Genesis 31 – Malhados e salpicados

Genesis 31
Genesis
7 Mas vosso pai me tem enganado, e dez vezes mudou o meu salário; Deus, porém, não lhe permitiu que me fizesse mal.
8 Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todo o rebanho dava salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu salário, então todo o rebanho dava listrados.
9 De modo que Deus tem tirado o gado de vosso pai, e mo tem dado a mim.
10 Pois sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, levantei os olhos e num sonho vi que os bodes que cobriam o rebanho eram listrados, salpicados e malhados.
11 Disse-me o anjo de Deus no sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui.
12 Prosseguiu o anjo: Levanta os teus olhos e vê que todos os bodes que cobrem o rebanho são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo o que Labão te vem fazendo.
13 Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te, pois, sai-te desta terra e volta para a terra da tua parentela. 
Numa familia da antiguidade um jovem de nome Jacó é deserdado pelo pai após tentar usurpar um direito que assistia ao primeiro filho, seu irmão.  Fugindo da ira do irmão ele se dirige para  a arábia e lá encontra após longos dias de viagem um parente dos antepassados de seu pai.  Apaixona-se por uma de suas filhas e por ela decide trabalhar como pastor, desejando ao invés de receber um dote, pagar por ele.
Por muitos anos Jacó trabalhou para seu sogro, um rico dono de rebanhos de animais na arábia.
E em todos os anos de seu trabalho de todas as maneiras seu sogro intentou tirar vantagens, imaginando acordos e negócios que eram sempre desvantajosos para Jacó, com o intuito de fazer com que ele permanecesse para toda vida dependente dele, ou mesmo inviabilizasse qualquer alternativa de vida na qual ele pudesse assumir os próprios rumos de seus negócios.
Labão, pai de Raquel por quem Jacó se apaixonou, lutou incessantemente para que essa independencia financeira jamais fosse alcançada.
Agindo como um comerciante sem pudor, como um gerente desprovido gestão de recursos humanos, propôs negócios e salários,  os quais em qualquer outra situação, teriam conduzido Jacó a bancarrota. Ou mesmo a negociar a venda de sua liberdade.
Labão era certamente conhecedor dos tempos, dos segredos da criação pastoril, das tradições ancestrais adquiridas em centenas de anos de criação de animais no deserto, herança de criadores de gado e de suas técnica passadas de pai para filho, tais como a capacidade de reprodução de determinadas raças e o fruto de cruzamentos que poderiam, em caso de erro,  levar um rebanho a extinção por esterilidade.
Labão, o sogro, encaminhava Jacó sempre para uma recompensa inexistente,  para uma promessa de prosperidade inócua, para uma possibilidade remota de sucesso, conduzindo-o sempre a uma condição desconfortável a nível salarial.
Mas Labão não estava a negociar salário com um orfão.
Jacó tinha um pai. Dois na verdade.
Um que o deserdara.
E um que o adotara como filho.
Esse segundo, Pai celestial que observou as tentativas de um homem destruir o futuro de seu filho.
Então esse Pai intervém na história e transforma a sentença de fracasso em promessas de vida.
transforma a expectativa de insucesso em algo extraordinariamente agregador.
Labão empurra Jacó contra a parede da probabilidade, conduzindo-o sempre na direção do desastre absoluto.
Mas o Pai irá mudar as probabilidades.
E a cada mudança de paradigma, a cada mudança de posicionamento de um comerciante anti-ético, Deus transforma propositalmente uma condição expúria numa condição de abundancia.
Onde tudo dizia ser impossivel de ocorrer, ali Deus multiplicou as possibilidades e mesmo quando todas  as condições do jogo eram modificadas em meio a partida, o Justo Juiz mudava não as regras pre-estabelecidas com base num acordo torto, mas a propria essencia de todo o resto, de todo o resto do universo.
As regras de Labão valiam em seu mundo. Não na esfera do mundo de Deus.
As regras de Labão se baseavam em na experiencia de seus ancestrais.
A resposta de Deus em sua própria eternidade.
Ele imaginava o fracasso para Jacó, mas Deus estabelecia a vida.
Então o improvavel se tornou LEI, a excessão se tornou regra, o impossivel ocorreu e após anos de traição o resultado foi que o rico LABÃO EMPOBRECEU E O POBRE JACÓ
enriqueceu.
Jacó chegou com absolutamente nada.  Passados vinte anos ele agora possuia uma família com cerca de 70 pessoas.   Labão não teria um escravo. E por causa de sua injustiça e ganancia perdeu metade do que possuia.  E o direito de ver seus netos crescerem, porque forçou por suas atitudes ao distanciamento entre as suas gerações e as gerações de suas filhas.
Jacó nos trás a história de um homem que começa como alguém que deseja algo que não é seu por direito e por causa disso perde tudo o que tem.  E que depois, trabalhando para adquirir idoneamente tudo o que amava, mesmo injustiçado, torna-se por amor a uma jovem, tremendamente próspero.
Nas entrelinhas dessa história há uma outra.  Um encontro que transformou a Jacó. Que concedeu a ele sonhos maiores que ele.
Antes de ver a Raquel pela primeira vez, ele teve um encontro com Deus, Um Deus desconhecido a quem ele erigiu uma coluna de pedras sobre a qual derramou azeite.  Jacó partira de sua casa, sozinho, derrotado, abandonado, fugindo sem rumo.  Mas no caminho ele teve uma visão.  Ele teve uma experiencia com Deus. Ele sonhou com uma realidade sobrenatural, e nela creu.
Quando Labão encontrou Jacó vinte anos antes no deserto, o garoto magro, faminto e sujo, um zé-ninguém, um deserdado, não podia imaginar o que ele havia se tornado.
Um homem que agora cria em Deus como nehum outro homem das tribos de Labão poderia imaginar ou entender.
Quem entrava em sua vida fora tocado pelo verdadeiro Deus e por suas promessas.  E por sua graça. E por seu amor.  E pelos seus planos.
Labão viaem Jacó somente um futuro empregado.
Deus via em Jacó toda uma nação. Nele Deus via Israel.
E a fé fruto de uma visão e dos anos de oração no meio da noite, transformariam a história de Labão.
de Raquel, de Lia,
de Jacó.
E até mesmo a nossa história.
Através de um rebanho de ovelhas, balindo por toda a noite.
Um rebanho de ovelhas salpicadas e malhadas…
Welington José Ferreira

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