A HARMONIOSA E RELAXANTE ARTE DA DIGITAÇÃO

A HARMONIOSA E RELAXANTE ARTE DA DIGITÃO

Mem Ex Group

  • Digita essa planilha de
  • custos aqui também. Não esquece de totalizar as colunas e fazer a correção pela variação do dólar. Quanto ao outro texto, o da carta em inglês, preste atenção na carta manuscrita que eu estava com muita pressa na hora de escrever, e pode ser que tenha algum erro. Não esquece de corrigir. Com relação ao memorando, só se preocupe com a itemização, com a pontuação e com os termos técnicos. Sei que ele fala tubulações industriais e de vasos de pressão, mas os termos são normalizados. A normas de soldagem estão aqui. Olha, é tudo pra hoje, dá seu jeito.

Dizendo isso, o gerente saiu…


Aline olha espantada para a tela de seu ultrapassado computador. A tecla Shift já estava caindo de tanto levar pancada. Vez por outra a tela piscava e perdia a cor.

Olha para o relógio no canto da tela. Duas horas para o término do expediente.

Aline sua frio.

Abre quatro janelas ao mesmo tempo. Quase levando seu Windows 95 a bancarrota. Vai exigir mais do que sua poderosa máquina é capaz de outorgar. O telefone não para de tocar. Ela digita o texto em inglês no meio da planilha. Tenta corrigir e o Windows trava. Tenta reiniciar. Uma tela azul dizendo que o micro foi desligado incorretamente aparece. Um tal de Scandisk. Uma barra de execução para em 56 %. Setores ruins foram encontrados. Os olhos de Aline faíscam. Ela manda o software continuar. Ele pergunta se quer salvar as alterações num disquete. Cadê a caixa com disquetes? Sai da sala e vai até a secretaria do setor buscar disquetes. Não tem disquetes. Vai ao setor do outro corredor buscar disquetes. Quando volta o micro apagou. Acalme-se; diz a si mesma. Esbarrou no estabilizador. Religa o micro. Recomeça o suplício.

Enfim aparece a tela de início do Windows. E depois some.

Dois minutos de tensão.

Começa a entrar o Windows. Uma tela de logon solicitando senha aparece. Ela coloca a chave e a senha. Outro minuto de espera. O Windows diz que não tem nenhum servidor disponível pra efetuar o tal do logon.

Acalme-se Aline.

Ela tecla Enter

Aparece a tela de detecção automática de hardware. O Windows encontrou um novo componente. Como assim, novo componente? Ela tenta contornar o detetor, diz que não quer instalar nada. Aparece outra coisa detectada. E depois outra. Enfim começam a aparecer os ícones do sistema. Entra um aviso dizendo que a placa de vídeo está com problemas.

Acalme-se Aline.

O detector de vírus descobriu uma virose. Vírus de macro. No arquivo em que ela estava trabalhando. Quer limpar o arquivo? Ela responde que sim.

O antivírus apaga o arquivo.

Ela põe a testa sobre o mouse. Acaba clicando no ícone do correio. Infelizmente a rede não está entrando e o programa trava. A custa de muito CTRL-ALT-DEL ela destrava o Windows. Recomeça a digitar. Ferozmente. Aparece na porta o cara da CPD dizendo que vai ter um desligamento geral de dez minutos as três e quinze. Ela olha para o relógio. Duas e quarenta e cinco. O telefone toca novamente. Aparece uma tela azul dizendo que houve um erro de sistema. O coração congela. Ela dá um Enter sem esperança e o Windows volta. Acalme-se Aline. A menina da limpeza aparece e esbarra na mesa. Os papéis voam pelo chão. Acalme-se Aline. Dez minutos para o desligamento acontecer. Três dos textos estão adiantados, falta reformatar a tal planilha. A tecla “a” travou no meio do terceiro texto. Duas páginas e dois mil e quinhentos e vinte e dois “a”s depois ela consegue destravar. Quatro minutos para o desligamento. As luzes se apagam. Eles adiantaram o desligamento. O No-break resistiu bem. O micro ainda está ligado. Ela tem cinco minutos para salvar o que digitou antes de perder tudo. Quer dizer, teria se o indicador de energia do No-break indicasse plena carga e não 50%. Começa a tentar terminar e salvar os textos. O protetor de tela entra. Não, agora não, pensou. O No-break começa a piscar. Ela precisa de tempo! Pense Aline! Pense Aline. Decide desligar o monitor para economizar energia, fechar os programas e salvá-los às cegas. Quando está para digitar o último comando o No-break apaga por completo. Três segundos depois seria a vez do micro. Nessa hora a luz retorna. Ela reacende a tela e o último texto ainda está lá. Então suspira aliviada. Entra o gerente e avisa que devido a uma viagem pela manhã já não terá muita urgência dos memorandos. A tela azul de erro fatal do Windows aparece nesse momento. Ela fixa os olhos na tela azul e então olha para o gerente. Na sua mente só aparece a expressão:

Fatal error.

Fatal error.

Fatal error.

Fatal error

By WeLL

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