Certa Palestra de Capacitação

Curso de Capacitação

Palestra inicial do curso, dia 29/09/2008

Essencial que sejamos humanos. Tratar com a dignidade devida as pessoas com as quais manteremos contato durante o longo período de nossa caminhada profissional. A dignidade humana é um valor, que quando ultrajado, é mais nocivo para um Empreendimento Industrial do que qualquer desrespeito a Normas, Padrões, Procedimentos ou itens de Contratos. Além da relação jurídica que temos com os nossos contratados, além da relação técnica que manteremos com diversas disciplinas, representadas por Gerentes, Engenheiros, Técnicos, Administradores, Coordenadores, Responsáveis, e os Executantes, nós estaremos lidando com pessoas. Uma das coisas que falei na palestra inicial, gostaria de relembrar: A primeira Lei: tratar com dignidade as pessoas com as quais estaremos fiscalizando. A segunda grande Lei: jamais esquecer da primeira lei.
Lidar de maneira corajosa com o stress ao qual seremos submetidos. Certamente cada novo empregado desta empresa passará por momentos dramáticos no processo de desenvolvimento profissional. Então a palavra SERENIDADE não é um jargão de auto-ajuda pra lidar com muitas situações. Será uma necessidade constante. Serenidade nas reuniões, para que não haja exasperação, mas uma conduta técnica. A consciência que a autoridade que temos não se demonstra pela força que advém de um contrato, mas pela capacidade de ser coerente, de interpretar corretamente uma norma, um procedimento, um item contratual. A essa capacidade eu denominei de DISCERNIMENTO NORMATIVO. Entender quando e como uma norma se aplica. O reflexo que temos diante de outros técnicos e engenheiros é nosso padrão de comportamento. Se formos coerentes, se agimos com justiça, se a cada decisão espelhamos um padrão de qualidade que é reconhecido, aqueles que fiscalizarmos terão a confiança de nos procurarem para discutir quaisquer assunto técnico.
Outra questão diz respeito aos compromissos assumidos. Não podemos nos comprometer de um modo com um encarregado e de outro com seu supervisor. Não podemos assumir com um técnico de nossa equipe de trabalho determinada posição e diante de nossa gerencia mudarmos o posicionamento. Existe uma questão que definirá como seremos vistos por nossa equipe, pelo grupo por nós fiscalizados e mesmo pelos nossos superiores: Lealdade.
As questões que envolvem lealdade assumem também uma dimensão que vai além da ética, quando ao deparamos com um erro cometido por alguém, temos o cuidado de não expor essa pessoa a um desgaste desnecessário, resolvendo a situação, não como base para que denegrindo o outro, venhamos a ser reconhecidos por sermos melhores. Não expomos ao ridículo a nenhuma pessoa, fazendo festividade do erro alheio. Uma pessoa que é exposta a uma situação desrespeitosa diante de sua equipe é um convite a desmotivação. Jamais exponha um supervisor diante de sua equipe chamando seu trabalho de lixo. Temos casos de pessoas que já foram punidas na empresa porque rasgaram os procedimentos escritos por profissionais, zombando publicamente de sua competência. Ao ver um procedimento que ao seus olhos não possui a Qualidade exigida, reprove o trabalho, evidenciando as falhas do procedimento, tendo uma atitude COOPERATIVA. Mostre onde está a falha, indique o que necessita ser modificado.
Outra questão, a de responsabilidade profissional, passa por várias dimensões. Uma delas diz respeito a segurança de pessoas envolvidas naquilo que é um produto de seu serviço. Se um comentário de projeto, se uma análise preliminar de risco, se uma contingência qualquer necessitar de um aval seu, é importante opinar. Na medida que nos tornamos mais experientes podemos avaliar riscos de forma cada vez mais eficiente, porque vamos acumulando experiência técnica, vivenciando situações operacionais e nos tornando capacitados para reconhecer riscos. Porém no início é necessário o conselho e o apoio de técnicos com maior experiência. Quanto mais desconhecido for um serviço, maior é o cuidado com que deve ser tratado, lendo manuais, rotinas, normas e solicitando o apoio do grupo de SMS tanto por parte da Petrobras quanto da empresa que realiza a atividade. O processo de segurança envolve COMUNICAÇÃO a todas as pessoas envolvidas no processo, nunca tomar uma atitude que ponha em risco a integridade de terceiros. Existem serviços cuja técnica de execução é de domínio da prática, de conhecimento dos encarregados. A postura de um fiscal de empreendimento não é a de um capataz, ele é um ouvinte atento, que não confia na sua capacidade de REALIZAR uma atividade. Podemos COORDENAR, PLANEJAR, SOLICITAR a execução de algo, mas QUEM EXECUTA é que é CAPACITADO a FAZER. Nós fiscalizamos empreendimentos, mas é a mão de obra especializada que irá realizar as atividades de construção deste empreendimento.
Devemos possuir a CORDIALIDADE com todos, e possuir a HUMILDADE de não crer que diplomas, formação, capacitações diversas possam nos tornar SUPERIORES ao grupo que estaremos fiscalizando. Nossa opinião não deve PREVALECER. O consenso deve prevalecer. Nosso grande papel é ADMINISTRAR com maestria as equipes que trabalham conosco, como regentes, não como solistas. Por isso a COOPERAÇÃO entre as equipes de Engenharia, tanto por parte desta empresa quanto da empresas que realizam o serviço, se faz imprescindível.
Os desafios que uma obra industrial apresentam são enormes. Aspectos logísticos, gerenciais, executivos, de fornecimento, prazos, financeiros, legais, contábeis, de engenharia, de coordenação de pessoas, de projeto, de segurança, desafios tecnológicos, ambientais, operacionais. Significa que sem a motivação, sem o elogio, sem o reconhecimento, sem a valorização de pessoas, sem que haja um clima de entrosamento, de confiança, as possibilidades de êxito de um empreendimento são reduzidas a quase nada. Perdas de equipamentos, serviços de péssima qualidade, perda de prazos, acidentes graves, perdas de vidas são o resultado de tal tipo de CONDUÇÃO de EMPREENDIMENTOS. Responsabilidade Social é um conjunto de ações e atitudes que se definem em zelar pela preservação de valores humanos. Por isso, independentemente da atitude que possa vir mesmo de um superior, é importante zelar pelo bem-estar das equipes contratadas. Não se aplica uma política de “respeito pelo terror” onde o fiscal, na prerrogativa contratual que diz que pode exigir a saída de qualquer pessoa que julgar contra os “interesses”de nossa empresa, tentar impor “respeito” na primeira atitude que CONTRARIE uma solicitação. Nossa empresa só interfere na equipe de uma contratada, em casos GRAVES. Desonestidade ,falta de ética nas relações trabalhistas e humanas, expor a risco a trabalhadores, agir contra normas de responsabilidade Social. A postura do fiscal para outras situações é a de orientar, solicitar treinamentos específicos, capacitação, conscientização. Um único ato de injustiça por PARCIALIDADE, questões PESSOAIS, atitude de PREPOTENCIA, ou outra movida por sentimento não ético de qualquer natureza que envolva a dispensa de funcionário da CONTRATADA é algo que DESQUALIFICA a nossa Engenharia. Pode comprometer de maneira irremediável a unidade da equipe.
Uma reunião não é uma arena para luta, não é um ringue. Exponha com requintes de humanidade seus argumentos e não aceite provocações.
Creio ser de grande valor os princípios enunciados pelo FNQ, Fundação Nacional da Qualidade:

1. Pensamento Sistêmico
Entendimento das relações de interdependência entre os diversos componentes de uma organização, bem como entre a organização e o ambiente externo.
2. Aprendizado Organizacional
Busca e alcance de um novo patamar de conhecimento para a organização por meio da percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de experiências.
3. Cultura de Inovação
Promoção de um ambiente favorável à criatividade, experimentação e implementação de novas idéias que possam gerar um diferencial competitivo para a organização.
4. Liderança e Constância de Propósitos
Atuação de forma aberta, democrática, inspiradora e motivadora das pessoas, visando o desenvolvimento da cultura da excelência, a promoção de relações de qualidade e a proteção dos interesses das partes interessadas.
5. Orientação por Processos e Informações
Compreensão e segmentação do conjunto das atividades e processos da organização que agreguem valor para as partes interessadas, sendo que a tomada de decisões e execução de ações deve ter como base a medição e análise do desempenho, levando-se em consideração as informações disponíveis, além de incluir os riscos identificados.
6. Visão de Futuro
Compreensão dos fatores que afetam a organização, seu ecossistema e o ambiente externo no curto e no longo prazo.
7. Geração de Valor
Alcance de resultados consistentes pelo aumento de valor tangível e intangível de forma sustentada para todas as partes interessadas.
8. Valorização das Pessoas
Criação de condições para que as pessoas se realizem profissional e humanamente, maximizando seu desempenho por meio do comprometimento, do desenvolvimento de competências e de espaços para empreender.
9. Conhecimento sobre o Cliente e o Mercado
Conhecimento e entendimento do cliente e do mercado, visando à criação de valor de forma sustentada para o cliente e, conseqüentemente, gerando maior competitividade nos mercados.
10. Desenvolvimento de Parcerias
Desenvolvimento de atividades em conjunto com outras organizações, a partir da plena utilização das competências essenciais de cada uma, objetivando benefícios para ambas as partes.
11. Responsabilidade Social
Atuação que se define pela relação ética e transparente da organização com todos os públicos com os quais ela se relaciona. Refere-se também à inserção da empresa no desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras; respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais como parte integrante da estratégia da organização.

Estes valores devem ser agregados ao presente dos fiscais de implementação de empreendimentos. São pertinentes, mesmo quando não possuímos funções gerenciais.

Outra mensagem que gostaria de deixar é sobre evidenciar as tarefas, para que haja rastreabilidade em atas, emails, tanto das solicitações efetuadas por várias partes, dos acertos realizados com a engenharia da empresa contratada, a origem das modificações de projeto solicitada pelo Cliente, pelos órgãos operacionais, as definições que mudaram Memoriais Descritivos, aprovações diversas realizadas por determinada gerencia. Essa rastreabilidade de informações é essencial para se ter um histórico das modificações, pra resguardar-se de uma opinião ou decisão que fugia de seu limite de competência. Quando realizamos medições é necessário que hajam EVIDENCIAS dos eventos medidos. Essas evidências podem ser um relatório de execução, a emissão de um procedimento, o relatório de recebimento de equipamentos, uma Guia de Remessa de Documentos Técnicos recebida, uma Ata de reunião. Interessante que haja um campo denominado “evidencia” no Boletim de Medição para ajudar a encontrar a referencia em futuras auditorias.
Poderia escrever por semanas. Então fica aqui meus votos de boas- vindas, bem-vindos, que vocês tenham um futuro brilhante. E fico a disposição.

Welington J Ferreira

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