbida, envolvida num manto de estranha escuridão. 

 Até que veio o Ungido. Aquele que, segundo os profetas,  resgataria a moça Criação das prisões das trevas, do poder da morte e das forças antagônicas que ora habitam e massacram incessantemente a todos os seres vivos.  Que se não fossem socorridos tornariam-se todos os seres mortos.

E o universo deu luz, a Vida, a Esperança, à Paz e a Alegria, na forma de um homem, que nasceu com a missão de libertá-la. 
E o conseguiu. 
Sim. Mesmo que não pareça. Ele conseguiu. 
Destruiu os poderes que dominavam o universo com sua morte, e concedeu ao ser humano o domínio sobre esses poderes através da sua ressurreição.
Contudo a Criação ainda sofre dores de parto.
Ainda geme e ainda chora.
Porque a guerra não terminou no dia em que o vencedor se ergueu dos mortos.
Porque a vitória contra o mal vai além dos recursos desta Criação, está além das leis espirituais que atuam nessa realidade. 

Jesus ascendeu aos céus para realizar aquilo que ainda falta para a guerra terminar.

E que não poderia ser realizado a partir da terra, ou somente a partir dela. Nem por mais ninguém. Dando continuidade ao seu poderoso ministério, subiu a regiões celestiais desconhecidas por nós. Porém enviou alguém, um espírito para guiar ao homem.
Seu próprio espírito. O espírito primordial e que antecede a todos os seres criados.  Espírito que transita entre dois mundos. Espírito que conhece a vastidão dos céus e as profundezas do coração de Deus. Tão separado que é chamado de Santo, tão elevado que é chamado de Deus.  Nesse espírito residem os mistérios e os segredos da vida e da ressurreição. Nele o amor é pleno e a paz é absoluta.
 Por ele a vontade de Deus é conhecida de modo completo.
Ao Espírito Santo foi dada a missão de moldar o caráter da Igreja. De educá-la, de transformá-la á imagem daquele que a resgatou. 

E ele nos é concedido de modo tão e íntimo – que de nós tornou-se parte. Ou nós tornamo-nos parte dele.

 Essa mistura do Espírito conosco é chamado de “primícias do Espírito”. “Nova Criação”. “Regeneração”. Ele habita em nós corporalmente.
Alguém cuja essência é celestial – não é deste mundo – possui a capacidade de nos capacitar, preparar, transformar, compartilhar conosco sua própria existência, sua vida. 
E tal presença possui o poder de nos purificar. É através do Espírito Santo que podemos, e só através dele, santificar-nos. 

O texto de Romanos nos conduz a outra faceta da obra do Espírito em nós, que é de  nos ajudar a interceder para transformar nossas orações em instrumentos poderosos. Para transformar nossos desejos, ensinando-nos a viver.

A intercessão, esse mistério, é uma necessidade para aqueles que crêem.  A comunhão com Deus e o poder de transformar o universo físico dependem desse mistério chamado intercessão.
E veja que nós não sabemos o que pedir. Alguns sequer sabem que podem e devem pedir coisas a Deus. E saber o que pedir é a base da intercessão.  E nós também não sabemos como pedir. E SABER O QUE E COMO PEDIR É A CHAVE PARA UMA VIDA ABUNDANTE.  E nossas fraquezas nos conduzem a orações inadequadas.
Porque um dos mistérios do universo é que só existe transbordar, abundancia de vida para aqueles que intercedem. 

Gastamos por vezes a energia de nossa fé atirando em direções erradas. Utilizamos nossas energias em busca de soluções que não são soluções. Deixamo-nos dominar pela consciência do pecado,  desanimando-nos e desesperançando-nos com a rudeza da vida.

Ou com as dores com as quais a moça Criação se curva. 
Temos (muito) medo a maior parte do tempo, assim como dúvidas  e  desejos contraditórios.
Somos acintosamente atacados pela paixão, ou pelo desejo, ou pelas necessidades do dia a dia, que nos desviam continuamente dos propósitos de Deus para nossa vida.
Então acontece. 
Sua voz é ouvida como um trovão nos nossos interiores.
Ou como um suspiro.
O seu grito ecoa, indignado, orientando.
Seu poder para transformar é manifesto. 
Se quisermos andar segundo a sua voz,  mesmo que eventualmente destroçados pela vida, intercederá a partir do que tiver sobrado.   
Conhecendo os mistérios de Deus (sendo Ele seu próprio coração) fará brotar de nossos lábios palavras eficazes,  motivos superiores. Porque Ele pode pegar destroços e reerguer como edifícios novos.
Quando Deus ouve nossa oração, normalmente será misturada a voz do Espírito.  Por vezes não saberemos o que dizer. Mas aí o coração arderá, mesmo sem palavras, mesmo sem termos a mínima noção porque estamos falando ou agindo de determinada maneira diante das circunstancias.
 Porque o Espírito de Deus se moverá e movendo-se ele, nos moverá com ele. Como na visão de Ezequiel.

Nós possuímos uma perspectiva limitada pelas nossas necessidades. Envoltos nas fraquezas de nossa carne nós geralmente desistimos, nós caímos. Nós recuamos.  Até duvidamos das Escrituras.

O Espírito Santo crê nas Escrituras de um modo incompreensível por nós. Ele conhece os princípios do Poder e da Autoridade num nível que os anjos sequer podem imaginar. Ele compreende nossas fraquezas de um modo tão profundo, como nossos próprios corações. E é ele que intercederá por nós.

Em resumo, quando nós oramos, há um espírito que se manifesta em nosso interior que conhece as intenções de Deus para com nossa vida, e para com o nosso amanhã.

Sujeito capaz de tornar nossas orações em respostas, 
em sinais, 
em prodígios, 
em operações,
em poderes, 
mudando o mundo 
e a vida.
Para que em breve a moça que foi prisioneira,
moça chamada Criação
pare de sentir dor.

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