O Livro de Ester



O LIVRO DE ESTER

WELINGTON josé ferreira

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SINOPSE: Os eventos principais da história giram em torno de três festas:

I. A festa de Xerxes (Assuero) e os fatos relacionados com ela.

(1) No sétimo dia, quando o rei estava alegre devido ao vinho, a rainha Vasthi desobedeceu a ordem de aparecer perante os príncipes reunidos, 1:1-12.

(2) O rei, furioso, aceitou o conselho de seus sábios e destronou a rainha, 1:13-22.

(3) Depois da busca, por todo o reino, de uma nova rainha, Ester, uma judia, foi escolhida, 2:1-17.

II. A festa de Ester, eventos preliminares e desenlace final.

(1) Mordecai, o judeu, pai adotivo da rainha, salva a vida do rei, 2:7 e 2:21-23.

(2) A ascensão de Hamã e a recusa de Mordecai de honrá-lo; a fúria de Hamã e sua decisão de destruir a todos os judeus, 3:1-15.

(3) O luto dos judeus por causa do complô de Hamã, 4:1-4.

(4) A determinação heróica de Ester de comparecer perante o rei com um plano em mente que pudesse frustar o complô, 4:5-17.

(5) Ester, ao ser recebida pelo rei, convida a este e a Hamã para uma festa, 5:1-8.

(6) Hamã prepara uma forca para Mordecai, 5:9-14.

(7) Durante uma noite de insônia o rei examina os registros da corte e descobre que Mordecai não havia sido recompensado por haver salvo a vida do rei, 6:1-3.

(8) A vaidade egoísta de Hamã resulta em sua própria humilhação e em grande honra para Mordecai, 6:4-11.

(9) A festa de Ester. Descobre-se o complô de Hamã, e este é pendurado na forca que ele havia preparado para Mordecai, cap. 7.

III. A FESTA DE PURIM.

(1) Eventos preliminares.

(a) O rei autoriza a vingança dos judeus contra s seus inimigos, cap. 8.

(b) A vingança executada, cap. 9.

(2) A festa instituída, 9:20-31.

(3) A exaltação de Mordecai, cap. 10.

A DIVISÃO

Curiosamente, todos os acontecimentos do livro giram em torno das 3 festas, daí, se formam, naturalmente, 3 divisões.

1) O Banquete de Assuero (e sua conseqüência) – Caps. 1 e 2.

a) Um banquete que durou 6 meses (1:1-4)

b) Seguido de uma festa de 7 dias (1:5-8)

c) A nobre recusa da rainha e sua deposição (1:9-22)

d) Entre os Caps 1 e 2, o rei desencadeou o histórico ataque à Grécia, com um exército de 5 milhões, sofrendo terrível derrota.

e) Escolha e entronização de Ester (2:1-20)

f) Mardoqueu salva a vida do Rei (2:21-23)

Notar: “Ester” é nome pérsico e significa: “Estrela do Oriente”. No hebraico o nome era Hadassah, que significa “Murta”.

2) O Banquete de Ester (e sua conseqüência) – Caps. 3 e 7

a) Mardoqueu recusa adorar um descendente de Agague que Samuel matar (3:1-2)

b) Os intrigantes da Corte o contam a Hamá (3:3-4)

c) A conspiração de Hamá (3:5-15)

d) O jejum dos judeus (4:1-4)

e) A mensagem de Mardoqueu a Ester (4:5-14)

f) O jejum de Ester (4:15-17)

g) Ester conferencia com o rei (5:1-8)

h) Hamá conspira para matar Mardoqueu (5:9-14)

i) O que fez o rei na noite de sua insônia (Cap.6)

j) A festa de Ester e o resultado (Cap.7)

3) A festa de Purim (e sua conseqüência) – Caps. 8-10

a) Intercessão e estratégia de Ester para salvar a vida de Israel (Cap.8)

b) Um dia de defesa própria (9:1-19)

c) A festa de Purim instituída e observada pelos judeus desde esse tempo (9:20-32)

d) A grandeza de Mardoqueu (Cap.10)

Notar: Crê-se que a prática de “mandar presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres” no dia de Natal, teve origem na observância habitual dos judeus de assim fazerem durante a Festa de Purim (9:22).


O livro de Ester conta a história de um milagre de salvação que concederá a uma nação escrava o direito de continuar existindo. Consolidado a partir de coisas tão simples tais como a saudade, como a insônia, como por um capricho, ou em virtude de uma grande paixão. Nele releremos a história de Israel e as cenas do seu passado através de situações que definirão de modo espetacular o destino de seus personagens, e mesmo da própria história, onde tragédias se desdobrarão numa impressionante sucessão de acontecimentos, criando as condições necessárias para que um impressionante livramento pudesse ser alcançado. Em Ester veremos atos voluntários e corajosos que mudarão a própria história, acontecendo a partir de condições que independentes da vontade humana, sejam por ser fruto do passado, do nascimento, de condições econômicas e políticas. Uma menina tomada à força para ser a concubina de um rei, sem pais que a protejam, é guardada pelo mesmo dom que a fez ser prisioneira, recebido desde o nascimento. Sua esplendida beleza. E esse dom será a força motriz que transformará o coração de um rei, fortalecido pela ação aparentemente não manifesta do poder e da majestade divina. Deus reinará absoluto através da beleza de uma órfã, sem que uma única vez seu nome seja nomeado no livro de Ester.

Algumas palavras dão a chave para a compreensão de Ester.

Banquetes, Segredo, Salvação, Nobreza, Reino, Rei, Graça, Beleza, Sorte, Vida.

Por sobre o livro pairam vários momentos proféticos, circunstancias fantásticas. É um livro de vários significados, onde atos da história se envolvem para um final espetacular.

Uma menina será tomada a força para servir a um rei com seu próprio corpo. Sem a proteção de um pai, de uma legislação, da proteção de uma cidadania, desprovida de seus pais, ela será um dos mais importantes instrumentos de Deus, na história da humanidade, para preservação de seu povo, de sua mensagem e de seus propósitos.

Ester é o livro dos sentimentos que definem a história. Até mesmo o futuro nascimento de Cristo, será condicionado por uma caminhada de cerca de quarenta passos. A continuação da história da redenção será fruto da saudade do coração de um rei. Passará pelo caminho de uma escolha, sob a luz da beleza excepcional de uma mulher. Se Ester não fosse linda como ela era, se não fosse ela a ganhar a paixão do coração de Assuero, não existiria a nação da qual nascesse o Messias. Maria não teria nascido. Porque na época de sua manifestação, o povo de Israel não existiria mais.

Mas antes de chegarmos a história narrada no livro de Ester é necessário saber algumas coisas sobre a história de Israel.

Israel é o nome dado ao povo judeu, que descende dos doze filhos de Jacó, neto de Abraão. A história do povo judeu se inicia com um chamado sobrenatural feito a Abraaão, um caldeu, morador de uma antiqüíssima cidade chamada Ur.

Gênesis 28:14

A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Traduzir para os originais Hebreu/Grego (também trasliterado com vogais)Concordância Lexicon Strong em Inglês

Abraaão obedece e deixa sua parentela em direção a uma terra que Deus lhe promete conceder. Ele não tem idéia de onde é ou da extensão deste lugar. Mas, caminha em sua direção conforme é ordenado.

Então a história de Ester começaria com uma caminhada de um descendente, que chamado por Deus, obedeceu.

Abraaão era já idoso, juntamente com sua mulher Sara. Mas, na sua velhice Deus operará o milagre de um filho a quem ele chama de Isaque.

A história de Ester passa também por um nascimento impossível, de uma mulher que engravida muito após ter deixado a menopausa.

Quando Isaque está com cerca de quarenta anos, Abraaão envia seu servo Eliezer, mordomo em sua casa, para trazer da casa da parentela que deixara a quase cinqüenta anos, uma mulher para seu filho. O mordomo vai em direção ao antigo lar de Abraaão e quando está próximo, num oásis, tem seus camelos servidos por uma bela jovem. Ela hospitaleiramente trabalha por várias horas para dar de beber para sua caravana de camelos. Ela se chama Rebeca e é sobrinha de Abraão. Quando convidada a ir de encontro a um homem que não conhece, numa terra distante, para ser sua esposa, ela corajosamente aceita.

Ester nascerá um dia, porque Rebeca disse que desejava ir para casar com um homem que não conhecia. O encontro entre ela e Isaque é muito promissor. O primeiro homem que chama atenção de Rebeca quando ela chega às terras onde está o acampamento de Abraão é justamente, Isaque.

De Rebeca nascem dois filhos gêmeos, Jacó e Esaú. Jacó nasce instante depois de Esaú, agarrado com a mão no calcanhar deste. Predileto de sua mãe desde pequeno nasce sem o direito chamado primogenitura, que pertencia ao primeiro filho. A primogenitura dava direito a uma melhor parte da herança e o direito de ser abençoado com as melhores bênçãos pelo pai, antes que este falecesse. Jacó, mais do que o direito a uma herança material maior, ansiava ser o primeiro a ser abençoado. Quando seu pai envelhece e fica cego, arma um estratagema, se disfarçando do mais velho, entra na sua frente e fingindo ser Esaú, a certo custo, consegue receber as bênçãos iniciais que eram proclamadas ao primeiro filho. A partir daí Esaú tentará matá-lo de todos os modos, forçando a um exílio justamente para a terra de onde seu avô havia saído. Lá encontra a um parente chamado Labão e se apaixona por uma belíssima filha de nome Raquel. Jacó trabalha sete anos para dar um dote ao seu sogro, e na festa de casamento é enganado. Durante a noite em meio a festa, já bêbado, lhe foi entregue por esposa a filha mais velha de Labão, de nome Leia. Pela manhã Jacó viu que havia sido enganado, e é forçado a casar com as duas, Raquel e Leia. Cumpre a semana de casamento da primeira e na outra semana realiza a festa da segunda, sendo, no entanto, forçado a trabalhar por mais sete anos para pagar o dote de Raquel.

Ester nascerá um dia porque Jacó amou tanto a Raquel, que não se importou em trabalhar quatorze anos pelo direito de desposá-la.

De suas duas mulheres nascerão doze filhos, que serão os chefes das famílias que formarão as futuras tribos de Israel: Zebulon, Naftali, Simeão, Benjamim, Judá, Rubem, Aser, Gade, Dã, Issacar, José (cujo filho Manassés dará nome a uma das tribos), Efraim.

Dos doze filhos, Raquel dará luz a dois:

José e Benjamim.

Pouco antes do nascimento de Benjamim, Jacó decide retornar a sua família, e reencontrar-se com seu irmão. Cerca de vinte e quatro anos haviam passado, mas não o ódio que Esaú sentia por Jacó. Sabendo disso, ao entrar na terra de seus pais, Jacó se retira a um rio chamado Jaboque, um dos afluentes do rio Jordão (no qual um dia Jesus seria batizado). Num local que poderia atravessar a pé, chamado de vau, luta com um anjo. Fica aleijado por causa da luta, porém é reconhecido como vencedor pelo próprio anjo. Ali seu nome é mudado para ISRAEL – aquele que luta com Deus.

Se Jacó não tivesse vencido aquela luta, Ester no futuro, não teria fé para enfrentar o que teve que enfrentar.

O encontro pelo amanhecer com Esaú é dramático, mas Deus já havia provido mercê aos olhos de seu irmão, cujo plano inicial era realmente eliminar a Jacó.

Nessa época Raquel só possuía um filho, de nome José.

Alguns anos após, a caminho de Ramá para Belém, Raquel dará a luz a BENJAMIM, porém morreria das complicações do parto. Essa criança é uma das chaves do livro de Ester.

Quando Jacó envelhece, há uma grandiosa fome sobre a terra. Por uma rixa entre os irmãos, os filhos que nasceram de Leia venderam a mercadores de escravos a José, primogênito de Raquel. Vinte e poucos anos se passaram e quando chegam ao Egito numa caravana para comprarem comida, o mais alto funcionário Egípcio, ministro da fazenda e encarregado oficial da distribuição de viveres é justamente José.

Os irmãos não o reconhecem. Ele já não fala mais em aramaico, usa intérpretes para não ser reconhecido. José tem muito ressentimento dos irmãos que o venderam como escravo. E só havia deixado de ser um escravo em virtude de dois sonhos, um dado a um companheiro de prisão e outro dado por Deus ao próprio Faraó.

Ester veio a existir porque dois egípcios tiveram sonhos. E porque José recebeu sabedoria para interpretá-los.

José armou um plano para conseguir a guarda do irmão mais novo BENJAMIM, e forjando o roubo de uma taça usada em cerimoniais, obriga aos irmãos a entregarem a Benjamim. Contudo os irmãos tiveram vinte anos para amadurecer e pensarem na asneira que haviam feito ao venderem um de seus irmãos. Um dos responsáveis pela venda de José anos antes, Judá, se ajoelha e implora a liberdade de Benjamim, o último elo entre Jacó e Raquel, que oferecendo-se como escravo. Eles haviam aprendido a lição. José não consegue se conter e se revela diante dos irmãos. O amor de Jacó, de José e o de Judá por Benjamim, definiriam também o futuro de Ester.

Quatrocentos anos após essas cenas Moisés está diante do povo de Israel celebrando a páscoa.

Nove pragas já haviam sido enviadas ao faraó para que libertasse da escravidão a descendência da tribo de Israel. Então viria a décima praga. Era o primeiro mês do calendário de Israel que seria conhecido como mês de NISSAN. Quando foi instituída a Páscoa. Essa data é importante para entender o livro de Ester.

Meses hebraicos

NISSAN…..
YIAR……….. PRIMAVERA
SIVAN……..

TAMUZ……
AB…………… VERÃO
ELUL………..

TISHRI………
HESHVAN…. OUTONO
KISLEV………

TEBET………
SHEBAT…… INVERNO
ADAR………..

Êxodo 12

1 E FALOU o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:

2 Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.

3 Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.

4 Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro.

5 O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras.

6 E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.

7 E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.

8 E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.

9 Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.

10 E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo.

11 Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR.

12 E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR.

Um grande livramento, o milagre da saída de Israel do Egito seria então comemorado pelas gerações futuras no dia 14 de NISÃ.

A páscoa israelita. Deus feriria com seu poder a legitimidade do trono, a maior divindade do próprio Egito, o Faraó. Essa semana é uma semana de comer pães sem fermento, mas Ester dará um BANQUETE no futuro, justamente nessa semana. Esse mês será aquele no qual Hamã lançará sortes para a matança do povo judeu, na qual ele queria sacrificar a nação como um cordeiro. Mas é nela que Ester se levantará se oferecendo como um sacrifício vivo, como uma segunda comemoração pascal, para que pela segunda vez, Israel possa ser vitorioso.

Nessa data que foi sorteada ao acaso para ser a data da extinção do povo judeu será nela que eles conseguirão uma de suas maiores vitórias.

Centenas de anos irão se passar a família que cresceu até ao ponto de se tornar um vastíssimo contingente de pessoas, se tornou um povo, e conquistando as terras prometidas por Deus a Abraão. Deixando de ser cativo do Egito através de Josué tomou posse das cidades de Canaã. Uma vez vencidas inúmeras nações, que possuíam gigantescas máquinas de guerra, suas terras que lhes pertenceram, foram SORTEADAS em herança as tribos de Israel. Sorte possui um significado maior para os judeus. Está relacionado ao SORTEIO das terras por Josué e a HERANÇA que pertenceria às gerações e descendentes futuros PERPETUAMENTE. Eles lançaram sorte para dividir sua herança. No livro de Ester a SORTE seria lançada, mas para retirar a ultima coisa que ainda restava na época para os judeus. Na época de Ester já não eram donos de suas terras. Eram servos do reino da Pérsia, já não tinham DIREITO a terra. Quando Hamã lançar SORTES sobre os judeus será para retirar a única coisa que ainda lhes restava. Sua vida.

Após a conquista, as tribos perderam a identidade nacional. Perderam o vínculo histórico com os sinais miraculosos da época de Moisés e com sua vocação Sacerdotal. Nessa época antiga e confusa, após quatrocentos e trinta anos, Benjamim é uma tribo com milhares de pessoas. E nessa época, 490 anos antes de Ester, irá protagonizar uma nefasta história de terror.

Certo levita se apaixonou por uma moradora de Belém de Efrata, (onde habitavam os descendentes da tribo de Judá) a mesma terra onde morrera Raquel. Tomou-a como esposa, indo para sua terra, as montanhas de Efraim. Após alguns meses de casamento, ela adultera contra ele e torna para a casa de seu pai. O rapaz com saudades decide se reconciliar e vai atrás da mulher que o traiu. Quando chega a Belém, seu sogro faz uma festa e comemora essa reconciliação por quase cinco dias. O levita decide ir embora, levando sua esposa com ele, passa por Jerusalém, que possuía o antigo nome de Jebus e não pertencia ao domínio israelita. Decide dormir numa cidade próxima, há alguns Quilometros de Jerusalém, chamada Gibeá, cidade das terras de Benjamim. Não encontra estalagem e fica vagueando altas horas da noite na perigosa praça da cidade de Gibeá. Lá é encontrado, felizmente, por um EFRAIMITA. Um descendente de EFRAIM que prontamente arruma HOSPEDAGEM para o LEVITA. Há um triste encontro entre EFRAIM e BENJAMIM nas cenas abaixo.

Alguns benjamitas malignos, cinco homens opressos, ao verem a chegada de um forasteiro, um sacerdote levita e sua esposa, resolvem cercar a casa de quem o hospedou (O EFRAIMITA), tanto dele como de sua esposa. Numa atitude mesquinha, o marido levita lança sua esposa para fora da casa e lá ela é abusada até o amanhecer. Quando sai pela manhã para pegá-la e sair da cidade, ela é encontrada morta. O Levita toma a mulher e volta para Efraim. Então num ato aparentemente insano a esquarteja, enviando pedaços dela para cada uma das onze tribos restantes. Aquilo causa uma comoção nacional e os chefes das tribos se reúnem em Efraim, exigindo saber o motivo daquele ato de barbárie e ouvem a história do Levita.

A morte desta menina nunca foi esquecida por Deus, em suas Escrituras. Quase 600 anos depois um profeta relembraria aos judeus que sua conduta lembrava o que eles fizeram na cidade de Gibeá.

Reúnem exércitos de cada tribo e cercam a cidade de Gibeá exigindo a entrega dos homens que cometeram o ato criminoso para que sejam julgados. Os benjamitas se recusam a entregá-los. Há uma guerra então entre as onze tribos e a tribo de Benjamim. Após muitos insucessos, a coalizão vence, a um preço elevado de vidas e a vingança recai sobre toda a região. Dos benjamitas, somente 600 homens de guerra sobrevivem enquanto todas as cidades são incendiadas.

As tribos restantes se dão conta que haviam destruído parte de sua própria história. Na ira que se seguiu a tragédia, eles juraram que não dariam suas filhas como esposas de nenhum benjamita. Enquanto se lamentam uma pessoa tem uma idéia. Eles juraram não DAR suas filhas em casamento. Não juraram que elas não poderiam ser TOMADAS ou RAPTADAS. Havia uma festa da Colheita que várias cidades ainda realizavam. Festividades que aconteciam nas fazendas e nos vinhais. O conselho de guerra soube que uma das cidades de Israel não enviou soldados na convocação. Então permitiram que os sobreviventes benjamitas entrassem nessa cidade na época da festa e que raptassem as mulheres virgens para tomá-las como suas esposas. Eles corriam por entre as árvores, agarravam uma mulher e a atiravam em sua montaria, fugindo logo em seguida. Os moradores da cidade, principalmente os pais das meninas raptadas foram se encontrar revoltados com o conselho recém formado e expuseram sua indignação. Mas foram convencidos que esse era o único meio de que os benjamitas retomassem as terras e continuassem a existir. Dessa cena surgiu um costume de jovens correrem atrás das meninas nas festas das vinhas, para namorá-las.

Se não existisse a festa das vinhas, Ester não teria nascido

Para se entender o livro de Ester é importante também conhecer a ascendência de seu pior inimigo.

Durante todo o tempo de existência da nação israelita, havia um grande inimigo. Um povo chamado Amalequitas.

“E Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque. Estes são os filhos de Ada, mulher de Esaú.” [Gênesis 36:12]

Esaú perdoou a Jacó por sua conduta. Mas não seus descendentes. Um de seus filhos se multiplicará até se tornar uma nação que se tornará um dos maiores inimigos do povo de Israel

Enquanto o povo de Israel estava no processo de fugir do Egito como uma nação ex-escrava, sem possuir um exército organizado para protegê-lo, os amalequitas (filhos de Amaleque) tentaram destruí-lo aproveitando-se dessa fraqueza, inúmeras vezes. Entretanto, Deus interveio e deu à força militar criada às pressas de Israel uma vitória miraculosa. Porém, muito embora eles tenham sido repelidos, aquela nação totalmente pagã dos descendentes de Esaú permaneceu sendo um espinho doloroso no lado de Israel por muitos anos.

Do livro de Juízes extraímos um triste encontro entre BENJAMIM e EFRAIM, na cena de terror da morte da Concubina; Efraim e Benjamim se encontrariam novamente através de um acontecimento profético, cerca de 60 anos depois. Uma jovem estéril, esposa de um EFRAIMITA, pede desesperadamente a DEUS para ter um filho. Chamava-se ANA. Ana era humilhada todos os anos em virtude de não ter filhos, pela outra esposa de seu marido. Faz uma promessa de entregar seu filho para o serviço do sacerdócio se engravidar. Assim acontece. O menino que nasce é chamado de Samuel e ao crescer se torna um grande profeta. Tudo que Samuel dizia que iria acontecer, invariavelmente ocorria. Quando Samuel envelhece, o povo de Israel solicita que ele lhes escolha um rei. O profeta fica indignado, entende aquilo como desrespeito a Deus, ele é que deveria REINAR, não um homem. Deus apazigua o profeta que é enviado em busca de um rei. Um homem de Benjamim chamado QUIS possuía uma junta de burricos que se extraviou. Sempre que perdiam uma coisa importante, se pudessem viajar, os israelitas visitavam a moradia de Samuel e ele orava a Deus para que mostrasse o paradeiro da coisa perdida. Um dos filhos de Quis chamado Saul foi em busca dos burricos e ao passar na terra de Samuel decide consultá-lo. Ele não possui dinheiro para presentear o profeta, não sabe onde encontrá-lo.

Porque um grupo de jumentas se perdeu, a história seria mudada séculos depois por meio de Ester.

Saul é tido nas Escrituras como um dos mais belos homens de Israel. Ele vai de encontro a algumas adolescentes que buscam água fora da cidade, que suspiram ao vê-lo e indicam, com detalhes, em que parte da cidade Samuel poderia ser encontrado. Ao entardecer de determinados dias o mais antigo sacerdote da cidade ofereceria um sacrifício, sobre um altar montado no alto de um monte. Mas não sacrificaria o bezerro, enquanto Samuel não chegasse para abençoar o sacrifício.

Será pela BELEZA extraordinária de Saul todo o povo escolherá o seu REI. Um rei será levantado por sua extrema beleza. Pela beleza extraordinária de ESTER, uma nação será salva, e um rei se curvará.

Deus já havia falado a Samuel que enviaria ao homem que tinha separado para seria o líder. Quando Saul encontra a Samuel no lugar indicado, Deus fala para Samuel que Saul era o homem. E Samuel faz questão de despreocupar a Saul sobre as jumentas de seu pai, ANTES QUE ESTE AS MENCIONE.

Vejam Efraim e Benjamim (Samuel e Saul) se encontrando novamente. Saul é ungido rei, é apresentado de modo tímido ao povo, mas apesar de seu início humilde, não permanece assim. Após alguns anos e devido à tentativa prévia dos amalequitas de destruírem Israel, o rei Saul recebeu a ordem de liderar o exército no combate: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito.” [1 Samuel 15:2;] Depois vieram as especificações da ordem de Deus a Saul e ao exército de Israel:

“Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver; e não o perdoes, porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.” [1 Samuel 15:3;]

Amaleque é descendente de Esaú. Em Amaleque vemos a continuação do ódio de Esaú por Jacó. Por isso quando Ester, benjamita, se levantar contra Hamã, estaremos contemplando a releitura da história, profeticamente, quando Jacó e Esaú ficam novamente face a face.

Ester, benjamita e descendente de Jacó, contra Hamã, o Agagita, descendente de Amaleque… de Esaú.

Assim que o rei Saul recebeu a “ordem de marcha” de Deus, ele não hesitou e imediatamente preparou-se para cumprir Seu comando. Porém, no que serve como um exemplo perfeito da obediência incompleta, o retorno “vitorioso” de Saul da batalha provou ter conseqüências além de sua própria compreensão limitada. Apesar da euforia geral do momento em que os homens exibiam os espólios da guerra, Samuel imediatamente percebeu uma violação muito séria.

“E madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã: e anunciou-se a Samuel, dizendo: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si uma coluna. Então voltando, passou e desceu a Gilgal. Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do SENHOR; cumpri a palavra do SENHOR. Então disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este aos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo poupou ao melhor das ovelhas, e das vacas, para oferecê-las ao SENHOR teu Deus; o resto, porém, temos destruído totalmente.” [1 Samuel 15:12-15; ]

Saul, benjamita falhou em deixar vivos descendentes de Amaleque.

Ele desobedeceu. Falhou de modo decisivo. Porque Deus, que conhece a história, sabia o que iria acontecer em razão dessa desobediência.

E porque Saul que foi separado por Deus para realizar seu propósito falhou, Deus levantará uma menina de sua família, para cumprir o que um dia ele ordenou.

E esse caráter de desobediência foi tomando um caráter de auto-suficiência cada vez maior. Até que Saul já não obedecia mais em nada e desprezava completamente a Deus. Em virtude disso, dessa desobediência, numa guerra contra os filisteus, Saul e seus filhos morrem. Poucos descendentes da família de Saul permanecem. O Novo rei é Davi (descendente de Judá), mesmo duramente perseguido pelo rei Saul, amava seu antigo rei. E também amava sua família. Davi manterá a sua custa, a antiga família real. Em grande parte ela se ressentiria da perda do status real. Um destes parentes ressentidos de Saul chamava-se Simei. Quando Davi envelhece, um de seus filhos Absalão se revolta contra ele. Numa noite é necessário fugir do palácio, da cidade real, Jerusalém, com a pequena parte do exército que ainda é leal. Na saída de Jerusalém, aproveitando-se do momento dramático da vida de Davi, Simei o amaldiçoa.

No segundo livro de Samuel, no Antigo Testamento, há o registro disso, a partir do verso 5 do capítulo 16:

“E, chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando. E atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; ainda que todo o povo e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda. E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue, e homem de Belial. O SENHOR te deu agora a paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar tens reinado; já deu o SENHOR o reino na mão de Absalão teu filho; e eis-te agora na tua desgraça, porque és um homem de sangue. Então disse Abisai, filho de Zeruia, ao rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei meu senhor? Deixa-me passar, e lhe tirarei a cabeça. Disse, porém, o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Ora deixai-o amaldiçoar; pois o SENHOR lhe disse: Amaldiçoa a Davi; quem pois diria: Por que assim fizeste? Disse mais Davi a Abisai, e a todos os seus servos: Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura a minha morte; quanto mais ainda este benjamita? Deixai-o, que amaldiçoe; porque o SENHOR lho disse. Porventura o SENHOR olhará para a minha miséria; e o SENHOR me pagará com bem a sua maldição deste dia. Prosseguiram, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens; e também Simei ia ao longo do monte, defronte dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras contra ele, e levantava poeira. E o rei e todo o povo que ia com ele chegaram cansados, e refrescaram-se ali.”

Davi não faz mal a Simei. Apesar da gravidade de sua atitude, dessa revolta contra um poder legalmente instituído. Por muitos anos ele ainda irá viver e ter uma descendência, até que num ato de desobediência ao filho de Davi, Salomão, ele venha a perecer.

Mas, teve filhos e filhas e uma geração que se perpetuaria por mais de quatrocentos anos.

Porque Davi perdoou a Simei, um dia haveria a chance de uma nação escapar de um genocídio.

Israel tornou-se um reino que veio a se dividir em duas confederações, após a morte de Salomão, filho de Davi, o reino de Israel formado pelas dez tribos que habitavam ao norte, e o Reino de Judá, formado pelas tribos que habitavam ao sul.

As duas tribos que formaram o reino de Judá:

Judá e Benjamim.

Esses fatos narrados atravessam mais de mil anos de história.

Somando os anos:

Saída de Abraão de Ur – 0 anos

Casamento de Isaque – 40 anos

Nascimento de Jacó e Esaú – 60 anos

Casamento de Jacó com Raquel – 100 anos

Nascimento de José – 120 anos

Reencontro de Jacó com Esaú – 125 anos

Nascimento de Benjamim – 127 anos

Venda de José – 130 anos

Reencontro de Judá é José 150 anos

Cativeiro Egípcio – 680 anos

Moisés e o Êxodo – 720 anos

Tempo de Juizes – 1150 anos

Encontro de Samuel com Saul – 1290 anos

Simei Amaldiçoando Davi – 1350 anos

Israel se dividindo em dois reinos – 1400 anos

Israel vai viver nesse estado dividido por 390 anos, totalizando 1790 anos.

Mais 90 anos irão se passar ainda, até que Ester se apresente diante do Rei Assuero.

São quase dois mil anos de história, nos quais situações proféticas acontecem, envolvendo uma descendência milenar.

Nunca na história da humanidade, uma família e sua descendência foi tão documentada. Não há registro de dinastia humana que transponha um espaço de tempo tamanho. Só o fato de estarem registrados tais acontecimentos nas Escrituras já é algo sem precedentes na história humana.

Cerca de 150 anos antes de Ester nascer, a Assíria invadiu Israel e levou cativa às dez tribos do Norte.

87 anos antes de Ester, Babilônia levou cativa o reino que sobrara formado por Judá e benjamim. Por cerca de 70 anos os judeus foram escravizados e perderam suas terras, sua origem, o reino, o governo.

Os benjamitas e descendentes de Judá foram levados cativos para as cidades de Babilônia e Susã. Após cerca de 70 anos de cativeiro babilônico, uma coalizão formado pela Média e pela Pérsia invadiu e destruiu o império babilônico. É durante a dominação persa do território judeu que ocorrem os eventos citados no livro de Ester.

O livro de Ester

O livro de Ester é o livro dos sete banquetes.

O banquete internacional do rei Assuero

O banquete de Assuero para os habitantes de Susã

O banquete das mulheres dado pela rainha Vasthi na casa das mulheres

O banquete internacional da coroação da nova rainha

O primeiro banquete de Ester oferecido ao rei Assuero

O segundo banquete de Ester, onde ela revela sua identidade

E o banquete da festa de Purim, da celebração da salvação

É o livro dos sete editos

O edito do vinho em abundancia

O edito da destituição de Vasthi

O edito da convocação das virgens

O edito da instituição de Ester

O edito de Hamã

O edito de Mardoqueu

O edito de Ester

É o livro das sete festas

Da festa de Assuero aos nobres

Da festa de Assuero aos pobres

Da festa da anunciação de Ester

Da festa das sortes – a festa maligna de Hamã

Da festa espontânea dos judeus no dia de seu livramento

Da festa da posse de Mardoqueu

Da festa de purim

Por 70 anos os judeus sofreram o exílio. Por quase 50 anos Jerusalém, sua capital, lugar do Templo e da adoração nacional ficou absolutamente abandonada. Quando a cidade ainda estava sitiada pelos exércitos do rei da babilônia, um profeta de nome Jeremias avisou que a cidade seria incendiada e que 70 anos se passariam até que os israelitas recebessem permissão de voltar as suas terras. Durante essa época de cativeiro babilônico, um jovem em especial alcançou grande posição como conselheiro real e embaixador na corte babilônica. Chamava-se Daniel. Foi Daniel que orou pelo fim do império de babilônia, com base nas profecias de Jeremias. Ainda estava vivo quando os exércitos do rei Cyro, primeiro grande rei da pérsia, invadiu a fortaleza que era a cidade de Babilônia. Considerado um grande estadista, permaneceu na corte persa até os anos de Dario, filho de Cyro, e viu também o filho que haveria de proceder a Dario. Daniel deve ter seguro a criança no colo várias vezes e se assim o fez, certamente orou por ela. A criança em questão se chamava Assuero em persa, conhecido como Xerxes em grego, que é como os gregos conseguiam pronunciar o nome Assuero. Em persa o nome é mais complicado ainda: Khshayarsh. Os judeus pronunciavam Ahasuerus. Assuero é a versão hebraica e Xerxes a versão grega de Khshayarsh.

Dario, o pai de Assuero quis expandir o império persa até as regiões gregas e realizou grandes guerras. Quando seu filho era ainda adolescente, foi coroado rei, antes que Dario e partisse numa campanha de guerra. Dario não retornou, morrendo durante a batalha, e Assuero assumiu assim o poder, com a morte do pai. Daniel já tinha cerca de 90 anos na época de Dario. Quando Assuero assumiu seu lugar, certamente o grande profeta já não vivia mais.

29 anos depois que Daniel foi levado cativo com a destruição de Jerusalém, um último grupo foi deportado para a cidadela de Susã.

[Godolias/exílio (586/ca.580 a.C.]

Livro de Jeremias

6 que tinha sido levado de Jerusalém com os cativos que foram deportados com Jeconias, rei de Judá, o qual Nabucodonozor, rei de Babilônia, transportara.

Quatro grandes personagens bíblicos estarão vivos, numa determinada época da história. Daniel, Jeremias, Ezequiel e Mardoqueu.

Jeremias é o profeta que por muitos anos avisa ao povo judeu o que estar por vir em virtude de sua desobediência. Ele acompanhou de perto a destruição de Jerusalém. E testemunhou aos primeiros grupos e descendentes reais serem levados cativos até babilônia. Jeremias viu Daniel ser conduzido no cativeiro para lá. Trinta anos após, ele ainda vivia, quando um grupo de refugiados é caçado pelo exército de babilônia. Jeremias é acorrentado junto ao último grupo de deportados que iriam para a Caldéia, para outra cidade chamada Susã. Um dos capitães de guerra o reconhece e manda soltar ao profeta. Jeremias é solto e retorna para sua cidade, o único judeu que é libertado nessa deportação. Ao longe os olhos de uma criança atenta observam a cena. Ela não terá a mesma sorte. Nesse grupo havia uma criança de nome Mardoqueu. Em alguns textos, Mordecai. Mardoqueu é cerca de 30 anos mais jovem que Daniel. Daniel era pertencente à família real. Ele era parente do Rei Davi. Daniel pertencia à tribo de Judá. Mardoqueu era descendente de Quis. E descendente de outro personagem. SIMEI. O homem a quem Davi se recusou a matar por amaldiçoá-lo. Mardoqueu era benjamita e descendente de Simei.

5 Havia então em Susã, a capital, certo judeu, benjamita, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis,

A vida dos deportados era de grandes privações. Os judeus possuíam ainda contra si o fato de que eram estrangeiros pobres que ainda iriam disputar as vagas de um mercado de trabalho saturado, fruto da servidão de muitas nações que eram sufocadas pelas cargas tributárias impostas pela nação conquistadora, a pérsia. Nesse período de crise, parentes próximos de Mardoqueu morreram e deixaram uma filha de sua velhice para que cuidasse. Um tio de Mardoqueu, mais novo que ele, fruto de um filho tardio de uma de suas irmãs, morreu. Ele e sua esposa. Mardoqueu já tinha quase 60 anos quando a menina recém nascida chegou as suas mãos. Ele a batizou de Hadassa. Hadassa significa murta


Um pequeno arbusto que nascia em terra seca.

Os anos se passaram. Os babilônicos foram subjugados por um grande império. O império persa.

PÉRSIA

A civilização persa conheceu grande esplendor com a dinastia aquemênida, que manteve longa disputa com as cidades gregas pela hegemonia na Anatólia e no Mediterrâneo oriental. O território central da civilização persa foi o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico, um dos grandes focos de civilização do rio Indo e da Mesopotâmia. Segundo Heródoto e outros historiadores gregos da antiguidade, o nome ‘Pérsia’ deriva de Perseu, antepassado mitológico dos soberanos daquela região. Desde tempos ancestrais, sucessivos grupos étnicos estabeleceram-se na região. Ao longo do terceiro e do segundo milênios anteriores à era cristã foram formados os reinos dos guti, dos cassitas e dos elamitas, entre outros. No segundo milênio surgiram também as primeiras tribos indo-européias, provavelmente originárias das planícies do sul da Rússia, e no início do primeiro milênio ocorreu a segunda chegada de povos indo-europeus procedentes da Transoxiana e do Cáucaso, entre os quais estavam os medos e os persas. Os dois grupos são mencionados pela primeira vez em inscrições da época do rei assírio Salmanasar III, por volta do ano 835 a.C. Entre os séculos IX e VII a.C. ocorreu o estabelecimento, em solo iraniano, de povos citas chegados através do Cáucaso. Acredita-se que os citas já tivessem se diluído entre os povos árias quando surgiu a figura de Ciaxares, que levou os medos ao auge de seu poderio. Rei dos medos entre 625 e 585 a.C., Ciaxares reorganizou o exército – com a adoção de unidades de arqueiros montados – e, depois de unir suas forças às da Babilônia, enfrentou o poder hegemônico da região, o da Assíria, cuja capital, Nínive, foi destruída em 612. Medos e babilônios dividiram entre si o império assírio. Astíages, que reinou de 585 a 550 a.C., herdou do pai um extenso domínio, que compreendia a planície do Irã e grande parte da Anatólia.

DINASTIA AQUEMÊNIDA

O rei persa Ciro o Grande, da dinastia aquemênida, rebelou-se contra a hegemonia do império medo e em 550 a.C. derrotou Astíages, apoderou-se de todo o país e em seguida empreendeu a expansão de seus domínios. A parte ocidental da Anatólia era ocupada pelo reino da Lídia, ao qual estavam submetidas as colônias gregas da costa da Anatólia. Uma hábil campanha do soberano persa, que enganou o rei lídio Croesus com uma falsa operação de retirada, teve como resultado sua captura, em 546 a.C. A ocupação da Lídia se completou mais tarde com a tomada das cidades gregas, as quais, à exceção de Mileto, resistiram durante vários anos. A ambição de Ciro voltou-se então para a conquista da Babilônia, a poderosa cidade que dominava a Mesopotâmia. Ciro tirou proveito da impopularidade do rei babilônio Nabonido e apresentou-se como eleito pelos deuses da cidade para reger seu destino, e, apoiado pela casta sacerdotal, dominou-a facilmente em 539 a.C. Sucedeu a Ciro o Grande seu filho Cambises II, que em seu reinado, de 529 a 522 a.C., empreendeu a conquista do Egito, então governado pelo faraó Ahmés II, da XXVI dinastia. Ahmés tentou defender suas fronteiras com a ajuda de mercenários gregos, mas, traído por estes, abriu as portas do Egito a Cambises, que cruzou o Sinai e destroçou o exército de Psamético III, sucessor de Ahmés, na batalha de Pelusa. A capital egípcia, Mênfis, caiu em poder dos persas e o faraó foi aprisionado e deportado. Do Egito, Cambises tentou levar a cabo a conquista de Cartago, o poderoso império comercial do Mediterrâneo ocidental, mas a frota fenícia negou-se a colaborar com a campanha, o que a inviabilizou. Ao retornar de uma vitoriosa expedição à Núbia, o exército persa foi dizimado pela fome. Enquanto isso, um impostor, fazendo-se passar por irmão de Cambises, apoderou-se da parte oriental do império. Cambises morreu quando descia o Nilo com o resto de suas tropas. Dario I reinou entre 522 e 486 a.C. Um conselho de nobres persas decidiu reconhecer como herdeiro de Cambises um príncipe da casa real, Dario, que se distinguira como general dos exércitos imperiais por mais de um ano. Os esforços para consolidar-se no trono ocuparam o novo “rei dos reis”, que soube manejar habilmente o castigo e o perdão, até que as forças inimigas foram dizimadas em todo o império. Tão logo se livrou de seus adversários, Dario prosseguiu com a política de expansão e incorporou a seus domínios grandes territórios do noroeste do subcontinente indiano (mais tarde o Paquistão). Depois, as tropas persas tentaram, com pouco êxito, estabelecer o controle das terras litorâneas do mar Negro, para opor obstáculo ao comércio grego. Em 500 a.C., as colônias helênicas da Anatólia se rebelaram contra a autoridade imperial, apoiadas por Atenas. A reação tardou vários anos, mas depois da derrota da frota grega em Mileto, o exército persa recuperou todas as cidades rebeldes. Quando, no entanto, o imperador persa tentou tomar as cidades da Grécia européia, sofreu a derrota de Maratona, em setembro de 490 a.C. Dario começou a recrutar um enorme exército para dominar a Grécia, mas morreu em 486, ao tempo em que a rebelião do Egito proporcionava um repouso aos helênicos. As principais atividades de Dario o Grande à frente do império persa foram as de organização e legislação. Dividiu o império em satrapias (províncias), a cada uma das quais fixou um tributo anual. Para desenvolver o comércio, unificou a moeda e os sistemas de medidas, construiu estradas e explorou novas rotas marítimas. Respeitou as religiões locais e parece ter, ele mesmo, introduzido o zoroastrismo como religião estatal. Deslocou a capital para Susa e construiu um palácio em Persépolis. O exército persa, antes formado mediante recrutamento em tempo de guerra, foi reorganizado por Ciro e depois por Dario, que criaram um exército profissional e permanente, só reforçado por recrutamento geral em caso de guerra. A elite do exército profissional era constituída pelos “dez mil imortais”, guerreiros persas ou medos, dos quais mil integravam a guarda pessoal do imperador. Imperador entre 485 e 465 a.C., Xerxes, filho de Dario I, reprimiu duramente a revolta que abalou o Egito no momento em que subiu ao trono, e abandonou a atitude respeitosa de seu pai frente aos costumes das províncias. Nova revolta, na Babilônia, foi dominada em 482 a.C. Conseguida a pacificação do império, o exército de Xerxes invadiu a Grécia dois anos mais tarde. Depois de vencerem a resistência grega nas Termópilas, os persas tomaram e incendiaram Atenas, mas foram derrotados na batalha naval de Salamina. A derrota de Platéias, em 479 a.C., conduziu ao abandono da Grécia pelas tropas persas. O próprio imperador perdeu o interesse por novas conquistas e dedicou-se à vida palaciana nas capitais do império até 465 a.C

E é no reinado de Assuero, que acontecerá a história que não foi registrada na história da civilização. Onde a história diz que Xerxes se dedicou a vida palaciana, é que nossa história acontece. Deus não registra nenhum dos famosos acontecimentos da história no livro de Ester. Seus olhos não se dirigem para Salamina, Para Grécia, para Roma, para Babilônia. As Escrituras não fazem nenhuma menção a maior guerra náutica que a história humana contemplou. Há uma história maior e mais digna de ser retratada. Não será uma guerra que alterará o curso da história humana. Será um grande amor. Não será um império que definirá o futuro da humanidade. Será uma órfã.

O livro de Ester se inicia num palácio. É nele que se inicia a grande história.

Entrando no palácio.

O rei Assuero realizou uma festa com banquetes que durou cerca de seis meses. Seis meses de festa. Seu propósito era enaltecer seu império, celebrar suas conquistas, a grandiosidade de seu reino, cuja extensão era maior do que de qualquer império conhecido até então. As descrições sobre cada detalhe do palácio persa em Susã são minuciosas. Porque quem descreveu a festa estava presente. No final dos 180 dias, de danças, cânticos, foram convidados todos os moradores da cidadela de Susã, dos arredores do palácio para uma cena impensada. Pela primeira vez o palácio foi aberto a visitantes que não fossem nobres. Por sete dias o povo poderia contemplar o que havia de mais suntuoso na terra. Em determinado momento, para deixar bem claro sua riqueza, e demonstrar sua generosidade, o rei Assuero proclamou o mais interessante dos editos jamais firmados. Escreveu em meio a festa que ordenava que os convidados bebessem do vinho real, até o quanto pudessem agüentar, sem limites. O vinho que seria disponibilizado era caríssimo, escolhido das melhores vinhas dos milhares de Quilometros do reino da pérsia e de usufruto exclusivo dos ministros e altos funcionários da corte real. Durante esse período de festa, como nunca antes deve ter acontecido na terra, além de qualquer festival conhecido, um banquete em separado é dado às mulheres na casa das mulheres. O rei possuía um imenso harém real, com belíssimas concubinas e esposas. A rainha de Assuero era belíssima. Chamava-se Vasthi. No dia de maior abundancia de distribuição de vinho, para culminar a grandiosa festa o rei Assuero, já meio alterado por tanto vinho mandou convocar a rainha Vasthi, para apresentá-la a todos os presentes. Queria mostrar a beleza da mulher mais poderosa da terra, a esposa do rei. Envia então não um, mas sete eunucos, oficiais do alto escalão, únicos homens que podiam entrar no palácio das mulheres – por não poderem gerar filhos, eram castrados quando ainda bebês – até a casa das mulheres para entregar a convocação. Uma honra e um dever, já que só pode se apresentar diante de um rei persa as pessoas que forem pessoalmente por ele convocadas, ou aquelas que ele assim consentir. Para as pessoas que estavam presente aquilo constava ser um grandioso privilégio, o qual para a maioria jamais ocorreria uma segunda vez.



Nesta festa o rei queria ser glorificado. Que na história ficasse claro que nenhum reino jamais se igualou em riqueza ou poder com o dele. Os persas preservavam sua cultura e suas instituições de modo febril A Autoridade e a palavra de um persa eram derivadas de um mesmo conceito: verdade. Desde o berço os persas eram ensinados em artes marciais, em serem administradores e exercerem autoridade no lar, a disciplina sobre os filhos, a autoridade sobre suas mulheres, ao respeito aos compromissos assumidos com a palavra. Para um persa a palavra empenhada era um contrato realizado. Diferente dos gregos, uma sociedade mercantil, baseada em portos e exportações, com os vícios relativos atividade comercial, os persas tinham um apego ao que declaravam, porque até sua religião, o Zoroatrismo, entendia que a mentira era uma arte maligna. Que a palavra tinha o poder de realizar o que dizia. Os persas e seus sacerdotes chamados Magis, entendiam que a palavra possuía o poder de criar, uma capacidade mágica. Os hinos vedas, canções escritas em persa antigo, que é a língua que dá-nos hoje alfabeto hindu, preservam esse vínculo entre o poder da palavra. A autoridade escrita então era um sacramento. As leis persas eram imprescritíveis, e mais ainda a que tivesse saído da boca do rei. Um decreto persa não perdia o valor, e uma vez emitido era irrevogável, mesmo pela pessoa que o escreveu. Uma vez selado com o anel real, nenhuma instancia jurídica, nenhuma corte de apelação poderia anular o que foi determinado. Esta era a razão da extrema organização do arquivo de leis, da biblioteca, da burocracia persa. Porque todas as leis emitidas teriam que estar disponíveis, assim como os decretos emitidos pelos reis persas anteriores. Haviam muitos conselheiros e juristas também para evitar que o próximo rei emitisse uma lei que anulasse um decreto anterior. Porque nem nenhuma lei poderia ser criada para revogar uma lei pré-existente.

No dia em que Assuero convocou Ester, o fez publicamente diante de representantes de todos os países conquistados. Mais de três mil pessoas ouviram a convocação feita a rainha Vasthi. Como por um capricho, ela se recusa a participar da tremenda festa. E Ela disse não. As Escrituras não declaram seus motivos, e é proposital, para que entendamos que foi por um mero capricho que ela assim o quis. Fico imaginando o desespero dos eunucos ao retornarem para contar a recusa formal. O rei fica numa situação muito constrangedora diante dos convidados. Ele possuía poder para dominar sobre toda a Europa, parte da Ásia, Índia, Casaquistão, todo o oriente médio e parte da Grécia, mas não tinha força suficiente diante do capricho de uma mulher. O poder real da pérsia foi ultrajado com a recusa de Vasthi. Seu avô conquistou a Babilônia, ele, entretanto, não conseguia dominar o coração de uma mulher. A fúria do rei é proporcional ao seu ultraje. A descrição é tão vívida quanto se uma pessoa estivesse presenciando a cena. E estava. Vasthi se recusou a desfilar, a expor sua beleza impressionante só por um capricho do rei.

E isso gerou uma crise de estado. Se fosse uma guerra, Assuero saberia o que fazer. Mas contra um capricho? Como o poder de um rei se impõe a quem não o reconhece como tal?

Assuero convoca os juristas mais poderosos de seu reino, os mais sábios homens que conhecia. Não podia tomar uma decisão precipitada, mas não tinha tempo para pensar, antes que a festa acabasse naquela noite, uma resposta tinha que ser levada pelos emissários que testemunharam a cena. Ou o nome de Assuero iria virar piada em 127 idiomas. Os próprios juristas ficaram revoltados e levantaram outra questão. Disseram que Assuero tinha que agir energicamente. Não era só a honra do rei que estava em jogo. Era a autoridade marital que possuíam para com suas mulheres. Eles tiveram temor que tal ato de rebeldia repercutisse em todo o reino e quando espalhasse a notícia, acontecesse o mesmo em suas casas…

Aconselham que o rei se divorcie. Que ela Vasthi perca o status de soberana, de rainha e que nunca mais possa voltar a essa condição. Proscrita. E que isso sirva de lição para nossas mulheres… E que isso seja publicado em 127 línguas…

E assim foi feito. O medo de perder a condição de “senhores” de suas esposas gerou nos conselheiros o aconselhamento ríspido. Esse é o termo em hebraico “baal- senhor” que usam no texto formalizado.

Até esse momento continuamos no palácio. Toda a desfeita e seu resultado acontecem dentro dos palácios. Saindo deles, vamos ver o que acontecerá.

Quatro anos se passaram, na história do mundo veremos Assuero perdendo suas naus numa fracassada investida naval contra o porto de Salamina, a perda de milhares de marinheiros e seu retorno humilhantes com a perda de quase toda sua força naval, evento que impediria a conquista do mundo grego, e que seria dezenas de anos mais tarde a razão da conquista grega do império persa por Alexandre o grande. Mas o livro de Ester não se preocupa com tais fatos. Nada disso é importante. Os eventos proféticos que falam da história são citados nas profecias de Daniel. O interesse do livro é uma história que definirá a história, muito maior que a repercussão dos impérios mundiais que estão por vir. Após quatro anos é dito que Assuero sentiu saudades de Vasthi.

1 Passadas estas coisas e aplacada a ira do rei Assuero, lembrou-se de Vasthi, do que ela fizera e do que se decretara a seu respeito.

E a história da vida irá ser mudada porque Assuero sentiu saudade.

Vemos que ele era apaixonado por Vasthi e se arrependeu amargamente de bani-la para sempre. Mas nada podia fazer. Muitas vezes deve ter ido a casa das mulheres, podia vê-la ao longe, mas ela não podia se aproximar dele, sob pena de morte.

Assuero era um jovem rei. E convoca outro grupo de conselheiros, desta vez, jovens como ele, para que possam aconselhá-lo na resolução de um problema de coração. De um coração partido. Verifique que não chama o primeiro grupo de conselheiros, porque eram eruditos em leis, especialistas levam tempo para se formar, logo eram idosos. Chama então um grupo de conselheiros mais novos que dão luz ao primeiro concurso de beleza da história. Eles aconselham que sejam trazidas adolescentes de todas as partes do império, as mais lindas, e que estas sejam tratadas esteticamente com cosméticos, perfumes, roupas e tratamentos de beleza para que após UM ANO sejam apresentadas ao rei e ele escolha dentre elas a que mais lhe agradar. Essa teria o direito de passar uma noite com o rei e ser separada para ser aquela que seria a nova rainha. Oficiais do rei são enviados para todo o mundo de então com ordens expressas de tomar pela força as jovens que escolherem para assim servir ao rei. E nada pode ser feito para impedi-lo. Mulheres belíssimas serão trazidas de todas as partes do mundo, mas em especial, ali bem próximo ao palácio, na mesma cidade de Susã, reside Hadassa. Hadassa é filha de um tio, prima de Mardoqueu. Ele é que é tutor da bela menina, desde a tenra idade após a morte de seus pais. Hadassa é benjamita como Mardoqueu, órfã e de uma beleza impressionante. Sabendo que certamente Hadassa seria levada cativa Mardoqueu dá uma ordem que mudará o destino de seu povo. Ordena a Hadassa que não revele sua identidade ou sua origem.

Como uma murta


Ester teve um nome adicional: Hadassá. A palavra hebréia hadassá significa “murta”, e é uma das quatro espécies que os judeus usam em Sucot (festa das cabanas). Para os judeus atuais cada planta usada na festa possuía um significado. O etrog (cidra), simboliza e tem forma de coração, o lulav (folha de palma), a espinha dorsal, a aravá (salgueiro), os lábios, e a hadassá, os olhos. Interpretam que os olhos de Ester podiam ver a realidade interna tão claramente quanto nossos olhos vêem a realidade a externa. Seu nome não foi dado aos acaso, e sim representava a última descrição de sua melhor qualidade. Quando olhamos mais de perto a natureza da murta (hadassá) ganhamos uma compreensão clara da natureza íntima de Ester, e em último caso, de nossa própria.

As folhas da murta são verdes e uniformes. Se eu fosse nomear uma criança com um nome de planta (o que é altamente improvável), tenderia a chamá-la de Rosa, Lírio, ou na pior das hipóteses, Margarida, muito antes de chamá-la de Murta ou Hadassá. Aparentemente o nascimento de Ester não ocorreu numa grande época. Talvez tenha coincidido com a morte de sua mãe. O bebê que nasceu tinha uma cor esverdeada, ou envolta em líquido amniótico esverdeado – o que significa problema grave no parto. Ou simplesmente a aparência era comum, ou mesmo feia. Como certo comentário de um blog: “E eu concordo com a Ana, lamento mas os bebês quando nascem são todos feios, vermelhos e enrugados. Têm todos ar de joelho, como dizia um amigo meu. Mas passa-lhes depressa e ficamos todos a babar neles não tarda muito!”

O segredo, o mistério da identidade de Ester mudará o destino da história

Quando ela é levada, perguntam qual é nome da menina, Mardoqueu responderá ESTER. Ester era um nome persa, porque os judeus, assim como os demais habitantes do império recebiam novos nomes como cidadãos persas.

Ester é conduzida junto a centenas de jovens ao palácio. Porém, algo nela distingue-a das demais. Quando Hegai, o eunuco chefe olha para Ester, sente muito afeto pela menina. Talvez pelo choro insistente, pela tragédia de sua história. Uma das chaves do livro de Ester é a palavra SORTE. Tudo até este momento, na vida daquela menina, transpirava má-sorte. Vinda de um povo escravizado, de uma religião que já não possuía um templo, sem os pais, de uma vida de refugiados, agora perdia também sua liberdade. Não teria direito sequer de escolher a pessoa com quem ela iria se casar ou viver. Não poderia dar continuidade a sua genealogia. Para o judeu era importantíssimo suas raízes tribais, sua descendência. Sua identidade com Abraaão e a continuidade das gerações até que nascesse de uma israelita, o desejado, o ungido de Deus conforme profetizado em Isaías. Aquele que libertaria a Israel do jugo do opressor. Já não teria ela sequer essa chance. Porém, quando ela chega ao palácio das mulheres, sozinha com suas poucas vestes, Hegai lhe proporciona tudo que lhe é possível fazer para amenizar sua prisão. Concede-lhe sete servas para cuidarem dela. Para a alegrarem. E por um ano ela será tratada e preparada por Hegai com um único objetivo. Ser a próxima rainha. Antes mesmo da escolha do rei, um eunuco escolheu dentro de si a melhor candidata. E a prepara para seu encontro mais do que a todas as outras. Ele a instrui no que deve levar ao encontro, o que deve vestir, o que deve dizer, como deve se portar. Os dias passam e chega o dia de sua apresentação, no qual será dada como mulher ao rei. Um homem que ela não conhece. Nesse capítulo do livro de Ester é mencionado o nome de seu pai. Abiel. Abiel significa “guerreiro de Deus”. Quando em sua vida Ester mais precisava de seu pai para protegê-la, não podia contar com ele. Mas havia um pai celestial que velava por ela.

Ela é apresentada ao rei, e é despertado nele algo tão profundo, que as Escrituras dizem que o rei a amou mais do que todas as outras. O verbo utilizado é o mesmo da passagem bíblica de Jacó para Raquel. De Isaque para rebeca. Do livro de Cantares de Salomão quando fala do amor entre o Rei e a sua pastora. O mesmo que é usado entre Deus e seu povo, quando fala de amor. Ela alcança Graça diante dos olhos do rei. E então é agraciada com a coroa real. È realizada uma festa, o banquete de coroação, o banquete de Ester, onde se cumpre o desejo do rei, apresentando ao seu reino a beleza de sua nova rainha. Ester cumpria o papel de Vasthi. Em honra a Ester o rei envia presentes a milhares de pessoas em todas as províncias.

Nesse momento somos apresentados a um dos mais nefastos personagens da história.

1 Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, e o exaltou, pondo-lhe o assento acima dos de todos os príncipes que estavam com ele. 2 E todos os servos do rei que estavam à porta do rei se inclinavam e se prostravam perante Hamã, porque assim ordenara o rei a seu respeito: porém Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava.

Sete anos haviam passado entre o casamento de Ester com o rei. Nesses sete anos, Mardoqueu foi comissionado como oficial do palácio e trabalha na porta deste. Houve uma conspiração de dois eunucos que tentaram assassinar ao rei e que ele conseguiu impedir, informando sobre tal acontecimento. E então aparece Hamã. Hamã se tornou o primeiro-ministro de Assuero, o segundo homem mais poderoso do império persa. Sua descendência abre as portas para entender o ódio que ele demonstrará pelo povo judeu. Hamã descendia de um antigo rei. Agagita. Agagita era como eram chamados os descendentes de Agague. Um dos mais poderosos reis do antigo inimigo de Israel. Amaleque. Os mesmos Amalequitas que tentaram diversas vezes destruir a Israel no passado, cuja origem remonta de Esaú, o cabeludo irmão de Jacó Em Hamã vemos a continuidade de uma amargura profética, o desdobrar de um ódio hereditário, entre Esaú e Jacó. Mardoqueu é benjamita, descendente de Jacó. E se ainda existia alguma descendência dos amalequitas na terra é porque Saul havia desobedecido às ordens de Deus dadas através do profeta Samuel. Outra vez as gerações se encontravam. Um descendente de Saul com um descendente de Amaleque. Hamã é tomado de uma fúria colossal, porque Mardoqueu se recusa a reverenciá-lo. Ele não aceita se curvar diante dele, não aceita venerá-lo. Não sabemos as razões internas de Mardoqueu. Mas tal ato é o estopim para um ato de retaliação sem precedentes. Hamã decide se vingar do ultraje, do não reconhecimento.

Porque um homem não se ajoelhou diante dele, ele decide matar toda a geração daquele homem. Toda sua descendência. Todo o seu povo. Hamã intentou e levou a cabo um plano de genocídio, pelo fato banal de não ser reconhecido como autoridade.

Hamã vai para sua casa e faz um ritual diante das divindades persas. Era o mês das sortes, primeiro mês do calendário persa ADAR, do feriado chamado “dia das sortes”. Nessa época os persas realizavam um ritual que haviam aprendido em Babilônia, de lançar sortes diante de uma divindade chamada Marduque, para decidir quais os tempos propícios para realização de negócios. Mardoqueu é originado no nome de Marduque. Foi na época do cativeiro babilônico que Mardoqueu nasceu, e assim como os judeus de sua época, recebeu os nomes babilônicos em homenagem as antigas divindades de Babilônia. Ester nasceu já durante o domínio persa, por isso seu nome é persa. De maneira irônica, Hamã invocava o poder de Marduque para decidir a data e a época da morte do povo de Mardoqueu. Então ele lançará SORTES. Era a época das festividades persas onde várias famílias realizavam sorteios de datas propícias para seus negócios futuros. Hamã reúne-se a sua imensa família, possuía dez filhos, chama os amigos e diante talvez de quase duzentas pessoas ele realiza a celebração da sorte, um rito originado em Babilônia. Os dados que ele lança diante dos convivas, essas peças com números marcados são chamadas de PUR. Hamã lançou os PUR para decidir quando massacraria os judeus. No passado dados antigos, quase mil anos antes destes, foram lançados para decidir que parte da terra pertenceria aos judeus. Nesta celebração lançariam sortes para arrancar a ultima coisa que os judeus ainda possuíam nessa época. O direito a existir. A sorte era lançada para azar dos judeus. Foi então sorteado o último mês daquele ano. Em ADAR. E sorteada a data da destruição, dia 13 de ADAR. Era inverno. A morte chegaria na primavera. Aqui vemos outra “coincidência”. Neste mesmo mês, e nessa mesma data, o cordeiro pascal era sacrificado por Moisés, que corria contra o tempo para espalhar seu sangue sobre os umbrais das portas das casas dos israelitas. Foi o dia da praga que vitimou o filho de faraó e os primogênitos do Egito. Hamã sorteou sem saber, a data da libertação do povo da servidão do Egito. Hamã então foi até o rei Assuero e solicitou uma reunião particular. Propôs a eliminação de um povo que não pagava impostos, que criava rebeliões e que poderia causar uma revolta no império persa. Se não fossem eliminados, poderiam desestruturar a economia do império. Sabendo que a perda de tantas vidas traria um tremendo prejuízo econômica, propôs pagar ao rei de seus próprios bens, uma quantia de dinheiro que equivalia a um terço do dinheiro arrecadado em impostos durante um ano de tributo. Dez mil talentos de prata. Selada fora a sorte do povo judeu. Assuero concede a autorização para a execução do plano. Com a ordem real em suas mãos, o decreto do rei, uma lei de genocídio foi criada.

Uma relação entre sorte e azar, benção e maldição, herança e perdição vão formar um contraponto, uma melodia a duas vozes no livro de Ester.

Órfã – azar

Deportados – azar

Indisposição de Vasthi – azar

Perda da liberdade de Ester – azar

Edito real de destruição – azar

Ser sorteado para morrer – azar

Ser judia numa época assim – azar.

Ser escolhida para ser rainha – sorte

Ter uma beleza indescritível – sorte

Ter o carinho do principal eunuco do rei – sorte

Receber um grupo de servas para seus cuidados – sorte

Estar no palácio e ser a única pessoa na terra capaz de mudar a sorte de uma nação – sorte.

Um rei ter insônia e por causa dela salvar a vida de um homem – sorte.

Sobre a malignidade do decreto de Hamã

O horror institucionalizado

Realizada há 65 anos (artigo de 2007), a Conferência de Wannsee marcou a adoção da “Solução Final da Questão

Há exatos 65 anos – no dia 20 de janeiro de 1942 – ocorreu a Conferência de Wannsee, uma reunião com 14 representantes da administração da Alemanha e do Partido Nazista, dentre os quais Adolf Eichmann, do Ministério Central da Segurança do Reich. Hitler não estava presente. A reunião foi realizada no casarão da Kripo (Krimminalpolizei), a polícia criminal, localizado às margens do Wannsee, um grande lago em Berlim, e tinha o objetivo de discutir um documento a respeito da “Solução Final da Questão Judaica” (“Endlösung der jüdische Frage”), denominado de “Protocolo de Wannsee”.

Desde os Processos de Nuremberg (1945/46), os acusadores acreditavam que o Protocolo de Wannsee representasse o documento-chave do sistema de extermínio nazista, idéia amplamente divulgada até hoje. No entanto, muitos historiadores questionam esse ponto de vista, em especial Mark Roseman. “Primeiro, porque Hitler não estava presente na reunião e aqueles que lá compareceram tinham uma posição muito subalterna para decidir sobre o genocídio. Sobretudo o período indicado era errado, porque o extermínio em massa dos judeus soviéticos havia começado no ano anterior; em Chelmno, desde dezembro de 1941, os judeus passaram a ser mortos com gás, e o campo de extermínio de Belzec já havia sido construído”, escreve (os dois campos ficavam na Polônia). Roseman pergunta: “Qual era então o objetivo da Conferência de Wannsee?”. O protocolo firmado na ocasião também recoloca a questão: o extermínio dos judeus era um objetivo nazista já anteriormente planejado?

As etapas – Holocausto (Shoah) é o conceito utilizado para designar o fenômeno histórico de perseguição, exclusão e extermínio de seis milhões de judeus da Europa, que representavam 65% da população judaica européia da época e 30% da população judaica no mundo. Mais recentemente, a historiografia ampliou o sentido do Holocausto, inserindo nesse fenômeno a perseguição, aprisionamento, trabalho forçado e extermínio dos ciganos. O Holocausto foi um processo que evoluiu por etapas: primeiro definiu-se quem eram os judeus; em seguida eles foram excluídos econômica e socialmente, expropriados, confinados em campos de concentração e guetos, deportados e assassinados. As mortes ocorriam de formas diversas: por fome, doença, fuzilamento, tortura ou uso de gás. Nesse processo, os ciganos sofreram destino e medidas similares.

Na segunda guerra mundial, Hitler conseguiu um documento semelhante. Protocolo de Wannsee. De posse de um acordo com seus signatários, Hitler tinha nas mãos um documento que pode enviar para a morte cerca de seis milhões de pessoas.

Porém o protocolo de Wannsee era limitado. Era juridicamente questionável. Após a guerra os líderes nazistas foram julgados por um tribunal mundial chamado “tribunal de Nurenberg” contra crimes contra a humanidade. Não havia unanimidade na aceitação de tal decreto.

No caso de Hamã, a lei em suas mãos não possuía tribunal a qual pudesse haver uma apelação. Não havia fórum internacional ao qual pudesse ser apresentado, era um tratado de valor internacional e eliminaria judeus em TODA A FACE DA TERRA, ou até onde chegasse o império persa, o que equivalia dizer a mesma coisa. Quando os judeus morreram na segunda guerra, o mundo da época se revoltou e as nações exigiram o julgamento dos culpados. Se Hamã fosse vitorioso, jamais seria julgado pelo que fez. Ele tinha LEGALIDADE INTERNACIONAL para fazer o que estava escrito.

Ao ouvir Mardoqueu se desespera. Uma crise sem precedentes se aproximava dos judeus. Em todas as nações onde chega o decreto, há manifestações de tristeza dos grupos de judeus. Há choro. São uma nação com data marcada para deixar de existir, e sem forças para resistir ao que estava por vir. O decreto concedia “permissão para matar” aos inimigos dos judeus.

Nesses sete anos que se passaram, Ester já não tinha tanto acesso ao rei. Problemas internos, rebeliões, a crise da expansão grega. Ela via pouco ao rei. Os oficiais ouvem falar que Mardoqueu está vestido de saco e cinzas, costume judaico que invocava a tristeza, nas portas do palácio. Ao saber Ester envia roupas limpas e seus encarregados. Mardoqueu conta o que está acontecendo.

4 Quando vieram as moças de Ester e os eunucos lho fizeram saber, a rainha muito se entristeceu; e enviou roupa para Mardoqueu, a fim de que, despindo-lhe o saco, lha vestissem; ele, porém, não a aceitou. 5 Então Ester mandou chamar Hataque, um dos eunucos do rei, que este havia designado para a servir, e o mandou ir ter com Mardoqueu para saber que era aquilo, e por que era. 6 Hataque, pois, saiu a ter com Mardoqueu à praça da cidade, diante da porta do rei; 7 e Mardoqueu lhe fez saber tudo quanto lhe tinha sucedido, como também a soma exata do dinheiro que Hamã prometera pagar ao tesouro do rei pela destruição dos judeus. 8 Também lhe deu a cópia do decreto escrito que se publicara em susã para os destruir, para que a mostrasse a Ester, e lha explicasse, ordenando-lhe que fosse ter com o rei, e lhe pedisse misericórdia e lhe fizesse súplica ao seu povo.

Então solicita a Ester que tome uma atitude e vá até o rei suplicar para que o edito seja anulado. Ela é a única pessoa na terra que pode mudar o curso da história. Ela reenvia seus eunucos até Mardoqueu e diz que não vai. Que não pode ir. Não sem ser convocada. Porque se ela assim o fizer, será morta. E justifica seu medo, dizendo que o rei já não se importa mais com ela. Ele me esqueceu.

11 Todos os servos do rei, e o povo das províncias do rei, bem sabem que, para todo homem ou mulher que entrar à presença do rei no pátio interior sem ser chamado, não há senão uma sentença, a de morte, a menos que o rei estenda para ele o cetro de ouro, para que viva; mas eu já há trinta dias não sou chamada para entrar a ter com o rei. 12 E referiram a Mardoqueu as palavras de Ester.

Mardoqueu então dá uma palavra de fé para o coração de Ester. Ela tem que ir. Ela também está sobre grande risco. É tempo dela tomara uma atitude. Esse era o grande momento de sua vida. Era a hora de Ester.

13 Então Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines que, por estares no palácio do rei, terás mais sorte para escapar do que todos os outros judeus. 14 Pois, se de todo te calares agora, de outra parte se levantarão socorro e livramento para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?

Então ela toma uma atitude, deixando o medo de morrer de lado. Pede que orem e jejuem por ela, que em três dias estará cometendo a loucura de se apresentar sem ser convocada.

No terceiro dia ela se embelezou, colocou suas jóias e se perfumou. Despediu-se das donzelas, abraçou os eunucos e foi até o lugar mais sagrado do palácio de um rei persa. Seu jardim, O jardim sagrado, onde somente entravam uma única vez por ano, os reis e seus convidados, numa festa que simbolizava a chegada da primavera. O jardim era lindíssimo, possuía fontes, pedras, lagos, palmeiras. Árvores e flores. O jardim persa simbolizava o éden. O paraíso que estava marcado na consciência da religião persa. E ali naquele pequeno Éden, Ester caminhou o que imaginava ser sua ultima caminhada. Seu último desfile. Ester significa Estrela em persa. E ali a estrela brilhou. Quando os oficiais olharam uma pessoa de pé no mais sagrado jardim, sem autorização, já sabiam qual seria o seu destino, a não ser que o rei o permitisse, mostrando que não se ofendia com tal quebra do protocolo. O rei olha para sua rainha, e do mesmo modo que se encantou ao vê-la pela primeira vez, se encanta novamente. Ele levanta seu cetro em sua direção. Ela avança e o toca.

Ester se ofereceu como um cordeiro ao sacrifício. Enquanto sua coragem esteve escondida, era uma rainha vivendo como uma escrava. Quando ela se posicionou, finalmente começou a reinar.

O rei pergunta qual o seu desejo disposto a realizar tudo que puder por ela. Ela pede que ele jante com ela. Outro banquete. Que ela oferecerá.

O rei irá até casa das mulheres. E faz o que sua esposa deseja, sem entender porque sua rainha se arriscou daquele modo, o que era tão importante para quebrar o Protocolo?

Ester, porém nada lhe conta no jantar. Ester quer desfrutar da presença do rei. Ela está com saudades. E quer ver até onde ele está disposto a ouvi-la. É argüida pela segunda vez e pede somente que o rei jante com ela pela segunda vez, para que lhe declare o mistério. Mas, nesse segundo jantar, ela exige a presença de Hamã.

Enquanto acontece o primeiro banquete entre o rei e Ester, outro drama acontecerá.

Entre os dois jantares, os dois banquetes oferecidos por ESTER o tempo se acelera, e o ritmo dos acontecimentos muda assustadoramente. Hamã se indigna novamente contra Mardoqueu, ainda mais porque foi procurar o rei e não o encontrou. Vai para sua casa e maquina junto a sua esposa de nome Zaires, como fazer para matar a Mardoqueu antes do tempo determinado. Ainda faltam dez meses, é tempo demasiado para que Mardoqueu viva. (Zaires significa LOIRA). Então ele decide junto de sua família pedir a cabeça de Mardoqueu ainda ao amanhecer do outro dia. Tão certo de ser atendido, que em sua imensa propriedade mandar erguer uma forca com vinte e três metros de altura. E antes do início das atividades administrativas do império, ele solicitará a morte de Mardoqueu para a próxima noite. Seus servos iniciaram a montar a forca quando os oficiais do rei acompanhados de eunucos entregaram a convocação para o banquete de Ester. Na mesma noite em que Mardoqueu será enforcado. Mas Ester nada sabe do está para acontecer. Nem Mardoqueu. Dessa vez não há ação ou atitude a ser tomada. Se Mardoqueu morresse, Ester não saberia o que fazer. E talvez antes que o banquete acontecesse, Mardoqueu já estaria morto.

Anoitece e o rei vai dormir. Mas não consegue. Ele então chama um de seus serviçais e pede que vá até a biblioteca do palácio e leia o livro das crônicas do reino para conseguir dormir. Talvez a leitura de um livro monótono o fizesse dormir. O Eunuco vai até os arquivos reais e toma ao acaso um livro. Abre o rolo de pergaminho e lê um acontecimento de quase cinco anos atrás. Um atentado contra a vida do rei Assuero. Dois eunucos tentaram assassiná-lo, e foram impedidos por um oficial do palácio. Até aquele momento o rei não havia tomado conhecimento do acontecido. O nome do oficial era Mardoqueu. O rei impressionado perguntou que recompensa foi dada ao homem que salvou sal vida. Nenhuma, disse o oficial.

Ao amanhecer, na primeira hora já se encontra ali Hamã para solicitar a morte de Mardoqueu. Consegue permissão para falara ao rei, vaia até sua sala, mas ANTES QUE TENHA A CHANCE DE PEDIR ALGO, é interpelado pelo rei:

. 5 E os servos do rei lhe responderam: Eis que Hamã está esperando no pátio. E disse o rei que entrasse. 6 Hamã, pois, entrou. Perguntou-lhe o rei: Que se fará ao homem a quem o rei se agrada honrar? Então Hamã disse consigo mesmo: A quem se agradaria o rei honrar mais do que a mim? 7 Pelo que disse Hamã ao rei: Para o homem a quem o rei se agrada honrar, 8 sejam trazidos trajes reais que o rei tenha usado, e o cavalo em que o rei costuma andar, e ponha-se-lhe na cabeça uma coroa real; 9 sejam entregues os trajes e o cavalo à mão dum dos príncipes mais nobres do rei, e vistam deles aquele homem a quem o rei se agrada honrar, e façam-no andar montado pela praça da cidade, e proclamem diante dele: Assim se faz ao homem a quem o rei se agrada honrar!

Hamã não sabia de quem o rei estava falando. Pensava que era sobre ele mesmo que o rei falava.

10 Então disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma os trajes e o cavalo como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está sentado à porta do rei; e não deixes falhar coisa alguma de tudo quanto disseste. 11 Hamã, pois, tomou os trajes e o cavalo e vestiu a Mardoqueu, e o fez andar montado pela praça da cidade, e proclamou diante dele: Assim se faz ao homem a quem o rei se agrada honrar!

O feitiço voltava contra seu feiticeiro. Hamã foi ao rei para pedir a morte de seu inimigo, e fora obrigá-lo a honrá-lo diante de toda a cidadela de Susã. E fica enojado do que realizou. Entende que jamais poderá pedir a morte de Mardoqueu, pois estava sobre a proteção do próprio rei. Ao chegar a casa sua própria família, extremamente supersticiosa entende isso como um MAU AGOURO.

12 Depois disto Mardoqueu voltou para a porta do rei; porém Hamã se recolheu a toda pressa para sua casa, lamentando-se e de cabeça coberta. 13 E contou Hamã a Zerés, sua mulher, e a todos os seus amigos tudo quanto lhe tinha sucedido. Então os seus sábios e Zerés, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da linhagem dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes certamente cairás diante dele.

E o tempo de Hamã se esgotou. Zaires ainda falava com Hamã quando sua escolta chegou para levá-lo a um evento no qual não podia deixar de ir.

14 Enquanto estes ainda falavam com ele, chegaram os eunucos do rei, e se apressaram a levar Hamã ao banquete que Ester preparara.

O AZAR BATIA NA PORTA DO HOMEM QUE BASEOU SUA VIDA NA SORTE.

Nesse segundo banquete Ester revela ao rei que há um EDITO que foi feito com intuito da EXTINÇÃO de seu povo. O rei não entende do que se trata. Então pela primeira vez ESTER DECLARA SUA IDENTIDADE. EU SOU JUDIA. O decreto de que falo foi feito por Hamã. E eu estou fadada a morrer por causa dele.

3 Então respondeu a rainha Ester, e disse: Ó rei! se eu tenho alcançado o teu favor, e se parecer bem ao rei, seja-me concedida a minha vida, eis a minha petição, e o meu povo, eis o meu rogo; 4 porque fomos vendidos, eu e o meu povo, para sermos destruídos, mortos e exterminados; se ainda por servos e por servas nos tivessem vendido, eu teria me calado, ainda que o adversário não poderia ter compensado a perda do rei. 5 Então falou o rei Assuero, e disse à rainha Ester: Quem é e onde está esse, cujo coração o instigou a fazer assim? 6 Respondeu Ester: Um adversário e inimigo, este perverso Hamã! Então Hamã ficou aterrorizado perante o rei e a rainha.

O que Ester diz é que seu ministro instituiu uma lei em que mandava matar a sua esposa.

Assuero fica tão indignado que sai para o jardim para pensar no que fazer.

Hamã desesperado se levanta e se ajoelha aos pés de Ester que está assentada num divã. Ele se desequilibra e cai com a cabeça entre as pernas de Ester ou numa posição que assemelha intimidade demasiada. No exato instante em que o rei retorna.

8 Ora, o rei voltou do jardim do palácio à sala do banquete do vinho; e Hamã havia caído prostrado sobre o leito em que estava Ester. Então disse o rei: Porventura quereria ele também violar a rainha perante mim na minha própria casa? Ao sair essa palavra da boca do rei, cobriram a Hamã o rosto. 9 Então disse Harbona, um dos eunucos que serviam diante do rei: Eis que a forca de cinqüenta côvados de altura que Hamã fizera para Mardoqueu, que falara em defesa do rei, está junto à casa de Hamã. Então disse o rei: Enforcai-o nela. 10 Enforcaram-no, pois, na forca que ele tinha preparado para Mardoqueu. Então o furor do rei se aplacou.

O rei entende que Hamã quis estuprar Ester enquanto se ausentara. É o fim de Hamã. É o fim de Agague. É o fim de Amaleque. Jacó venceu mais uma vez. Uma benjamita realiza o cumprimento de algo que Saul não quis realizar.

O homem que lançou sortes para destruir, recebia em troca o azar da ira do rei.

Do momento em que sai de casa naquela manhã até o final trágico de sua vida, já não são seus atos que lhe dirigem o destino. Do amanhecer até a noite, Hamã é conduzido até a situação final. Amanhecia quando foi pedir a cabeça de Hamã, mas não lhe é permitido falar. Gasta o dia inteiro gritando e se cansando na condução da égua real sobre a qual vai Mardoqueu. Quando chega exausto em casa, já anoiteceu. Não tem tempo de tomar nenhuma atitude. Ainda conversava com a esposa sobre o que aconteceu quando os guardas chegaram. Ele vai rouco de tanto gritar o dia inteiro até a presença de Assuero. Ele é perplexado pela declaração da identidade da rainha. No ínterim em que o rei sai para o jardim, o último ato de seu dia de cão, ele tropeça, no exato momento em que o rei lhe vê em péssima situação, agarrado as vestes de sua esposa, ao qual ele havia condenado a morte. Não houve tempo sequer para uma fuga. Porque já havia um instrumento de execução montado em sua própria fazenda. E diante do pátio onde ele lançou as sortes para destruir, morreu.

Mardoqueu então é exaltado e a ele é entregue a posição de ministro que pertenceu a Hamã.

No livro nunca é nomeado o nome de Israel. Porque o reino de Israel já não existe mais. Só restaram os descendentes de Judá e de benjamim, daí serem chamados pelo nome da tribo real. No dia em que Ester se apresentou diante de Assuero, ela representava a Israel. E por sua causa em 1948, milhares de anos depois, os judeus puderam se reunir novamente para formarem uma nação sobre as terras que um dia foram sorteadas, formando novamente o estado de Israel.

Ester se apresenta no outro dia ao rei. Do mesmo modo ousado. Às pressas o rei necessita pela segunda vez levantar o cetro para que Ester “não morra novamente”. Ela chora e suplica ao rei para que anule o Edito. Mas não pode. Nem ele o pode fazer. Então reunido aos seus conselheiros, entendendo que não pode criar uma lei contrária a primeira, que não pode revogar a matança que decretou, decreta a solução para seu edito. Ele não podia deixar de fazer o que foi proposto. Mas nada havia dito sobre a possibilidade dos judeus se

Defenderem. Então o rei cria um segundo Edito. O edito de Mardoqueu. E ele declara que no dia marcado para o povo morrer, que tenham o direito a se defenderem de seus inimigos. Assuero envia armas de seu exército para os judeus de toda parte. Quando Nisã chega, o dia da perdição, dia 13 de Nisã, torna-se pela SEGUNDA vez um dia de grande salvação (tal como a morte dos primogênitos no Egito). Milhares se atiram para massacrar aos judeus. E todos são derrotados. Setenta e cinco mil pessoas morrem, dos combates que se seguem. Os números refletem a história, neles havia uma mensagem MANIFESTA para a pérsia. Ester lembrava a Ishtar deusa da pérsia, Mardoqueu agiu como Marduque, a vitória dos judeus e o número de mortes lembrava o número de vencidos na luta que Dario teve para vencer um terrível inimigo, os magi, a partir do qual houve uma comemoração nacional. Eles viam na vitória dos judeus, as figuras de sua própria religião. Porque Deus tinha um plano oculto, de se revelar também a própria pérsia.

E a partir dessa grande vitória nasceu a festa de Purim.

A alegria tomou conta das comunidades de judeus ao redor do mundo.

Mardoqueu envia cartas instituindo aqueles dias como dias a serem festejados e relembrados.

E então as mãos de Ester determinam também um decreto. Das mãos de uma benjamita, uma ordem.

29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu escreveram cartas com toda a autoridade para confirmar esta segunda carta a respeito de Purim, 30 e enviaram-nas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e de verdade, 31 para confirmar esses dias de Purim nos seus tempos determinados, como o judeu Mardoqueu e a rainha Ester lhes tinham ordenado, e como eles se haviam obrigado por si e pela sua descendência no tocante a seus jejuns e suas lamentações. 32 A ordem de Ester confirmou o que dizia respeito ao Purim; e foi isso registrado nos anais.

E suas palavras foram escritas nos anais da média e da pérsia. A filha de um homem que se chamava guerreiro de Deus, lutou pela vida de sua nação e alcançou vitória. Ester honra a herança de seu pai. Abiel não viveu ou morreu em vão.

Um dia a revelação da identidade de um descendente de Judá seria o bastante para a salvação de um mundo inteiro.

Apocalipse 5:5 “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.”

Esta expressão vem de Gênesis 49:9 “Judá é leãozinho; da presa subiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará?

Jesus é descendente de Judá. É nele que se cumpre a profecia dada á Judá. Ele é que vai ser o leão que vai devorar a morte, cuspir sua ossada e que vencerá para cumprir aos patriarcas o que um dia prometeu.

Paulo em Efésios capítulo 3 anunciava:

8 A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo,
9 E demonstrar a todos qual seja a dispensaçäo do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;
10 Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,
11 Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,
12 No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.

No último momento Ester revela sua identidade e salva sua nação.

Nos últimos dias, Deus revela a identidade de Jesus para salvar a todo homem.

Deus concede forças para Ester caminhar até o jardim, para que o Messias um dia possa nascer.

O Messias caminhará até o Gólgota para que um dia possamos conhecer ao Deus de Ester.

Ester venceu para que um dia Maria pudesse dizer:

Lucas 1:46-54

Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome. E a sua misericórdia é de geração em geração Sobre os que o temem. Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos. Auxiliou a Israel seu servo, Recordando-se da sua misericórdia; Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre.

A festa de Purim é estabelecida em três coisas:

Alegria, Misericórdia e Beneficência.

22 como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês em que se lhes mudou a tristeza em alegria, e o pranto em dia de festa, a fim de que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções escolhidas uns aos outros, e dádivas aos pobres.

A festa de Ester é em CRISTO realizada de modo pleno e espiritual. O Messias é aquele através do qual com alegria, com misericórdia e com seu auxílio, traria para a humanidade alento permanente.

Maria cheia do Espírito Santo Canta a festa de Purim.

A partir dos dias de Ester, a festa de Purim será um novo feriado nacional. O costume de dar presentes e auxiliar os pobres inspirará duas instituições: Natal e a Caridade. As primeiras associações de distribuição e auxílio aos enfermos e distribuição de alimento aos pobres começou a partir de Purim. Na época de Jesus ainda existiam os locais onde praticavam a entrega de dádivas aos pobres. Numa festa de Purim, Jesus está em um lugar chamado Bethesda, onde havia uma piscina de nome Siloé. Bethesda significa “casa da misericórdia” e Siloé – “Enviado”. Na casa da misericórdia, no tanque do Enviado, Durante a festa de Purim, Jesus cura um paralítico que a 38 anos aguarda sentado perto desta fonte.

Judá e Benjamim se encontrando uma vez mais.

O Epitáfio na cruz de JesusA Bíblia em Bytes online – Revista Eletrônica
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Através da Tanach – o nosso Velho Testamento – existem muitos acrósticos fascinantes e outras particularidades textuais que fascinarão o estudante diligente. No Novo Testamento também aparecem os acrósticos que geralmente passam despercebidos.

O significado da palavra acróstico – Uma composição em verso, na qual, a primeira, e alguma vez, a última letra da linha é lida em ordem e forma um nome ou título.


Quando Jesus foi crucificado, Pilatos escreveu a frase que foi posta na cruz. As palavras por eles escolhidas desagradaram as lideranças judaicas que lhe pediram que fossem mudadas. Ele recusou-se. Há alguns aspectos interessantes nesse incidente que não aparecem em nossas traduções em português da Bíblia.


“E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. E muito dos judeus leram esse título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei dos judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi” (Jo 19:19-22).

Pilatos recusou-se a revisar o epitáfio que tinha composto. Ele tem um sentido muito mais amplo que nossas traduções transmitem. O epitáfio em hebraico é mostrado abaixo (lembre-se : o hebraico é lido da direita para a esquerda!).


Há muitos outros exemplos de acrósticos nos textos Bíblicos. Por exemplo, no Livro de Ester o nome de Deus não aparece no texto. Entretanto, é encontrado como acróstico em vários lugares através do texto de Ester. Isso não deveria ser surpresa, pois o nome ESTER significa “alguma coisa oculta”.


O livro de Ester é o único em toda a Bíblia em que o nome de Deus não é mencionado, sequer uma vez. Muito embora o nome de Deus esteja ausente, é evidente que a mão de Deus se faz presente. O Livro todo excede em menções a providência de Deus para com as situações humanas. De tal forma Deus dirigiu a vida das pessoas envolvidas na narração, que Ele colocou a pessoa certa precisa e exatamente no lugar e no momento certo. Como Mordecai observou: “e quem sabe se para tal conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4:14).

Além disso, o Nome de Deus é encontrado no Livro de Ester na forma de um acróstico. Em quatro pontos cruciais da história (1:20; 5:4; 5:13; 7:7), duas vezes para a frente e duas vezes em sentido inverso, o nome de Deus (YHWH) está presente. O judeu devoto certamente reconheceria isto, ao passo que os persas não.

Não poderia deixar de mencionar o fato de que Hamã prometeu 10000 talentos de prata ao rei Assuero para seu ressarcimento pela morte dos judeus. A morte dos judeus não aconteceu. Hamã e seus filhos morreram. E a guarda da casa de hamã, sua fortuna não usada e sua fazenda, assim como sua esposa grega, de nome Zaires, foi entregue a Mardoqueu. O último amalequita não deixou uma descendência. E se Zaire teve outros filhos, eles se tornaram judeus.

Mardoqueu é um tipo de Cristo, um símbolo de Jesus no Velho testamento. Ele também é odiado sem causa por um inimigo de toda a raça humana. Recusa-se a ajoelhar e prestar-lhe qualquer tipo de reverência. Por influencia deste inimigo com o poder temporal, consegue levar ao messias até o madeiro, erguido para sua perdição. Mas é humilhado pela sua ressurreição, e pela glória que o Pai o coroou. Todas as hostes e potestades do inferno, todo o poder do Hamã que caiu do céu é exposto a zombaria, porque não foi capaz de vencer um único ser humano. E Hoje ele é obrigado a carregar a Cristo em triunfo, a cada ser humano liberto de obras de feitiçaria, a cada homem curado na autoridade do nome de Jesus. Sua palavra é um edito maior que as maldições impostas pelo inferno a vida do ser humano. A lei do pecado e da morte teve que dar lugar ao evangelho da vida e da ressurreição. A Igreja de Cristo real, recebeu de seu Mardoqueu celestial o direito de ser livre, de lutar e de vencer. Recebeu o direito de festejar, de cantar e de alegrar-se. Por toda a terra poderes demoníacos são humilhados, quando o nome de Jesus é anunciado com fé e com poder. Por toda a parte se vê se cumprindo as leis que Jesus anunciou.

Pedi e dar-se-vos-á. Tudo o que pedirdes em meu nome eu o farei. Se crerdes e não duvidardes, assim será feito. Em toda parte se verifica que os filhos de Hamã estão mortos. Que a enfermidade, o desespero, a angustia, a depressão, o medo, o pecado, a infelicidade, a opressão, a escravidão a poderes espirituais, acabou. Uma lei maior do que as leis anteriores foi concedida aos que se levantam com ousadia.

Á semelhança de Ester.

O Livro de Ester

Capitulo I

1 Sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até a Etiópia, sobre cento e vinte e seis províncias, 2 que, estando o rei Assuero assentado no seu trono do seu reino em Susã, a capital, 3 no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, estando assim perante ele o poder da Pérsia e da Média, os nobres e os oficiais das províncias. 4 Nessa ocasião ostentou as riquezas do seu glorioso reino, e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, a saber cento e oitenta dias.

5 E, acabado aqueles dias, deu o rei um banquete a todo povo que se achava em Susã, a capital, tanto a grandes como a pequenos, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real. 6 As cortinas eram de pano branco verde e azul celeste, atadas com cordões de linho fino e de púrpura a argola de prata e a colunas de mármore; os leitos eram de ouro e prata sobre um pavimento mosaico de pórfiro, de mármore, de madrepérola e de pedras preciosas. 7 Dava-se de beber em copos de ouro, os quais eram diferentes uns dos outros; e havia vinho real em abundância, segundo a generosidade do rei. 8 E bebiam como estava prescrito, sem constrangimento; pois o rei tinha ordenado a todos os oficiais do palácio que fizessem conforme a vontade de cada um. 9 Também a rainha Vasthi deu um banquete às mulheres no palácio do rei Assuero.

10 Ao sétimo dia, o rei, estando já o seu coração alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigta, Abagta, Zétar e Carcás, os sete eunucos que serviam na presença do rei Assuero, 11 que introduzissem à presença do rei a rainha Vasthi, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua formosura, pois era formosíssima. 12 A rainha Vasthi, porém, recusou atender à ordem do rei dada por intermédio dos eunucos; pelo que o rei muito se enfureceu, e se inflamou de ira.

13 Então perguntou o rei aos sábios que conheciam os tempos (pois assim se tratavam os negócios do rei, na presença de todos os que sabiam a lei e o direito; 14 e os mais chegados a ele eram: Carsena, Setar, Admata, Társis, Meres, Marsena, Memucã, os sete príncipes da Pérsia e da Média, que viam o rosto do rei e ocupavam os primeiros assentos no reino) 15 o que se devia fazer, segundo a lei, à rainha Vasthi, por não haver cumprido a ordem do rei Assuero dada por intermédio dos eunucos. 16 Respondeu Memucã na presença do rei e dos príncipes: Não somente contra o rei pecou a rainha Vasthi, mas também contra todos os príncipes, e contra todos os povos que há em todas as províncias do rei Assuero. 17 Pois o que a rainha fez chegará ao conhecimento de todas as mulheres, induzindo-as a desprezarem seus maridos quando se disser: O rei Assuero mandou que introduzissem à sua presença a rainha Vasthi, e ela não veio. 18 E neste mesmo dia as princesas da Pérsia e da Média, sabendo do que fez a rainha, dirão o mesmo a todos os príncipes do rei; e assim haverá muito desprezo e indignação. 19 Se bem parecer ao rei, saia da sua parte um edito real, e escreva-se entre as leis dos persas e dos medos para que não seja alterado, que Vasthi não entre mais na presença do rei Assuero, e dê o rei os seus direitos de rainha a outra que seja melhor do que ela. 20 E quando o decreto que o rei baixar for publicado em todo o seu reino, grande como é, todas as mulheres darão honra a seus maridos, tanto aos nobres como aos humildes.

21 Pareceu bem este conselho ao rei e aos príncipes; e o rei fez conforme a palavra de Memucã, 22 enviando cartas a todas as províncias do rei, a cada província segundo o seu modo de escrever e a cada povo segundo a sua língua, mandando que cada homem fosse senhor em sua casa, e que falasse segundo a língua de seu povo.

Capitulo II

1 Passadas estas coisas e aplacada a ira do rei Assuero, lembrou-se ele de Vasthi, do que ela fizera e do que se decretara a seu respeito. 2 Então disseram os servos do rei que lhe ministravam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas. 3 Ponha o rei em todas as províncias do seu reino oficiais que ajuntem todas as moças virgens e formosas em Susã, a capital, na casa das mulheres, sob a custódia de Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres; e dêem-se-lhes os seus cosméticos. 4 E a donzela que agradar ao rei seja rainha em lugar de Vasthi. E isso pareceu bem ao rei; e ele assim fez.

5 Havia então em Susã, a capital, certo judeu, benjamita, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, 6 que tinha sido levado de Jerusalém com os cativos que foram deportados com Jeconias, rei de Judá, o qual nabucodonosor, rei de Babilônia, transportara. 7 Criara ele Hadassa, isto é, Ester, filha de seu tio, pois não tinha ela nem pai nem mãe; e era donzela esbelta e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por filha.

8 Tendo se divulgado a ordem do rei e o seu edito, e ajuntando-se muitas donzelas em Susã, a capital, sob a custódia de Hegai, levaram também Ester ao palácio do rei, à custódia de Hegai, guarda das mulheres. 9 E a donzela gradou-lhe, e alcançou o favor dele; pelo que ele se apressou em dar-lhe os cosméticos e os devidos alimentos, como também sete donzelas escolhidas do palácio do rei; e a fez passar com as suas donzelas ao melhor lugar na casa das mulheres. 10 Ester, porém, não tinha declarado o seu povo nem a sua parentela, pois Mardoqueu lhe tinha ordenado que não o declarasse. 11 E cada dia Mardoqueu passeava diante do pátio da casa das mulheres, para lhe informar como Ester passava e do que lhe sucedia.

12 Ora, quando chegava a vez de cada donzela vir ao Rei Assuero, depois que fora feito a cada uma segundo prescrito para as mulheres, por doze meses (pois assim se cumpriam os dias de seus preparativos, a saber, seis meses com óleo de mirra, e seis meses com especiarias e ungüentos em uso entre as mulheres); 13 desta maneira vinha a donzela ao rei: dava-lhe tudo quanto ela quisesse para levar consigo da casa das mulheres para o palácio do rei; 14 à tarde ela entrava, e pela manhã voltava para a segunda casa das mulheres, à custódia de Saasgaz, eunuco do rei, guarda das concubinas; ela não tornava mais ao rei, salvo se o rei desejasse, e fosse ela chamada por nome.

15 Ora, quando chegou a vez de Ester, filha de Abiail, tio de mardoqueu, que a tomara por sua filha, para ir ao rei, coisa nenhuma pediu senão o que indicou Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres. Mas Ester alcançava graça aos olhos de todos quantos a viam. 16 Ester foi levada ao rei Assuero, ao palácio real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano de seu reinado.

17 E o rei amou a Ester mais do que a todas mulheres, e ela alcançou graça e favor diante dele mais do que todas as virgens; de sorte que lhe pôs sobre a cabeça a coroa real, e afez rainha em lugar de Vasthi. 18 Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era um banquete em honra de Ester; e concedeu alívio às províncias, e fez presentes com régia liberalidade.

19 Quando pela segunda vez se ajuntavam as virgens, Mardoqueu estava sentado à porta do rei. 20 Ester, porém, como Mardoqueu lhe ordenara, não tinha declarado a sua parentela nem o seu povo: porque obedecia as ordens de Mardoqueu como quando estava sendo criada em casa dele.

21 Naqueles dias, estando Mardoqueu sentado à porta do rei, dois eunucos do rei, os guardas da porta, Bigtã e Teres, se indignaram e procuravam tirar a vida ao rei Assuero. 22 E veio isto ao conhecimento de Mardoqueu, que revelou à rainha Ester; e Ester o disse ao rei em nome de Mardoqueu. 23 Quando se investigou o negócio e se achou ser verdade, ambos foram enforcados; e isso foi escrito no livro das crônicas perante o rei.

Capitulo III

1 Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, e o exaltou, pondo-lhe o assento acima dos de todos os príncipes que estavam com ele. 2 E todos os servos do rei que estavam à porta do rei se inclinavam e se prostravam perante Hamã, porque assim ordenara o rei a seu respeito: porém Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava. 3 Então os servos do rei que estavam à porta do rei disseram a Mardoqueu: Por que transgrides a ordem do rei? 4 E sucedeu que, dizendo-lhe eles isso dia após dia, e não lhes dando ele ouvidos, o fizeram saber a Hamã, para verem se o procedimento de Mardoqueu seria tolerado; pois ele lhes tinha declarado que era judeu. 5 Vendo, pois, Hamã que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, encheu-se de furor. 6 Mas, achou pouco tirar a vida somente a Mardoqueu; porque lhe haviam declarado o povo de Mardoqueu. Por esse motivo Hamã procurou destruir todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero.

7 No primeiro mês, que é o mês de nisã, no ano duodécimo do rei Assuero, se lançou Pur, isto é, a sorte, perante Hamã, para cada dia e para mês, até o duodécimo, que é o mês de adar. 8 E Hamã disse ao rei Assuero: Existe espalhado e disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumprem as leis do rei; pelo que não convém ao rei tolerá-lo. 9 Se bem parecer ao rei, decrete-se que seja destruído; e eu pagarei dez mil talentos de prata aos encarregados dos negócios do rei, para os recolherem ao tesouro do rei. 10 Então o rei tirou do seu dedo o anel, e o deu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, o inimigo dos judeus; 11 e disse o rei a Hamã: Essa prata te é dada, como também esse povo, para fazeres dele o que bem parecer aos teus olhos.

12 Então foram chamados os secretários do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo e, conforme tudo, quando Hamã ordenou, se escreveu aos sátrapas do rei, e aos governadores que havia sobre todas as províncias, e aos príncipes de todos os povos; a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou. 13 Enviaram-se as cartas pelos correios a todas províncias do rei, para que destruíssem, matassem, e fizessem perecer todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, e para que lhes saqueassem os bens. 14 Uma cópia do documento havia de ser publicada como decreto em cada província, para que todos os povos estivessem preparados para aquele dia. 15 Os correios saíram às pressas segundo a ordem do rei, e o decreto foi proclamado em Susã, a capital. Então, o rei e Hamã se assentaram a beber, mas a cidade de Susã estava perplexa.

Capitulo IV

1 Quando Mardoqueu soube tudo quanto se havia passado, rasgou as suas vestes, vestiu-se de saco e de cinza, e saiu pelo meio da cidade, clamando com grande e amargo clamor; 2 e chegou até diante da porta do rei, pois ninguém vestido de saco podia entrar elas portas do rei. 3 Em todas as províncias aonde chegava a ordem do rei, e o seu decreto, havia entre os judeus grande pranto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos se deitavam em saco e em cinza.

4 Quando vieram as moças de Ester e os eunucos lho fizeram saber, a rainha muito se entristeceu; e enviou roupa para Mardoqueu, a fim de que, despindo-lhe o saco, lha vestissem; ele, porém, não a aceitou. 5 Então Ester mandou chamar Hataque, um dos eunucos do rei, que este havia designado para a servir, e o mandou ir ter com Mardoqueu para saber que era aquilo, e por que era. 6 Hataque, pois, saiu a ter com Mardoqueu à praça da cidade, diante da porta do rei; 7 e Mardoqueu lhe fez saber tudo quanto lhe tinha sucedido, como também a soma exata do dinheiro que Hamã prometera pagar ao tesouro do rei pela destruição dos judeus. 8 Também lhe deu a cópia do decreto escrito que se publicara em susã para os destruir, para que a mostrasse a Ester, e lha explicasse, ordenando-lhe que fosse ter com o rei, e lhe pedisse misericórdia e lhe fizesse súplica ao seu povo.

9 Veio, pois, Hataque, e referiu a Ester as palavras de Mardoqueu. 10 Então falou Ester a Hataque, mandando-o dizer a Mardoqueu: 11 Todos os servos do rei, e o povo das províncias do rei, bem sabem que, para todo homem ou mulher que entrar à presença do rei no pátio interior sem ser chamado, não há senão uma sentença, a de morte, a menos que o rei estenda para ele o cetro de ouro, para que viva; mas eu já há trinta dias não sou chamada para entrar a ter com o rei. 12 E referiram a Mardoqueu as palavras de Ester.

13 Então Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines que, por estares no palácio do rei, terás mais sorte para escapar do que todos os outros judeus. 14 Pois, se de todo te calares agora, de outra parte se levantarão socorro e livramento para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?

15 De novo Ester mandou-os responder a Mardoqueu: 16 Vai, ajunta todos os judeus que se acham em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; e eu e as minhas moças também assim jejuaremos. Depois irei ter com o rei, ainda que isso não é segundo a lei; e se eu perecer, pereci. 17 Então Mardoqueu foi e fez conforme tudo quanto Ester lhe ordenara.

Capitulo V

1 Ao terceiro dia Ester se vestiu de trajes reais, e se pôs no pátio interior do palácio do rei, defronte da sala do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono, na sala real, defronte da entrada. 2 E sucedeu que, vendo o rei à rainha Ester, que estava em pé no pátio, ela alcançou favor dele; e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro que tinha na sua mão. Ester, pois, chegou-se e tocou na ponta do cetro. 3 Então o rei lhe disse: O que é, rainha Ester? qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará. 4 Ester respondeu: Se parecer bem ao rei, venha hoje com Hamã ao banquete que tenho preparado para o rei.

5 Então disse o rei: Fazei Hamã apressar-se para que se cumpra a vontade de Ester. Vieram, pois, o rei e Hamã ao banquete que Ester tinha preparado. 6 De novo disse o rei a Ester, no banquete do vinho: Qual é a tua petição? e ser-te-á concedida; e qual é o teu rogo? e se te dará, ainda que seja metade do reino. 7 Ester respondeu, dizendo; Eis a minha petição e o meu rogo: 8 Se tenho alcançado favor do rei, e se parecer bem ao rei concerder-me a minha petição e cumprir o meu rogo, venha o rei com Hamã ao banquete que lhes hei de preparar, e amanhã farei conforme a palavra do rei.

9 Então naquele dia Hamã saiu alegre e de bom ânimo; porém, vendo Mardoqueu à porta do rei, e que ele não se levantava nem tremia diante dele, Hamã se encheu de furor contra Mardoqueu. 10 Contudo Hamã se refreou, e foi para casa; enviou e mandou vir os seus amigos, e Zéres, sua mulher. 11 E contou-lhes Hamã a glória de suas riquezas, a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido, e como o havia exaltado sobre os príncipes e servos do rei. 12 E acrescentou: Tampouco a rainha Ester a ninguém fez vir com o rei ao banquete que preparou, senão a mim; e também para amanhã estou convidado por ela juntamente com o rei. 13 Todavia tudo isso não me satisfaz, enquanto eu vir o judeu Mardoqueu sentado à porta do rei. 14 Então lhe disseram Zéres, sua mulher, e todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinquenta côvados de altura, e pela manhã dize ao rei que nela seja enforcado Mardoqueu; e então entra alegre com o rei para o banquete. E este conselho agradou a Hamã, que mandou fazer a forca.

Capitulo VI

1 Naquela mesma noite fugiu do rei o sono; então ele mandou trazer o livro de registro das crônicas, as quais se leram diante do rei. 2 E achou-se escrito que Mardoqueu tinha denunciado Bigtã e Teres, dois dos eunucos do rei, guardas da porta, que tinham procurado tirar a vida ao rei Assuero. 3 E o rei perguntou: Que honra, ou dignidade, foi conferida a Mardoqueu por Isso? Responderam os moços do rei que o serviam: Coisa nenhuma se lhe fez. 4 Então disse o rei: Quem está no pátio? Ora, Hamã acabara de entrar no pátio exterior do palácio real para falar com o rei, a fim de que se enforcasse Mardoqueu na forca que lhe tinha preparado. 5 E os servos do rei lhe responderam: Eis que Hamã está esperando no pátio. E disse o rei que entrasse. 6 Hamã, pois, entrou. Perguntou-lhe o rei: Que se fará ao homem a quem o rei se agrada honrar? Então Hamã disse consigo mesmo: A quem se agradaria o rei honrar mais do que a mim? 7 Pelo que disse Hamã ao rei: Para o homem a quem o rei se agrada honrar, 8 sejam trazidos trajes reais que o rei tenha usado, e o cavalo em que o rei costuma andar, e ponha-se-lhe na cabeça uma coroa real; 9 sejam entregues os trajes e o cavalo à mão dum dos príncipes mais nobres do rei, e vistam deles aquele homem a quem o rei se agrada honrar, e façam-no andar montado pela praça da cidade, e proclamem diante dele: Assim se faz ao homem a quem o rei se agrada honrar!

10 Então disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma os trajes e o cavalo como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está sentado à porta do rei; e não deixes falhar coisa alguma de tudo quanto disseste. 11 Hamã, pois, tomou os trajes e o cavalo e vestiu a Mardoqueu, e o fez andar montado pela praça da cidade, e proclamou diante dele: Assim se faz ao homem a quem o rei se agrada honrar!

12 Depois disto Mardoqueu voltou para a porta do rei; porém Hamã se recolheu a toda pressa para sua casa, lamentando-se e de cabeça coberta. 13 E contou Hamã a Zerés, sua mulher, e a todos os seus amigos tudo quanto lhe tinha sucedido. Então os seus sábios e Zerés, sua mulher, lhe disseram: Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da linhagem dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes certamente cairás diante dele.

14 Enquanto estes ainda falavam com ele, chegaram os eunucos do rei, e se apressaram a levar Hamã ao banquete que Ester preparara.

Capitulo VII

1 Entraram, pois, o rei e Hamã para se banquetearem com a rainha Ester. 2 Ainda outra vez disse o rei a Ester, no segundo dia, durante o banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Ester? e ser-te-á concedida; e qual é o teu rogo? Até metade do reino se te dará. 3 Então respondeu a rainha Ester, e disse: Ó rei! se eu tenho alcançado o teu favor, e se parecer bem ao rei, seja-me concedida a minha vida, eis a minha petição, e o meu povo, eis o meu rogo; 4 porque fomos vendidos, eu e o meu povo, para sermos destruídos, mortos e exterminados; se ainda por servos e por servas nos tivessem vendido, eu teria me calado, ainda que o adversário não poderia ter compensado a perda do rei. 5 Então falou o rei Assuero, e disse à rainha Ester: Quem é e onde está esse, cujo coração o instigou a fazer assim? 6 Respondeu Ester: Um adversário e inimigo, este perverso Hamã! Então Hamã ficou aterrorizado perante o rei e a rainha.

7 E o rei, no seu furor, se levantou do banquete do vinho e entrou no jardim do palácio; Hamã, porém, ficou para rogar à rainha Ester pela sua vida, porque viu que já o mal lhe estava determinado pelo rei. 8 Ora, o rei voltou do jardim do palácio à sala do banquete do vinho; e Hamã havia caído prostrado sobre o leito em que estava Ester. Então disse o rei: Porventura quereria ele também violar a rainha perante mim na minha própria casa? Ao sair essa palavra da boca do rei, cobriram a Hamã o rosto. 9 Então disse Harbona, um dos eunucos que serviam diante do rei: Eis que a forca de cinqüenta côvados de altura que Hamã fizera para Mardoqueu, que falara em defesa do rei, está junto à casa de Hamã. Então disse o rei: Enforcai-o nela. 10 Enforcaram-no, pois, na forca que ele tinha preparado para Mardoqueu. Então o furor do rei se aplacou.

Capitulo VIII

1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, o inimigo dos judeus. E Mardoqueu apresentou-se perante o rei, pois Ester tinha declarado o que ele era. 2 O rei tirou o seu anel que ele havia tomado a Hamã, e o deu a Mardoqueu. E Ester encarregou Mardoqueu da casa de Hamã.

3 Tornou Ester a falar perante o rei e, lançando-se-lhe aos pés, com lágrimas suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o intento que este projetara contra os judeus. 4 Então o rei estendeu para Ester o cetro de ouro. Ester, pois, levantou-se e, pondo-se em pé diante do rei, 5 disse: Se parecer bem ao rei, e se eu tenho alcançado o seu favor, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã, filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para destruir os judeus que há em todas as províncias do rei. 6 Pois como poderei ver a calamidade que sobrevirá ao meu povo? ou como poderei ver a destruição da minha parentela? 7 Então disse o rei Assuero à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele enforcaram, porquanto estenderá as mãos contra os judeus.

8 Escrevei vós também a respeito dos judeus, em nome do rei, como vos parecer bem, e selai-o com o anel do rei; pois um documento escrito em nome do rei e selado com o anel do rei não se pode revogar.

9 Então foram chamados os secretários do rei naquele mesmo tempo, no terceiro mês, que é o mês de sivã, no vigésimo terceiro dia; e se escreveu conforme tudo quanto Mardoqueu ordenou a respeito dos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos príncipes das províncias, que se estendem da Índia até a Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever e conforme a tua língua. 10 Mardoqueu escreveu as cartas em nome do rei Assuero e, selando-as com anel do rei, enviou-as pela mão dos correios montados, que cavalgavam sobre ginetes que se usavam no serviço real e que eram da coudelaria do rei. 11 Nestas cartas o rei concedia aos judeus que havia em cada cidade que se reunissem e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e esterminarem todas as forças do povo e da província que os quisessem assaltar, juntamente com os seus pequeninos e as suas mulheres, e que saqueassem os seus bens, 12 num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, do dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar. 13 E uma cópia da carta, que seria divulgada como decreto em todas as províncias, foi publicada entre todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia, a fim de se vingarem de seus inimigos. 14 Partiram, pois, os correios montados em ginetes que se usavam no serviço real, apressados e impelidos pela ordem do rei; e foi proclamado o decreto em Susã, a capital.

15 Então Mardoqueu saiu da presença do rei, vestido de um traje real azul celeste e branco, trazendo uma grande coroa de ouro, e um manto de linho fino e de púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou. 16 E para os judeus houve luz e alegria, gozo e honra. 17 Também em toda a província, e em toda cidade, aonde chegava a ordem do rei ao seu decreto, havia entre os judeus alegria e gozo, banquetes e festas; e muitos, dentre os povos da terra, se fizeram judeus, pois o medo dos judeus tinha caído sobre eles.

Capitulo IX

1 Ora, no duodécimo mês que é o mês de adar, no dia treze do mês, em que a ordem do rei e o seu decreto estavam para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorar-se deles, sucedeu o contrário, de modo que os judeus foram os que se assenhorearam do que os odiavam. 2 Ajuntaram-se, pois os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos. 3 E todos os príncipes das províncias, os sátrapas, os governadores e os que executavam os negócios do rei auxiliavam aos judeus, porque tinha caído sobre eles o medo de Mardoqueu. 4 Pois Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama se espalhava por todas as províncias, porque o homem ia se tornando cada vez mais poderoso. 5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos a golpes de espada, matando-os e destruindo-os; e aos que os odiavam trataram como quiseram. 6 E em Susã, a capital, os judeus mataram e destruíram quinhentos homens; 7 como também mataram Parsandata, Dalfom, Aspata, 8 Porata, Adalia, Aridata, 9 Parmasta, Arisai, Aridai e Vaizata, 10 os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus; porém ao despojo não estederam a mão.

11 Nesse mesmo dia veio ao conhecimento do rei o número dos mortos em Susã, a capital. 12 E disse o rei à rainha Ester: Em Susã, a capital, os judeus mataram e destruíram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã; que não teriam feito nas demais províncias do rei? Agora, qual é a tua petição? e te será concedida; e qual é ainda o teu rogo? e atender-se-á. 13 Respondeu Ester: Se parecer bem ao rei, conceda aos judeus se acham em Susã que façam ainda amanhã conforme o decreto de hoje; e que os dez filhos de Hamã sejam pendurados na forca. 14 Então o rei mandou que assim se fizesse; e foi publicado em edito em Susã, e os dez filhos de Hamã foram dependurados. 15 Os judeus que se achavam em Susã reuniram-se também no dia catorze do mês de adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a mão.

16 Da mesma sorte os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram repouso dos seus inimigos, matando dos que os odiavam setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a mão. 17 Sucedeu isso no dia treze do mês de adar e no dia catorze descansaram, e o fizeram dia de banquetes e de alegria.

18 Mas os judeus que se achavam em Susã se ajuntaram no dia treze como também no dia catorze; e descansaram no dia quinze, fazendo-o dia de banquetes e de alegria. 19 Portanto os judeus das aldeias, que habitam nas cidades não muradas, fazem do dia catorze do mês de adar dia de alegria e de banquetes, e de festas, e dia de mandarem porções escolhidas uns aos outros.

20 mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto e aos de longe, 21 ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos, 22 como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês em que se lhes mudou a tristeza em alegria, e o pranto em dia de festa, a fim de que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções escolhidas uns aos outros, e dádivas aos pobres.

23 E os judeus se comprometeram a fazer como já tinham começado, e como Mardoqueu lhes tinha escrito; 24 porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, o inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir; 25 mas quando isto veio perante o rei, ordenou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus recaísse sobre a sua cabeça, e que ele e seus filhos fossem pendurados na forca. 26 Por isso aqueles dias se chamaram Purim, segundo o nome Pur. portanto, por causa de todas as palavras daquela carta, e do que tinham testemunhado nesse sentido, e do que lhes havia sucedido, 27 os judeus concordaram e se comprometeram por si, sua descendência, e por todos os que haviam de unir-se com eles, a não deixarem de guardar estes dois dias, conforme o que se escreveras a respeito deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos; 28 e a fazerem com que esses dias fossem lembrados e guardados por toda geração, família, província e cidade; e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca perecesse dentre a sua descendência.

29 Então a rainha Ester, filha de Abiail, e o judeu Mardoqueu escreveram cartas com toda a autoridade para confirmar esta segunda carta a respeito de Purim, 30 e enviaram-nas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e de verdade, 31 para confirmar esses dias de Purim nos seus tempos determinados, como o judeu Mardoqueu e a rainha Ester lhes tinham ordenado, e como eles se haviam obrigado por si e pela sua descendência no tocante a seus jejuns e suas lamentações. 32 A ordem de Ester confirmou o que dizia respeito ao Purim; e foi isso registrado nos anais.

Capitulo X

1 O rei Assuero impôs tributo à terra e às ilhas do mar. 2 Quanto a todos os atos do seu poder e do seu valor, e a narrativa completa da grandeza de Mardoqueu, com que o rei o exaltou, porventura não estão eles escritos no livro dos anais dos reis da Média e da Pérsia? 3 Pois o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero, e grande entre os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, porque procurava o bem-estar do seu povo, e falava pela paz de toda sua nação.



Anexo

O livro de Ester foi escrito durante o tempo que decorreu desde o término do templo até à missão de Esdras (516 a 458 a.C.). Xerxes, que neste livro se chama Assuero, filho daquele Dario mencionado em Esdras (Dario Histaspes), ocupava nesta ocasião o trono da Pérsia. A sua tirania acha-se vivamente pintada por Heródoto (iX). Provavelmente as festas descritas no cap. 1 foram efetuadas com o fim de inaugurar a expedição de Xerxes à Grécia, podendo ser, também, que o casamento com Ester, no sétimo ano de seu reinado, se realizasse depois das grandes derrotas dos persas em Salamina, Platéia e Micalé, 480 e 479 a.C. o rei Xerxes, segundo diz Heródoto, consolou-se na sua humilhação com os prazeres do seu harém (iX, 108). A fonte desta narrativa podem ter sido os anais do reino da Pérsia (*veja 2.23 e 6.1). Sendo assim, temos a explicação dos pormenores que ali se dão com respeito ao reino de Xerxes, e a exatidão com que são mencionados os nomes dos seus ministros e dos filhos de Hamã – e essa conjetura também nos dá a razão de serem os judeus somente mencionados na 3ª pessoa, e de ser Ester freqüentemente designada pelo título de ‘a rainha’, e Mordecai pelo epíteto de ‘o judeu’. E tal fonte explicará, também, o tom secular do livro, não sendo uma vez sequer mencionado o nome de Deus. Todavia, embora o nome de Deus não apareça no livro, a Sua mão providencial se vê claramente, impedindo o mal que ameaçava os judeus, dominando-o, e desfazendo o ardil dos maus, para maior bem da família israelita e até dos pagãos (1.2 – 4.10). Seja bem posta em relevo a importância dos fatos descritos: não era somente a segurança dos judeus na Pérsia que estava em perigo – porquanto, se Hamã tivesse conseguido o seu fim, sendo então supremo o poder da Pérsia em Jerusalém e por toda a Ásia, teriam os judeus, provavelmente, perecido em toda parte, e com eles a igreja visível de Deus. A festa de Purim (as Sortes), que os judeus observam com grande regozijo, nos lugares onde vivem, um mês antes da Páscoa, é uma comemoração permanente, como ação de graças por aquela nacional libertação. De manhã é o Megilla de Ester lido e explicado nas sinagogas, sendo o resto do dia destinado a divertimentos e a sessões festivas. Segundo a tradição judaica ‘todas as festas acabarão nos dias do Messias, exceto a festa do Purim’. Alguns têm pensado que Purim é aquela festa mencionada em João 5.1 – a não ser assim, nenhuma referência se faz ao livro de Ester no Novo Testamento. os assuntos deste livro são os seguintes: a elevação de Ester ao trono da Pérsia, para o lugar de Vasthi (1, 2) – a conspiração de Hamã para a destruição dos judeus (3) – a conseqüente aflição dos judeus – o malogro da conspiração de Hamã – o triunfo dos judeus sobre os seus inimigos – a instituição da festa de Purim para comemorar o livramento do povo israelita (4 a 10) – e a exaltação de Mordecai. As lições que nos dá o livro são distintas. Mostra-se nos dois livros, que precedem no Cânon o livro de Ester, a misericórdia do Senhor para com os judeus que voltaram da Babilônia para seu pais. E pelo livro de Ester sabemos que também aqueles que ficaram em países pagãos foram, pela providência de Deus, guardados e defendidos. o livro também nos esclarece sobre a maravilhosa maneira como Aquele que tudo vê, conhecendo o princípio e o fim dos acontecimentos, dispõe as coisas para a execução dos Seus planos. E deste modo exerce o Altíssimo Deus superintendência mesmo sobre os resultados das livres ações dos homens. Além disso, manifesta o livro quão fácil é para Deus ‘derrubar do seu trono os poderosos’ e ‘exaltar os humildes’ – e ensina-nos quão seguro é pôr a nossa confiança em Deus, e andar humildemente com Ele. E, assim, as lições do livro de Ester nos ensinam a reprimir todo o orgulho e vanglória, e nos ministram conforto nas provações, tornando, desse modo, mais firmes a nossa fé e esperança.

Notar:

a) O nome do rei Assuero é mencionado 187 vezes.

b) No Novo Testamento, não se faz nenhuma referência CLARA ao livro.

Nada, dogmaticamente, se pode dizer a respeito do autor. Agostinho atribui o livro a Esdras, o Talmud à Grande Sinagoga.

Possivelmente, o livro for escrito por Mardoqueu (9:20).

Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor. Cânticos 2:4

A história de Ester em Cordel (Academia brasileira de literatura em Cordel)

História da Rainha Esther
Autor:
Arievaldo Viana

Supremo Ser Incriado
Santo Deus Onipotente
Manda teus raios de luz
Ilumina a minha mente
Para transformar em versos
Uma história comovente

Falo da vida de Ester
Que na Bíblia está descrita
Era uma judia virtuosa
E extremamente bonita
Por obra e graça divina
Teve venturosa dita

Foi durante o cativeiro
Do grande povo Judeu
Um rei chamado Assuero
Naqueles tempos viveu
E com o nome de Xerxes
Na História apareceu.

O rei Assuero tinha
Pelo costume pagão
Um harém com muitas musas
As mais belas da nação
Mas era a rainha Vasthi
Dona do seu coração.

Porém a rainha Vasthi
Caiu no seu desagrado
Pois embora fosse bela
Não cumpriu um seu mandado
Vasthi, durante um banquete
Não quis ficar a seu lado.

Com isto o Rei Assuero
Bastante se enfureceu
Mandou buscar outras moças
E por fim ele escolheu
Esther, a bela judia
Sobrinha de Mardoqueu.

Porque os seus conselheiros
Consideraram uma ofensa
A bela rainha Vasthi
Não vir a sua presença
Perdeu a rainha o posto
Foi esta a dura sentença.

Ester era flor mais bela
Filha do povo judeu
Porém perdeu os seus pais
Logo depois que nasceu
Foi viver na companhia
De seu tio Mardoqueu.

Dentre as mulheres mais belas
Ester foi a escolhida
Pra ser a nova Rainha
Pelo rei foi preferida
Mardoqueu disse à sobrinha:
– Não revele a sua vida!

– Pois nosso povo é cativo
E vive na opressão
Talvez o rei não a queira
Vendo a sua condição
É melhor guardar segredo
Sobre seu povo e nação.

Não pretendo alongar-me,
Porém vos digo o que sei:
Mardoqueu era versado
Na ciência e na Lei
Trabalhava no palácio
Era empregado do rei.

Mardoqueu um dia soube
Que dois guardas do portão
Tramavam secretamente
Perversa conspiração
Eram Bagatã e Tares
Homens de mau coração.

Tramavam matar o rei
E Mardoqueu descobriu
A conversa dos dois homens
Ele sem querer ouviu
Foi avisar a Ester
E ela ao rei preveniu.

Assuero indignado
Com esta conspiração
Mandou ligeiro prender
Os dois guardas do portão
Eles descobriram tudo
Quando os pôs em confissão

Os dois guardas receberam
Um castigo exemplar
Provada a sua traição
O rei os manda enforcar
Depois mandou os escribas
Em seus anais registrar.

Mardoqueu perante o rei
Subiu muito de conceito
Deu-lhe o rei um alto posto
Por ser honrado e direito
Por isso era invejado
Por Aman, um mau sujeito.

Este Aman de quem vos falo
Era o Primeiro Ministro
Um dos homens mais perversos
De quem se teve registro
Tramava contra os judeus
Um plano mau e sinistro.

Por força de um decreto
Queria que o povo inteiro
Se ajoelhasse a seus pés
Sendo ele um embusteiro
Queria ser adorado
Igual ao Deus Verdadeiro.

Isso era um grande martírio
Para a raça dos judeus
Porque só dobram os joelhos
Em adoração a Deus
Fato que desperta a ira
Dos pagãos e dos ateus.

O Ministro indignou-se
Com todo o povo judeu
Porque não obedeciam
Aquele decreto seu
Pensava em aniquilar
A raça de Mardoqueu.

Mandou baixar um Edito
Marcando a hora e o dia
Para o povo ajoelhar-se
Porém Aman não sabia
Que a bela rainha Ester
Era uma princesa judia.

Mardoqueu leu o decreto
Gelou de medo e pavor
Comunicou a Ester
Que Aman, em seu furor
Queria exterminar
A raça do Redentor.

– Querida Ester, disse ele
Venho triste lhe contar
Que o Primeiro Ministro
Jura por Marduk e Isthar
Que o nosso povo judeu
Decidiu eliminar.

– Esse Decreto já foi
Pelo rei sancionado
Armou para nós a forca
O dia já está marcado
Matará todo judeu
Que não ver ajoelhado.

– Meu tio, responde Ester
Eu nada posso evitar
Pois quem se apresenta ao rei
Sem ele próprio chamar
Por um decreto real
Manda na hora enforcar.

Deixemos aqui Ester
Lamentando pesarosa
Vamos tratar de Aman
Criatura orgulhosa
E saber o que tramava
Esta cobra venenosa.

Disse ele a Assuero:
– Há um povo no reinado
Que tem um costume estranho
Não cumpre nenhum mandado
Que fira algum mandamento
Por seu Deus determinado.

– Constitui um mau exemplo
Para outros povos e assim
Considero que este povo
Viver conosco é ruim
Eu quero a tua licença
Porque quer dar-lhes fim.

Lavrou-se então o decreto
Do extermínio judeu
Aman pegou uma cópia
E em praça pública leu
Somente por ter inveja
Da glória de Mardoqueu.

Naquela noite Assuero
Não podendo dormir mais
Mandou chamar seus escribas
Para lerem os editais
Entre estes documentos
Encontravam-se os Anais.

O leitor sabe que o rei
Foi salvo de um atentado
Por dois porteiros teria
Sido ele assassinado
Se não fosse Mardoqueu
Ter o caso desvendado.

Pergunta então Assuero
Depois que o escriba leu
Os anais onde constavam
Os feitos de Mardoqueu:
– Me diga qual foi o prêmio
Que este homem recebeu?

– Nenhum prêmio, majestade…
Responde o escriba ao rei
Então Assuero disse:
– Agora compensarei
O grande favor prestado,
Gratidão é uma lei!

No outro dia Aman
Foi ao Palácio enredar
Quando Assuero o viu
Tratou de lhe perguntar:
– Que deve ser feito ao homem
Que o rei pretende honrar?

Pensando que era pra si
Aquela grande honraria
Aman disse: – Majestade
Eis então o que eu faria
Com minhas roupas reais
Este homem eu vestiria

Depois o faria montar
Um cavalo ajaezado
Com os arreios de ouro
E o brasão do reinado
Por alguém muito importante
Ele seria puxado.

E nas ruas da cidade
O guia deve bradar
Assim o rei Assuero
Manda agora publicar:
– Este é um homem de bem
Que o rei pretende honrar!

– Muito bem, diz Assuero
Bonito plano, este seu
Mande selar meu cavalo
Da forma que concebeu
E nele faça montar
Nosso amigo Mardoqueu.

Aman ficou constrangido
Mas resolveu perguntar
Qual o homem, majestade
Que o cavalo irá guiar
Disse o rei: – És tu, Aman
Quem o deve anunciar.

Aman saiu se mordendo
Foi o cavalo arrear
Depois mandou Mardoqueu
Sobre o mesmo se montar
Mas intimamente dizia
Em breve irei me vingar.

E pelas ruas de Susa
Foi Mardoqueu aclamado
Vestindo as roupas reais
Num bom cavalo montado
E pelo ministro Aman
O ginete era puxado.

O leitor deve lembrar
Que Ester, a bela rainha
Já sabia do decreto
E qual a sorte mesquinha
Destinada a seu povo
Porém o medo a detinha.

Há dias que ela esperava
Uma oportunidade
Para falar com o rei
Contar-lhe toda a verdade
E, em favor de seu povo
Implorar-lhe a piedade.

Mas o tempo ia passando
Como o rei não a chamou
A dura pena de morte
Decida ela enfrentou
Foi à presença do rei
Lá chegando se curvou.

Disse o rei: – Minha querida
A lei não é para ti
Não temas, pois não pretendo
Fazer qualquer mal a si
Diga-me logo o que queres
Porque tu vieste aqui?

Disse ela: – Majestade
Viva em paz, a governar
O motivo que me trouxe
É que vim de convidar
Para um singelo banquete
Que pretendo preparar.

Este banquete eu vou dar
Na noite de amanhã
Quero apenas que convides
O nosso ministro Aman
Espero que não me faltes
Espero com grande afã.

Disse o rei: – Vá sossegada
Por certo, não faltarei
Ao banquete que darás
Como sem falta eu irei
E o Primeiro Ministro
Em breve convidarei.

Ester não disse mais nada
Tratou de se retirar
Chamou as suas criadas
Foi depressa preparar
O banquete que em breve
Ela haveria de dar.

No outro dia Aman
Pelo rei foi convidado
Porém, como ignorava
O que estava preparado
Compareceu orgulhoso
Bastante lisonjeado.

Na presença do ministro
Assuero perguntou
Diz-me agora, ó rainha
Por que razão me chamou?
Então Ester decidida
Por esta forma falou:

– Majestade eu tenho a honra
De ser a tua consorte
Porém a mão do destino
Quer turvar a minha sorte
Porque o meu próprio povo
Está condenado à morte!

Diz o rei: – Quem concebeu
Este plano tão malvado?
Por que motivo o teu povo
À morte foi condenado?
Disse ela: Foi Aman
Ele é o grande culpado!

Pois este homem se julga
Acima do próprio Deus
Quer que todos se ajoelhem
E cumpram os desígnios seus
Por isso ele planeja
Exterminar os judeus.

Quando ela disse aquilo
Aman não pôde falar
Tremia ali de pavor
Sem puder se explicar
E o rei indignado
O mandou encarcerar.

No outro dia Aman
À morte foi condenado
Na forca que ele havia
Pra Mardoqueu preparado
Por um capricho da sorte
Foi nela própria enforcado.

FIM

Assuero é tido pela história como um derrotado. Ele será o culpado pelo fracasso bélico que um dia daria condição para a derrocada do grandioso império persa. Ele sempre será lembrado pelo fracasso de sua marinha de guerra na desastrosa batalha de Salamina. Assuero, Xerxes em grego, será lembrado de modo desonroso na batalha das termópilas, a batalha dos trezentos soldados espartanos, onde teve a perda de um razoável contingente de soldados diante de poucos e bem disciplinados soldados gregos.

Mas que o mundo inteiro saiba. Que a maior vitória de Xerxes não foi alcançada através da espada. E sim através de seu coração. Ele é o rei que proporcionou por causa do amor de uma jovem, a bem-aventurança do nascimento do Messias. Seu amor por Ester mudou a história da humanidade. Mudará o futuro do planeta terra. Mais do que a maioria dos líderes ou reis que existiram, poderão um dia se gabar.

Agradecimentos ao espetacular livro de Sandro Gallazzi, Ester – A mulher que enfrentou o palácio, Da coleção comentário bíblico AT da editora Vozes, impresso por Editora Vozes, Impressa Metodista, Editora Sinodal, Petrópolis, 1987.

Adendo: Como é comemorado Purim atualmente pelos judeus

Ingredientes de Purim

Leitura da Meguilá

Ingredientes:

Ouça a leitura da Meguilá (em 2007) sábado à noite, dia 3 de março e na manhã de domingo, dia 4 de março. As duas leituras são obrigatórias para cumprir a mitsvá (preceito).

Opcional:


Leve seu reco-reco para fazer barulho quando o nome de Haman for mencionado.

Modo de fazer:

Informe-se em sua sinagoga sobre os horários da leitura.

Dicas:
Para reviver os milagrosos eventos de Purim, ouvimos atentamente a leitura da Meguilá (Rolo de Ester).

Prestamos muita atenção às bênçãos da leitura da Meguilá, respondendo amém. As bênçãos são pronunciadas pelo ledor, em nome de toda congregação. A leitura é ouvida atentamente para não perder uma única palavra.

2. Envio de alimentos para amigos

Ingredientes:Para compôr o Mishlôach Manot são necessários duas espécies de alimentos casher, pelos quais se recita diferentes berachot (bênçãos), prontos para serem ingeridos:

Hamotsi
pão, matsá e chalá

Hagafên
vinho e suco de uva

Mezonot
produtos derivados de cereais, exceto o pão; ex.: bolo, biscoitos, bolachas

Haêts
frutas que nascem em árvores; ex.: castanha de caju, nozes e cereja

Haadamá
frutas que nascem da terra; ex.: banana, abacaxi, melão, amendoim

Shehacol
chocolate, bala e todos os líquidos, exceto vinho

Modo de fazer:

Se possível, enviar através de um terceiro, mulheres para mulheres e homens para homens durante o dia de Purim.

Dicas:
Em Purim enfatizamos o mérito da união e amizade, enviando aos amigos dádivas sob a forma de alimentos. Remeta a pelo menos um amigo, como presente, no decorrer do dia, através de uma terceira pessoa, pelo menos duas espécies comestíveis (no mínimo, 30g de sólidos e 86ml de líqüidos) casher e prontas para comer.

3. Presentes para os necessitados

Ingredientes:
Separar donativo para, no mínimo, duas pessoas carentes.

Modo de fazer:

Doar diretamente para duas pessoas carentes durante o dia de Purim. Na impossibilidade, pôr o dinheiro numa caixinha de tsedacá.

Observação:
Esta é a mitsvá mais importante de Purim!

Dicas:
Interesse e dedicação para com os necessitados é uma relevante responsabilidade e mitsvá essencial para praticar durante o ano todo. Mas, particularmente em Purim, a mitsvá mais importante é lembrar-se dos menos afortunados.

A melhor maneira de cumprir esta mitsvá é através da doação direta e no próprio dia de Purim.

4. Participe de uma refeição festiva

Ingredientes:
Como em todas as festas, uma refeição especial é feita para celebrar Purim quando familiares e amigos se reúnem para comemorar a data.

Modo de fazer:

Neste ano (2007) será na domingo, dia 4 de março. Inclua pão, carne, creplach (pasteizinhos de carne) e vinho na refeição: são os itens principais!

Dicas:
Nesta refeição deve-se beber uma quantidade de vinho maior do que de costume, para

Mas há um dia ao ano no qual desfrutamos acesso imediato e direto a verdades ocultas. Esse dia é Purim. O judeu que se alegra nesta ocasião – se alegra na sua ligação inequívoca com D’us. Não precisa mais racionalizar sobre a diferença entre “amaldiçoado seja Haman” e “abençoado seja Mordechai“. Ele simplesmente coloca a sua mente para dormir por algumas horas, permitindo que seu “eu” verdadeiro aflore.

Observação final: Existem duas versões do livro de Ester. A contemporânea dos acontecimentos e uma versão tardia feita já durante a dominação grega, centenas de anos após. O texto grego porém alterou situações essenciais da estrutura de Ester, fruto da época de opressão grega vigente, semelhante a literatura apocalíptica gerada na época intertestamentária. Ficamos com a versão hebraica, sem os acréscimos que alterariam revelações essenciais do texto analisado.

Welington José Ferreira 12 de dezembro de 2007.

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